14/09/2009

À Descoberta de Nova York. ( Post 4 de 4 )

(2ª feira, 4º e último dia)

Com grande desgosto para a maioria de nós, a segunda feira chegou; o tempo fugia-nos e havia que tirar o melhor partido do pouco que ainda restava. No consulado Português , na quinta avenida, trabalhava um “amigo”, que me tinha prometido arranjar programa para o serão, e não falhou. Convenceu duas amigas suas a sairmos, após jantar, e irmos a qualquer lado onde se pudesse beber um copo e, se possível, dar um pezinho de dança, mas a situação não se apresentava nada favorável. Casimiro – era este o seu nome – telefonou às tais amigas, ambas enfermeiras, a trabalhar em Manhattan, mas a viver em Staten Island. Contudo, quando o conseguiu fazer uma delas já estava a caminho do trabalho, vestida com o respectivo uniforme, para entrar de turno às 20:00. Naquele momento as coisas pareceram-me francamente mal encaminhadas, e eu a ver a minha vida a andar para trás … O tempo corria, fazia-se tarde para tentar remediar a situação e, não estivéssemos nós em Nova York e o programa teria ido por água abaixo, como costuma dizer-se. Felizmente, as coisas, pouco a pouco, começaram a compor-se: quanto a ter de que entrar de turno, conseguiu ela a troca com uma colega; no respeitante à roupa que não tinha, a situação foi facilmente ultrapassada, decidindo - se ela por comprar um vestido novo e um par de sapatos … e tudo isto com a maior das naturalidades!

Mesmo num lugar como Nova York, ainda assim não foi nada fácil encontrar um lugar que viesse ao encontro daquilo que tínhamos em mente. Em qualquer parte do mundo, pelo menos naquela época, segunda feira era sempre um “mau” dia no que diz respeito a locais de entretenimento e, ao contrário do que proclama a canção de Frank Sinatra dedicada à cidade -“The city that never sleeps”- , a mesma parecia meio adormecida … certamente a recuperar do fim de semana!
Após uma tentativa falhada num clube recreativo Alemão, seguida de mais duas ou três com idêntico desfecho, descobrimos, finalmente, um local do nosso agrado, com música para dançar – o “Chateau Madrid Hotel”-, ali permanecendo durante duas a três horas. Curiosamente, a imagem mais viva que retenho do lugar e do tempo lá passado é a do empregado da casa de banho, “figura imponente”, dentro dum elegante uniforme, que à primeira vista mais parecia um general em trajo de gala.
Ainda hoje não sei exactamente explicar se terá sido essa a razão que me levou a deixar uma generosa gorjeta de vinte e cinco cêntimos – a “quarter”- ou se terá sido pelo facto de tendermos a ser mais generosos quando nos sentimos de bem connosco próprios, e felizes: qualquer que ela tenha sido, foi certamente a visita mais cara que alguma vez fiz a uma casa de banho!
E assim terminou o nosso fim de se semana alargado em Nova York, um extraordinário lugar para visitar, mas onde , estou certo, não gostaria de viver.
Vitor Chuva
14-08-2009
Vitor Chuva

6 comentários:

A. João Soares disse...

Caro Vitor,

Quatro capítulos de uma visita à mais conhecida e falada capital do mundo (sem ser capital dos EUA). Gostei muito das descrições, com pormenor quanto baste e uma clareza só igual aquela a que já nos habituou. Parabéns pelo trabalho e por tê-lo trazido aqui para os nossos visitantes se deleitarem.

Abraço
João

Fernanda disse...

Amigo Vitor,

Espectacular!!! Sabes que digo sempre o mesmo, mas francamente faltam-me as palavras para adjectivar a forma como escreves.
Há tanta "coisa" publicada sem metade do valor do conto que aqui nos narraste.

Ri-me imenso com a história do "guardador das casas de banho", e da "tip" que lhe deste, para não mencionar o facto de nunca ter estado em lado nenhum dos EU, e ter contigo estado, mesmo que muito rapidamente em NY, "the city that after all sleeps"

Obrigada pela partilha, muito mesmo.

Beijinho

Maria Letra disse...

Amigo Vitor Chuva,
Admiro muito, como tive já ocasião de dizer-lhe, a sua forma de descrever as suas pequenas histórias.
Dá-me muito prazer ler o que escreve.
Um abraço.
Maria Letra

Vitor Chuva disse...

Caro João!
Este poste apresentado de forma sub-dividida foi ensaio para outras eventuais publicções, já que é a única forma de aqui poder trazer uma história comprida, sem a ter que amputar de modo a torná-la compatível com o formato de blog.
E obrigado pelo simpático comentário feito em relação ao resultado conseguido.

Um abraço.

Vitor Chuva

Vitor Chuva disse...

Olá Fernanda!

Com tantos elogios feitos, que sei serem sinceros, e muito apreciados, ainda corres o risco de que eu possa vir acreditar que terei todas essa qualidades que me atribuis...
Claro que gostei muito do teu simpático comentário;soube muito bem!

Obrigado!
Beijinho.
Vitor Chuva

Vitor Chuva disse...

Olá Mizita!
Fico muito satisfeito com o seu comentário elogioso; ouvir uma palavra simpática é sempre deveras gradável, e este, mais uma vez, foi o caso.

Obrigado!

Um abraço.
Vitor Chuva