09/10/2009

Perigo desprezado

É comum ouvir-se e ler-se que a menor longevidade do homens em relação às mulheres se deve a eles estarem dispostos a correr mais riscos, muitas vezes de forma pouco racional. Hoje as mulheres também ousam praticar desportos radicais. Também é da opinião generalizada que a escola não prepara as crianças para serem adultos responsáveis, o que significa saberem gerir as suas vidas com sensatez, lógica, rigor, responsabilidade, dedicação às tarefas que realizam.

Começam de pequeninas a não estudarem, não fazerem os trabalhos de casa, sem com isso receberem admoestação ou qualquer tipo de penalização adequada. A prática da vida mostra que a permissividade traz más consequências na vida prática. As empresas queixam-se da falta de dedicação do pessoal às tarefas, da falta de cuidado na procura da perfeição, da carência de profissionalismo e de sentido das responsabilidades, etc.

Há dias, a propósito da alta sinistralidade nas estradas, apesar do bom estado destas e da boa qualidade do parque automóvel, foi referida a deficiente preparação dos condutores, do seu civismo, etc, denunciando «desleixos trágicos» que lesam a vida, a saúde e os haveres de pessoas inocentes, vítimas da «loucura» de aventureiros incapazes de dominarem os veículos que levam nas mãos.

Agora chega a notícia realçada em todos os jornais (por exemplo: Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público) da explosão de um camião-cisterna que ocasionou um morto, seis feridos e a destruição de duas vastas instalações industriais, em Vila do Conde. Certamente, que ainda não se sabe oficialmente a causa do acidente mas, provavelmente, houve algum descuido no cumprimento de regras sensatas para o manuseamento de substâncias tóxicas, incendiárias e explosivas. Conduzir um camião carregado com tais produtos não é a mesma coisa que o fazer no transporte de madeira ou brita. Tenho muitas dúvidas que os condutores de tais veículos estejam devidamente preparados para salvaguardarem as suas vidas e as dos outros. Não basta saber mexer bem no volante e no acelerador. O tipo de carga exige preparação especial.

Mas a generalidade dos portugueses fiam-se na virgem e desprezam os cuidados mais essenciais, pensam que os acidentes graves só acontecem aos outros e depois, infelizmente, muitos nem podem contar como tal lhes aconteceu.

As escolas devem ensinar as crianças a ser ponderadas e pensar antes de fazer algo, mesmo que se trate de uma rotina, porque mesmo estas devem adaptar-se às circunstâncias de momento e de local.

3 comentários:

Fernanda disse...

Caro amigo João,

Lamentavelmente é só mais um com consequências graves.
Acredito, aliás como o João deixa claro, que parte destes acidentes acontecem por desleixo, por falta de prática adequada para este tipo de transportes, por falta de uma série de conceitos que se prendem com a condução segura, no fundo, também, com falta de civismo.

Beijinho

Luis disse...

Queridos Amigos,
A falta de cultura trás consigo falta de civismo e de cuidados a ter por nem sequer se aperceberem dos erros que estão cometendo. O "facilitismo" actual existente na nossa sociedade é responsável pela maioria dos acidentes de toda a ordem que têm acontecido. Se se fizerem estudos estatisticos verificar-se-á que cada vez mais os acidentes acontecem e cada vez mais graves. A educação é pedra de toque para a resolução deste problema pois para além de conhecimentos ajuda a disciplinar e a condicionar os procedimentos das pessoas alertando-as para os cuidados a ter nas diversas situações que se lhes apresentam! Caso contrário serão inconscientes e criarão acidentes por pura ignorância!
Um abraço amigo.

A. João Soares disse...

Ná e Luís,

Aqui, parece não ter havido um erro de condução do camião, mas um qualquer acto incompetente, desrespeitando os cuidados que as matérias transportadas exigem. O condutor, para sua defesa e do camião devia ser pessoa bem informada e exigir todos os cuidados recomendados para estas manipulações.
Pelos vistos agiram como se estivessem perante uma carga de areia. Ficou cara a brincadeira!

Abraços
João