19/10/2009

Perigo não deve ser ignorado

Há poucos dias, foram aqui publicados dois posts «Desleixos trágicos» e «Perigo desprezado», de alerta contra o pouco cuidado com que são encarados os perigos. Um comentador totalmente anónimo, usando de palavras pouco corteses, criticou a intenção do segundo post acabando por dizer em termos fatalistas e provavelmente de braços cruzados, que os «acidentes acontecem».

Ora os acidentes são originados, na maioria dos casos, por erros devidos a distracção, a má preparação, técnica e psíquica ou a falta de cuidado com as máquinas, o que é passível de melhoria por forma a reduzir a probabilidade de ocorrência poupando-se vidas e haveres.

Neste domingo houve «um morto nas estradas». Na véspera, tinha havido «um morto e 27 feridos em despiste de autocarro» que capotou. Destes, «Cinco feridos ainda inspiram muitos cuidados», na manhã de hoje.

Entretanto, como as causas dos acidentes nem sempre residem na incúria dos condutores ou em avaria das máquinas, surgiu hoje um artigo a alertar para que «Ensino falha no cálculo do aquaplaning». E é bem conhecido o perigo de uma camada de água mesmo que ténue na estrada, tornando o carro ingovernável.

Mas os acidentes ocorrem em diversas actividades e, em todos os casos, o cuidado deve ser acrescido para os reduzir ou evitar. Notícia datada de ontem diz que «Acidentes de caça provocaram hoje dois mortos em Vila Real e Chaves» notícia também referida «aqui» o que eleva para «cinco as mortes a lamentar desde o mês de Junho». E não devemos negligenciar que uma vida humana tem elevado valor para os familiares e amigos e para a vida económica nacional.

Portanto, não podemos ser fatalistas ao ponto de aceitar de braços cruzados que tais tragédias se sucedam de forma continuada. No mínimo, devemos tomar precauções e apenas aceitar riscos calculados que sejam justificados pela actividade respectiva.

4 comentários:

Fernanda disse...

Querido amigo João,

Pois é verdade, há uma série de acidentes fatais que podiam/ podem ser evitados.

Houvesse mais amor pela própria vida, mais cuidados, mais competências exigidas, mais cautelas e muito poucos destes acidentes ocorreriam, sem dúvida.

Há pouco tempo, ficamos todos chocadíssimos com a notícia de que o próprio pai disparou mortalmente sobre o próprio filho numa caçada.
Chamar-lhe um acidente é pouco (sei que o pobre do pai deve estar um farrapo com o acontecido), mas que sirva de exemplo, não se levam crianças para a caça.
Por mim a caça devia ser proibida, assim como a pesca desportiva.

Mas não é este o assunto, o assunto é negligência pura, e isso é brincar com a vida que é tão preciosa.

Beijinho

A. João Soares disse...

Querida Ná,

Efectivamente, não há margem para uma opinião diferente sobre a necessidade de cuidados para prevenir acidentes. O que custa é encontrar medidas eficazes para obter bons resultados. No texto que transcrevo no post Ética ou autoridade , o autor inclina-se para uma acção de autoridade, repressiva, que desmotive os abusos. Mas até isso é muito duvidoso, pois nem as polícias nem os tribunais são rigorosos quanto baste. O ministro do anterior Governo fez tais alterações na legislação em favor dos criminosos que tornam muito difícil qualquer mudança.
Os políticos são muito incompetentes para Governar num sistema aberto

Só podemos confiar na Srª de Fátima... mas está muitas vezes distraída com outros afazeres.

Beijos
João

Luis disse...

Meus Bons Amigos,
Concordo com o que comentaram e lembro ainda que se houvesse mais responsabilização por parte dos intervenientes nas diversas acções que são praticadas existiriam menos acidentes concerteza! O civismo é coisa que rareia e sem ele "tudo pode acontecer"... É que "tudo acontece" porque o homem faz com isso se verifique!
Um abraço amigo.

A. João Soares disse...

Caro Luís,

Aplica-se aqui a essência do texto transcrito no post «Ética ou autoridade» do Do Miradouro.
O civismo, a ética, levará muitos anos a dar efeito exigindo uma constante força de vontade durante esse período de adaptação. Ora, se não há civismo nem ética, também não se pode esperar tal vontade.
A solução tem de residir na repressão, na actuação eficiente e constante das polícias e da Justiça. Mas nós por cá tivemos o azar de ter fracos ministros nestas pastas que deviam ser fundamentais.

Um abraço
João