17/07/2009

Maria da Fonte..mais uma mulher de armas!


Maria da Fonte.
Assim se chamou a revolução que rebentou no Minho em Maio de 1846 contra o governo de Costa Cabral, mais tarde conde e marquês de Tomar.

A causa imediata da revolta foram questões de recrutamento, a proibição dos enterramentos feitos dentro das igrejas, bem como a luta contra o aumento dos impostos decretado pelo Governo, na qual desempenhou um papel muito activo uma desembaraçada mulher das bandas da Póvoa de Lanhoso, conhecida pelo nome de Maria da Fonte.
Os tumultos multiplicaram-se, tomando afinal as proporções sérias duma insurreição, que lavrou em grande parte do reino.

O Minho estava a movimentar-se, primeiro em surdina e depois mais claramente contra as autoridades. Estes acontecimentos eram protagonizados por mulheres, armadas basicamente com alfaias agrícolas: umas de chuços, outras de ferrelhas e pás de enfonar, muitas com choupas e sacholas, algumas com forcados e espetos, que levavam o esquife, não permitindo a presença de homens.

Ainda que as autoridades participassem ao Governo Civil esses atropelos à lei, não obtinham resposta. No entanto, mais tarde, acabou por ser emitida voz de prisão para Maria da Fonte e suas seguidoras, as quais foram presas, à excepção do cabecilha que conseguiu fugir. Por isso, na sexta-feira seguinte a essa ordem o juiz de direito, o delegado, o oficial de diligências e os adjuntos dirigiram-se ao lugar. Mas, o povo começou a tocar os sinos a rebate, tendo as autoridades que fugir com receio. Foi então que apareceu Maria da Fonte, de clavina empunhada e duas pistolas ao cinturão, gritando:
-Vamos à cadeia tirar as presas! Viva o Senhor Dom Miguel!
Chegados à Póvoa, libertaram as presas, que regressaram às suas casas como heroínas.

Este resumo da história da Maria da Fonte tem um só fim, prestar homenagem, não só a todas as mulheres que ao longo da História tiveram lugar de destaque, pela bravura e coragem demonstrada, sobretudo contra as injustiças sociais, mas essencialmente para homenagear a nossa mais aguerrida e muito querida heroína, em termos poéticos, lembro aqui o seu recente poema Posso?, porque afinal todas as armas são válidas e poderosas, viva a nossa Milai!

Perdoem-me as outras belíssimas poetizas do Sempre Jovens, cada uma no seu género, tanto a Mizita (Maria Letra), como a nossa Ana Martins, mas como bem se lembram, foi o amigo João que me lançou este repto, o que cumpri com enorme prazer e orgulho.

Fernanda Ferreira

11 comentários:

Luis disse...

Querida NÁ,
Gostei imenso e está na hora!!!
As outras poetisas não se vão ofender de certeza pois para além da Maria da Fonte temos mais exemplos de Mulheres Portuguesas que tudo fizeram por um Portugal melhor onde elas se poderão enquadrar!
Beijinhos

Mara disse...

QUERIDA NÁ,

Quando vi este teu belíssimo post, onde demonstras a tua qualidade não só a escrever, mas também a saber a nossa história, que eu nem sabia com tanto pormenor, fiquei imediatamente preocupada com a nossa querida Ana Martins e a nossa Mizita. Ambas me superam até à medula. Eu não tenho nem por sombras a categoria das maiores poetisas do SJ. Perdão se de alguém mais me esqueço neste momento.

Quanto ao teu trabalho, quem o vê, imediatamente pensa que se trata de uma escultora de sucesso.

Apanhaste a brincadeira do João mas quem saiu heroína foste tu. Portanto, por favor tira o meu nome e põe o teu porque és tu que mereces tal galardão.

Um abraço de muita amizade.

Milai

Vitor Chuva disse...

Olá Fernanda!

Se pudéssemos comparar a arte de escrever à arte de navegar, e utilizando terminologia naval para o fazer, diria que deste uma guinada no leme da tua escrita, mudaste de rumo, procurando novas paragens, e,como seria de esperar de um bom marinheiro (a), facilmente chegaste a bom porto.

Parabéns pela viagem feita!

Um abraço.

Vitor Chuva.

Maria Letra disse...

Amiga Milai, vou ser longa e peço, portanto, desculpa.
Qualquer homenagem que seja feita à tua pessoa é para mim motivo de orgulho porque, conhecendo-te há tantos anos, como uma pessoa que NUNCA me desiludiu seja em que campo fôr, só posso julgá-la como merecida. Não estarei, porém, muito de acordo com a ligação feita entre ti e a Maria da Fonte, mas isto é uma opinião muito pessoal, que não reflecte qualquer tipo de desagrado. Sempre te vi como um exemplo de educação, sensibilidade, honestidade e capacidade intelectual. Mas não te vejo uma 'mulher de armas', capaz de liderar movimentos do tipo daqueles que liderou a Maria da Fonte. Perante a primeira ameaça da possível necessidade do recurso ao uso de armas, caírias para o lado. Serias incapaz de fazer mal fosse a quem fosse e quem toma posições como as da Maria da Fonte tem que estar preparada para o pior. Não te vejo nessa posição, peço desculpa de novo.
Quanto a uma hipotética ofensa da minha parte, nem vou comentar. Primeiro porque não cabe no meu coração esse tipo de maldades, segundo porque nunca fiz um poema pensando ser distinguida de alguma forma. Eu sei que ninguém pensa, realmente, que eu ficaria ofendida, mas se pensar, convido-os, primeiro, a tentar conhecer-me melhor.
Quanto ao texto da Ná, era de esperar que tivesse o mérito que tem. Não podemos esperar dela senão bons trabalhos. Já o demonstrou várias vezes. Venham mais, Ná. Ainda estou
à espera dum sôbre Conimbriga.
Um grandíssimo abraço a todos.
Maria Letra

A. João Soares disse...

Minhas queridas Amigas,
Sinto-me sem forma de pegar na frase. Mas é uma honra falarem da Maria da Fonte e da nossa Milai autora do Posso? e juntarem o nome de um humilde pastor dos montes Hermínios e, nos intervalos, cultiad0or de alfazema. Não desgastem o nome do João, que sempre foi um cultivador do low profile, discreto, sem anunciar a passagem deixando aos pisteiros apenas o rasto que não possa apagar.

Obrigado às duas autoras deste blog familiar de um pequeno grupo de amigos dedicados.

Beijos
João

Fernanda Ferreira disse...

Meus queridos amigos,

Eu cumpro as minhas promessas e faço sempre o que me pedem. Não é defeito, é virtude.
Esteja descansada amiga Mizita que não me esqueci de si...

Amigo João, não negue que a ideia foi sua, há provas!!! E até havia outra estátua, só não se arranjou um pedestal à altura da mesma.

Amigão Luís, estive tentada a resumir as histórias de todas as nossas heroínas, mas não me podia alongar muito, depois o João tinha dito a Maria da Fonte, tinha que ser.

As nossas restantes heroínas da poesia, como referi no texto, sei que não se ofenderiam, pelo contrário...todos amamos muito a nossa Milai.

Vitor, como homem da Marinha achas que mudei de rumo. Sabes bem como sou capaz de o fazer.
Na escrita como em tudo na vida, dão-se as voltas ao leme que forem necessárias, só assim se chega a bom porto.

Querida Milai, tu mereces este galardão e muitos mais, muitos mais.

Obrigada e beijinhos a todos,

Mara disse...

Queridos amigos,
Ai a minha cabeça que até já me dói.
Não falem mais de mim que ainda me dá por aqui um "chilique" e não tenho quem me acuda. Eu não sou a santa que pensam. Eu sou "levadinha da maleita". A Mizita tem muita rezão, ela conhece-me muito bem. Eu não teria forças para combater com tanta maestria como a Maria da Fonte. Mas também tenho a dizer o seguinte: ai de quem me picar injustamente. A minha reacção é fatal. Quem me ofende vai direitinha para o "trash" e ponto final. Perdoar...talvez, mas muitos anos depois. Principal razão; pertenço ao signo mais terrível do Zodiaco. Até nem digo qual é. Mas uma coisa dizem que sou: "Resistente" !!! Que seja verdade é o que mais desejo.
Em conclusão, porque já estou a abusar do vosso precioso tempo,acreditem meus queridos amigos e amigas. Não sou nenhuma santa,

Milai

A. João Soares disse...

Querida Ná,
Sim eu disse, e nunca nego o que digo, mas não é preciso gastar elogios.!!!
Beijos
João

Fernanda Ferreira disse...

Amigo João,

Há duas razões para se falar muito nas pessoas; ou boas, ou más...verdade de La Palice...

No seu caso amigo, está condenado por natureza a que se lhe tecem os elogios que afinal cabalmente merece. Não são gastos, são puramente usados...

Beijinhos

Pedro Ferreira disse...

Olá Mãe!
Venho só dar-te os parabéns pelo belo texto, mais um.
Sabes que não me lembrava nada desta história? acho que nunca a soube.
Depois está escrita de uma forma cativante.
Gostei mesmo muito, sobretudo por saber que era para homenagear a tua amiga.

Beijinhos e abraços,
Pedro

Fernanda Ferreira disse...

Olá filho lindo!!!
Acabei de falar contigo e já tenho saudades.

Obrigada pelo comentário e pelo esforço feito semanalmente para nos visitares.
Não te espantes por não conheceres a história, é normal, devias conhecer o nome, tal como a de Deu-la -Deu Martins, o da Padeira de Aljubarrota e outras tantas, mas eu dentro do possível trarei a história de cada uma delas aqui, para que sejam relembradas.
Depois sendo mulher...dá-me muito prazer fazê-lo.

Beijão muito terno da mãe que te adora,
Fernanda Ferreira