30/08/2009

Um dos meus encontros com a natureza!

Há muito que digo aos meus amigos que sou um privilegiado, isto por poder usufruir livremente, não só das paisagens idílicas deste Minho, bem como por tudo que o compõe; rio, mar, montanha, aromas, flora, com as mais diversas cores ao longo das estações e fauna. Uma maravilha!
É desta última que vou particularizar.
Como nos meus giros de BTT procuro desfrutar disto tudo, fui fazer um trilho pelo monte, entre a Gávea e Candemil, freguesia de Reborêda, concelho de Vila Nova se Cerveira, uma vez que já há algum tempo que não o percorria.

Assim, logo que entrei no estradão de terra na zona dos moinhos da Gávea, verifiquei que a vegetação estava crescida e que não haviam grandes sinais de pegadas no chão. Isto era sinal que aquele local estava a ser menos utilizado que o normal.
Fui subindo até avistar a figura do emblemático Cervo. Aquela imponente imagem transmite não só uma agressividade particular, como ao mesmo tempo uma segurança quase feudal. Parece dizer “eu domino tudo, quem estiver comigo está protegido”.

Normalmente “giro” sozinho, quando aparecem aqueles obstáculos chamados “técnicos”, ou sofredores, tem-se tempo para tudo… até para filosofar. (Há quem reze).
Nessa altura, no solo, aparecem bastantes vestígios de cascos para além dos fecais. Pensei que alguém a cavalo teria utilizado aquele caminho. Bom gosto, pensei com os meus botões.
Alguns metros acima, avisto ao longe um potro deitado no estradão e logo acima um garrano.
Foi para mim uma enorme surpresa, pois não era habitual nesta zona ver aqueles animais. Continuei a subir, uma vez que, entretanto os dois animais seguiam à frente pelo mesmo trilho. Passados dois ou três minutos, oiço atrás de mim um barulho fora do normal. Poeirada e barulho… de repente, aparece aquele que seria o pai da “criança”.
Foi um flash... na minha memória apareceu o manual de sobrevivência, aquela era uma situação já passada por um companheiro de aventuras, que tinha sido agredido por um animal nas mesmas circunstâncias, felizmente tudo passou pela minha mente numa fracção de segundos. Os casais com filhotes tornam-se agressivos em circunstâncias semelhantes.

Assim para quem passar pela mesma situação, eis as minhas sugestões:
1º Desligar o botão da adrenalina. Os animais pressentem o nosso medo e reagem.
2º Encostar a um dos lados do estradão. Escolher o que tiver menos silvas, para o caso de ter que saltar.
3º Desmontar da” bicla” e colocá-la entre nós e o restante caminho. Se o animal atacar, a “bicla” protege.
4º Esperar a reacção do bicho.

Resultou,felizmente o potro ajudou imenso...deixou que a mãe passasse na frente, passou por mim e foi ter com o pai.
Seguimos, a mãe na frente eu no meio o potro e o pai atrás. Logo que a fêmea virou para uma transversal eu montei a “bicla” e segui o meu caminho.

Foi uma experiência única. Mais um daqueles privilégios.
Para a semana vou novamente.
Estes garranos são uma mais-valia para esta já tão paradisíaca paisagem.
É só vir vê-los, eles estão cá. Desfrutem.




José Ferreira

Nota: para mais imagens ver aqui
Fernanda Ferreira

14 comentários:

Tite disse...

Belíssima descrição.

Senti-me no monte a viver toda esta excitante aventura. Até porque conheço o local onde também sinto a forte e dominadora presença do cervo Minhoto.

Parabéns
Vou voltar mais vezes

Fernanda disse...

Olá Tite!

Uma Leoa que sente a presença dominadora do Cervo??? Fraquinha...ahahahaha!
Depois há-de explicar-me como conhece Cerveira, adorava saber.

Obrigada amiga pelo simpático comentário. Hoje consegui uma lança em África... o meu marido escreveu a sua primeira crónica e é verídica... muito melhor do que qualquer vitória do seu Sporting.

Beijos

Tite disse...

Amiga ainda sem muito contacto mas já assumindo que vai ser de verdade,

Que bom que ele se aventurou.
Ainda bem que fui a primeira a comentar.
Ainda bem que foi uma crónica vivida.
Que bom que cheguei bem na hora de incentivar quem revela tanto jeito para comunicar.

Sobre as minhas passagens pelo Minho teria que estar uma tarde a contar mas Vila Nova de Cerveira e toda a área circundante foi visitada em pormenor por ter estado alguns dias hospedada no Inatel local e fazermos explorações diárias a partir daí.
Outro belo passeio levou-nos a hospedar-nos na Estalagem Monte Faro. Outro passeio levou-nos ao Empreendimento da Pedra Verde que penso já não existir ou ter-se transformado em centro residencial. Outro belo passeio levou-nos a correr todos os Santuários do Gerês ao Jerez. Enfim... não acaba mais as minhas idas a uma zona que tanto me atrai e amo.
Até porque sou Transmontana de Pedras Salgadas e prezo muito as belas paisagens do nosso país que não ficam nada atrás do muito que já visitei por outras paragens. Apenas diferentes.

Hoje estou um pouco menos sobrecarregada de visitantes, por isso escrevi que me fartei.

Prometo não abusar para a próxima, Tá?

Jinhos

Tite disse...

Ah! esqueci-me!!!

A Leoa tem consciência que o Leão não domina em todo o lado.
Aí, para esses lados, além do Cervo Minhoto também existe outro animal dominador mas... não quero ir por aí (eheheheh!)
Tive pena de, apesar de ver muitos animais no seu habitat natural no Krugger Park na África do Sul, não ter conseguido por a vista em cima da família leonina. Certamente são mais tímidos do que a lenda faz crer (ahahahah!).

A. João Soares disse...

Amigo José,
Conte-me cá porque não se interessa em ser autor do blogue para poder publicar com independência sem ter de pedir licença à matriarca!!!
Envie um e-mail e logo de seguida receberá o convite.
Com isto quero também dizer que aprecio muito os seus escritos.

Um abraço
João

Fernanda disse...

Amiga Tite,

Muito me contas, já vi que conheces bem esta zona. O Inatel fica a, no máximo, dois quilómetros de minha casa.
Também já estive em Pedras Salgadas e conheço bem essa parte do país que percorri todo em auto-caravana.

Beijos

Ferreiras disse...

Caro João Soares,

Agradeço muitíssimo o seu convite.
Lamento não poder aceitar, o meu tempo disponível, de momento não mo permite. Não me chega para poder fazer tudo aquilo que eu gostaria.

Estou a iniciar-me na guitarra e bandolim.
O BTT ocupa-me as tardes. No Inverno, tenho o meu hobbby das madeiras.
Logo que tenha alguma disponibilidade, farei qualquer coisa escrita. Também é uma das coisas que me dá gosto fazer, não nego.
Até lá, grato pelo convite e pela motivação.
Um abraço.
JFerreira

Manuela Araújo disse...

Cara Fernanda.
Só faltam aqui mais umas lindas fotos dos garranos.
Beijinhos

Fernanda disse...

Querida Manuela,

Não posso abusar e roubar espaço neste Blogue que tem imensos colaboradores, como bem entende.

Beijos

A. João Soares disse...

Exploração do homem pela mulher. Ele escreve ela responde aos comentários a colher os elogios!!!
Mas as fotos não dependem do espaço. Creio que não há limites. O problema pode ser outro, o se~de um post tirar visibilidade ao anterior, porque os visitantes raramente vão além do mais recente.
Tenho usado esse facto: quando tenho um post mais atrevido mas que não quero deixar de guardar no blogue, coloco logo a seguir um mais inofensivo e, curiosamente, os comentários vão para este, sem grande interesse e o que merecia mais comentários fica órfão e ignorado.
Não deixe de nos deleitar com fotos do seu agrado.

Beijos
João

Fernanda disse...

Oh! Querido amigo João,

Já era para lhe ter respondido no outro dia, por causa da "Matriarca"...sei que estava na brincadeira... aqui em casa o José não usa saias (salvo seja) mas eu uso calças, não agora, com este calor andamos ambos muito mais descascados...mais de shorts.

Eu não colho nada, eu tenho a sorte de estar rodeada de gente que me quer, por ser exactamente como sou e que faz tudo para me agradar, exactamente o que eu faço por todos os que amo e provam ser AMIGOS verdadeiros.

Sei muito bem do que fala, quem nos visita não procura o autor, deixa logo a mensagem no primeiro post que encontra.
O número de comentários não interessam para nada, muito menos neste caso em que o Blogue é colectivo. Não parece muito justo...mas é a pura realidade.

Adicionarei então algumas fotos lindas (modéstia à parte) que eu própria tirei ontem, quando o José me levou a ver os garranos.
Andei 8,4 quilómetros, mas adorei!!!

Abração
Ná & José

Manuela Araújo disse...

Sempre aqui estão os lindos garranos.
Um beijinho, Fernanda

Fernanda disse...

Obrigada amiga Manuela...às vezes é só preciso um alerta, por isso contam tantos os comentários e os seus cometadores.

Beijinhos,
Fernanda

Luis disse...

Queridos Amigos,
A Natureza é algo de muito belo e que nós, por vezes, não lhe damos a atenção que merece...Dou-lhes os meus parabéns e que continuem a dar-nos o previlégio de os acompanharmos ainda que "virtualmente"!
Um forte abraço.