05/10/2009

Em Direcção ao Futuro




Procuro,
Com a linearidade
Da minha conduta
E a determinação absoluta
Do meu esforço,
Que tu me escutes,
E, finalmente, lutes
Contra a direcção
Que a humanidade
Segue, levianamente.
Busco,
Na limitação
Da tua mente,
Que me cansa,
A ressonância
Clara e calma
Do meu poema,
E da sua importância.
Não acredito
Na remissão dos pecados
Dos políticos,
Na ambiguidade
De certas soluções,
Nem na utopia
De certas promessas.
Sigo em frente
Duvidando de tudo
E de todos.
Suporto a caminhada,
Em direcção ao Futuro,
Tentando acreditar nele.
Contudo,
Pertenço a este mundo,
Imundo,
De gente arrogante,
Com o corpo nele
E o coração distante.

Maria Letra
Imagem de Miguel letra

7 comentários:

Ana Martins disse...

Belíssimo Mizita!
Para além da sonoridade agradável e bem rimado, transmite uma mensagem bem pertinente.

Beijinhos,
Ana Martins

Maria Letra disse...

Muito obrigada, Ana. É sempre muito simpática.
Hoje à noite fui ao seu blog mas não consegui encontrar o espaço para comentar os seus dois últimos lindos poemas. Pode dizer-me como fazer?
Devo confessar não ser suficientemente habilitada para lidar com os blogues. Tenho-me visto bastante atrapalhada para fazer o meu, mas lá vou conseguindo.
Beijinhos.
Maria Letra

A. João Soares disse...

Amiga Mizita,

Lindo poema que a Ana já definiu na qualidade de poesia, e que, quanto ao conteúdo, tem a força inerente ao dia em que foi publicado, a revolução em busca de um futuro melhor. As grandes mudanças são sempre apoiadas pela intenção, mas devido aos pecados irremíveis dos políticos, as melhorias ficaram a meio caminho. No século passado tivemos três experiências, todas diferentes na forma e nos resultados. Analisem-se e tirem-se conclusões.
Ontem houve este seu lindo poema e houve a fuga do País do Presidente da República, que não se sentiu bem na tradição no meio do País e refugiou-se no seu casulo diário. Talvez por ali passasse ao fazer a rodagem do carro ou talvez tenha recusado voltar ao Portugal profundo e não mais sair do seu fortim, com receio de ser empurrado para o Pulo do Lobo.
Vá lá uma pessoa tentar compreender os políticos!!!

Beijos
João

Ana Martins disse...

Amiga Mizita,
não consegui entender onde teve dificuldade, tanto quanto sei no meu blogue comenta-se da mesma forma que se comenta nos outros todos, a menos que haja algum problema no blogger e a isso Mizita já não lhe sei responder.
Aguarde mais um dia ou dois e volte a tentar, talves o problema já esteja resolvido.

Fiquei no entanto muito satisfeita em saber que me visitou, o que conta na realidade é a intenção.

Beijinhos,
Ana Martins

Luis disse...

Querida Mizita,
Usando as suas próprias palavras eu próprio,
"Sigo em frente
Duvidando de tudo
E de todos.
Suporto a caminhada,
Em direcção ao Futuro,
Tentando acreditar nele.
Contudo,
Pertenço a este mundo,
Imundo,
De gente arrogante,
Com o corpo nele
E o coração distante."
Só não duvidando da minha maneira de pensar cada vez mais fortalecida por tudo que tenho vivido e sentido.
Muito belo poema e muito actual e uma foto do seu "menino de ouro" a condizer com ele.
Parabéns e um beijinho amigo e solidário.

Maria Letra disse...

Obrigada, Luís, pelo Seu comentário.
Só não quero é ir andando, gemendo e chorando neste vale de lágrimas ..., porque sou contra elas. Prefiro substituí-las por um sorriso de esperança.
Um beijinho.
Maria Letra

Maria Letra disse...

Amiga Ana Martins,
Estava eu a tentar falar com a Milai, para ela ajudar-me a encontrar o tal espaço para comentar quando, como que 'por milagre', me aparece o local certo. É caso para dizer 'não batas mais no céguinho, Mizita! ... É tudo uma questão de abrir bem as pestaninhas.
Um beijinho. Vou comentar o que já tinha lido, mas não comentado.
Maria Letra