04/08/2009

Verónika decide morrer, de Paulo Coelho.

Gostava de começar por dizer que apesar de gostar deste autor, ele não é de longe o meu autor favorito, sendo esse lugar ocupado por Joanne Harris, entre outros.

Sinceramente já ouvia há muito falar do fenómeno Paulo Coelho, mas talvez por ser algo tão em "moda" nunca senti grande vontade de ler. Li "Verónika decide morrer", faz cinco ou seis anos.
O livro foi-me emprestado pela mina cunhada numa fase em que eu lia tudo o que me aparecia. Em boa hora o fiz… e se hoje o relembro e aqui o trago, é seguramente por alguma razão, inexplicável no momento, mas nada acontece por acaso…

O livro é excelente, é daqueles livros que apesar de ser meio surreal, nos mostra que no fundo todos nós, uma ou outra vez nos sentimos assim ao longo da nossa vida, com uma vontade imensa de acabar com tudo, uns mais que outros, outros mais vezes que outros, mas todos… estou quase certa disso.

Eis aqui uma curtíssima sinopse do livro, até porque estou convencida que a maioria já o leu. Verónika era uma mulher jovem de boa família, muito bonita, cortejada por rapazes da sua faixa etária. Tinha todos os motivos para ser feliz, mas não era. A sua insatisfação com a vida brotava de dentro, algo inexplicável para ela própria. Essa foi a razão que a levou a matar-se.
O artifício que usou, foram comprimidos. Dentro de seu quarto, deitada na cama, sem nenhum alarde, ela programou uma morte silenciosa.
Quando um rapaz a olhou sorridente através da janela aberta, ela correspondeu ao sorriso e alguma vontade de viver surgiu; foi rápido o momento de arrependimento que veio a seguir, o veneno em forma de cápsulas já havia sido ingerido e ela perdeu os sentidos.

Acordou num quarto estranho, um lugar para tratamento de pessoas com problemas mentais. Disseram-lhe, com todas as letras, que ela não fracassara no seu intuito de se suicidar, que seu tempo de vida era curto.
Verónica conheceu, entre os outros internos, pessoas que como ela passavam por problemas existenciais, Eduard, jovem por quem ela se apaixonou, havia recebido o diagnóstico de esquizofrenia, não falava, vivia distante da realidade; na sua origem, era um rapaz normal, mas os pais rejeitaram a sua forma de ser, pressionando-o de forma intensa. Verónika deparou-se com pessoas que não poderiam ser consideradas realmente loucas, mas sim com dificuldade de ajuste ao mundo das pessoas ditas normais. Existia, inclusive, um grupo auto denominado “fraternidade” composto por pessoas que já poderiam ter alta, mas desejavam permanecer na instituição, pois ali poderiam ser elas mesmas. O convívio com a eminência de morte faz Verónica reflectir sobre a vida como nunca havia feito antes. Verónica acaba por sobreviver e ter uma vida perfeitamente normal.

Sinceramente acredito que, tal como Verónica, a maioria de nós comete, de vez em quando, o tremendo erro de tomar a vida como garantida, acomoda-se e em parte deixa de a viver, é como se estivéssemos viciados na rotina, tão viciados que ficamos cegos e não conseguimos sair dela. Parece que temos medo de arriscar fazer coisas novas, de viver experiências novas, o desconhecido assusta bastante, eu sei, mas a apatia assusta mais ainda. Penso que a apatia é um sintoma de falta de vontade de viver, se calhar um sintoma do qual eu também fui acometida durante alguns anos e nem me apercebi.

Tal como Verónica, hoje sei, que cada segundo desta vida é algo raro, cada raio de sol, cada gota de chuva, o sentir o vento nos meus cabelos, gritar, sorrir, cantar, observar, chorar, sofrer, tudo. O sofrimento faz parte da vida, é algo que temos que aprender a lidar, faz bem chorar, faz bem sofrer já que tudo isso não passa de uma aprendizagem e um processo de valorizar ainda mais aquilo de bom que a vida nos dá.
Para quem ainda não leu, e porque estamos em época de férias, aproveite e leia. Este é um daqueles livros que de devoram em dias.
Fernanda Ferreira

12 comentários:

Maria Letra disse...

Olá Ná!
Eu gosto de Paulo Coelho por representar milhões de pessoas que navegam no 'desconhecido', fazendo dele histórias que prendem a nossa atenção. O último livro que li dele foi "As Valquírias", um dos seus livros mais conhecidos. Considero-o um homem cheio de talento em vários sectores e o meu gostar dele reside no facto de oferecer-me matéria para eu ficar a pensar.
Quanto ao tema desse livro, que não li ainda (mas que vou ler), estou de acordo consigo. Contudo, eu pertenço ao número de pessoas que não aceitam haja seja o que fôr, que justifique o suicídio. Estamos cá para aprender e eu tenho sido uma boa aluna, atenta e muito estudiosa. Aprendo cada lição ...

Fernanda disse...

Viva amiga Mizita!

Sei que "as Valquírias" é um dos seus "best sellers", mas ainda não li.
Vou lê-lo, agora que vou à praia todas as manhãs, gosto de levar o meu livro.

Ainda tenho alguns por ler...mas verei se está disponível na Biblioteca.

Quanto ao fundamental da história da Verónika, eu já não posso dizer o mesmo que a Mizita, como ficou claro no meu texto.

Beijinho
Fernanda Ferreira

A. João Soares disse...

Se as crianças aprendem a andar caindo e levantando-se, nós também podemos sair de uma queda com melhor preparação para continuarmos a vida. Uma crise pode ser uma bênção, se dela tirarmos as devidas conclusões, as lições adequadas para um melhor desempenho.
Infelizmente desprezamos os diferentes, mas na realidade não há duas pessoas iguais, Aceitemos os diferentes e deixemos que procurem a sua felicidade à sua maneira.

Abraços
João

Vitor Chuva disse...

Olá Fernanda!

Eu devo confessar que nunca li nada deste autor. Não sei porquê, talvez por preconceito, tenho tendência a ficar de pé atrás com obras de autores que mais parecem ser uma linha de produção industrial, tal o ritmo a que produzem.
Um destes dias, vou ler, para poder ter opinião fundamentada, já que são tantas as pessoas que o lêm.

Um abraço.

Vitor.

Dulce disse...



diante da popularidade de Paulo Coelho, o que vou dizer pode até parecer um sacrilégio, mas nunca consequi ler um livro dele. Até tentei, mas não consegui passar das primeiras páginas. Talvez tenha escolhido os livros errados, quem sabe? Talvez seja apenas uma questão de emapatia (ou antipatia), não saberia explicar, enfim, tentar tentei...
Visto assim, a luz de sua narrativa, imagino que tenha perdido alguma coisa, não sei...
Excelente seu texto, minha amiga, como sempre.

beijinhos e bom dia (boa tarde)

Fernanda disse...

Desculpem-me todos os meus colegas, mas vou começar por responder à minha doce amiga, Dulce.

Querida, eu... até ao momento, e eu sou meia "bookish", só consegui ler este de Paulo Coelho, porque será?

Será que cada livro tem algo a ver connosco???com a nossa própria vida???
A verdade absoluta, é que este livro me cativou desde a primeira página até à última.
É um livro pequeno, não assusta pelo volume, e eu garanto-lhe que EU só leio o que EU gosto, mais nada, mesmo!

Experimente, quem sabe...

Beijão

Manuela Araújo disse...

O blogue Sustentabilidade É Acção atribuiu a este blogue o prémio COMPROMETIDOS Y MAS 2009

Mara disse...

Querida Ná,

Li o teu texto do qual gostei muito.
Nele dizes uma frase que há pouco acabei de ler e que me tocou bem fundo.

"Todo o ser humano vem a este mundo tendo como certa uma boa dose de sofrimento". Não há vida sem sofrimento. Portanto, aproveitemos os bons momentos, os dias de felicidade, as alegrias, e tudo o que de bom nos acontece.

Beijos
Milai

Fernanda disse...

Queridos amigos,

Obrigada pelos vossos simpáticos comentários.

Ao Amigo João, Vitor e à minha querida Milai, muitos beijinhos.

Fernanda disse...

Amiga Manuela,

Muito obrigada por ter também distinguido o meu - Blogue Diverse Texts and Stories -.

Sinceramente, esta é a minha primeira vez, é por isso para mim uma enorme honra, uma vez que ele premeia a contribuição daqueles que se alguma forma lutam pela democracia, contra a pobreza, pela ajuda humanitária, pelo ambiente, pela liberdade, pela educação, pela justiça, pela solidariedade, ou seja, por uma sociedade melhor, conforme li no seu Blogue.

Pessoalmente, mesmo achando que fiz muito pouco para o merecer, aceito com enorme orgulho.
Tentarei seguir as instruções dadas.

Quanto ao Sempre Jovens, receberá certamente uma resposta, brevemente.

Fernanda Ferreira

Pedro Ferreira disse...

Olá Mãe,

Eu sei que é imperdoável, mas ainda não li.
Pela belíssima descrição que fizeste o livro só pode ser maravilhoso.
Prometo que o lerei assim que tenha algum tempo.

Beijinhos saudosos, muitos.

Pedro

Fernanda disse...

Olá Pedro!

Conseguiste dar uma voltinha aos posts da mãe, que fica toda babada, não é para menos.

Lê mesmo, vale a pena, o livro é pequeno e lê-se muito bem. Devora-se.

Beijinhos mil,
Mãe