18/08/2009

Uma nova forma de colonialismo.

Aparentemente, sendo um problema já muito antigo, África está a ser cada vez mais, alvo de uma forte investida das multinacionais. A pergunta que se coloca é se os africanos beneficiarão com esse facto?

Mesmo considerando que tudo tem o seu preço, e que o eventual e prometido benefício traz inconvenientes de muitas outras ordens, a verdade, por mais que doa, é de que não podemos ser fundamentalistas e deixar que os africanos continuem a morrer à fome. Uma contradição? Um dilema? Uma séria ameaça ao já tão fragilizado equilíbrio do ecosistema Mundial, sem dúvida!
Introdução baseada em troca de impressões com o colega e amigo João Soares.

Um novo e feroz colonialismo ameaça o equilíbrio já tão precário deste planeta. As principais consequências são; a injusta distribuição de riquezas, as emissões de CO2 para a atmosfera devido aos transportes, e as parcas ou mesmo nulas melhorias das condições de vida de povos que já não as têm dignas.

Embora tudo seja feito em nome de uma ajuda a estes povos, o que tudo indica é bem o contrário. O verdadeiro objectivo é o de cultivar terras para alimentar os seus próprios países, ou, muito pior, para a produção de bio-combustíveis que grandes empresas compram autênticas regiões nos países pobres de África, Ásia e América do Sul com promessas de desenvolvimento económico local, mas que, sem qualquer controlo, serão apenas modos de elas próprias enriquecerem, contribuindo para o esgotamento de recursos e desequilíbrios dos ecossistemas dos países ou regiões alvos.
Em risco ficam a alimentação dos locais, que sobreviviam do cultivo dessas mesmas terras, a integridade dos ecossistemas; pela utilização de monoculturas, pelo uso excessivo de pesticidas e fertilizantes, assim como a água, que para além do risco de poluição fica sujeita ao seu esgotamento .

Resta saber se esses povos pobres terão capacidade de luta pela sua terra e pelo seu próprio alimento se não forem devida e correctamente ajudados por organizações internacionais.
Parte de um trabalho alargado da amiga Manuela Araújo do Blogue Sustentabilidade não é Palavra é Acção.
Adaptado por
Fernanda Ferreira

6 comentários:

A. João Soares disse...

Cara Amiga Ná,

Como diz o professor de economia João César das Neves, não há almoços grátis. Mesmo os muito católicos que dão esmola ao pedinte à porta da igreja pensam em ganhar em troca a «salvação da alma».

Desde o início da humanidade, essa regra da troca de interesses tem sido uma realidade, mas dela só se fala às vezes por ondas como tudo na Natureza que se repete em movimentos sinusoidais como as estações do ano.
Agora, com o actual interesse dos EUA no desenvolvimento da África, os africanos irão ter oportunidade de receber mais benefícios. A questão está em saberem exigir justiça na distribuição dos interesses, entre os empresários estrangeiro e os habitantes locais.
O problema não é fácil, pois os perigos para o futuro não entram nos balanços das empresas que apenas olham para os lucros do período em análise.

Os riscos a prazo acabam por ser o maior prejuízo das populações principalmente das gerações futuras. A desertificação é um grave perigo, na sequência da destruição do habitat das espécies hoje existentes.

Seria bom que a ONU fosse uma organização eficiente (que não é) e prestasse atenção a este problema e conseguisse maximizar os benefícios e minimizar os inconvenientes.

Um abraço
João

Vitor Chuva disse...

Olá Fernanda!

África, ou uma boa parte dela pelo menos,parece-se cada vez mais com um continente sem futuro.Sozinhos,os Africanos, parecem incapazes de dele tomar conta. Se por um lado perderam o seu modo de vida tradicional, por outro estão a anos-luz dos países mais desenvolvidos - fosso que não para de aumentar - e que deles só pretendem as riquezas que possuem. Se a isto juntarmos alguns dirigentes políticos dispostos a deixarem-se corromper, sacrificando os interesses das populações em geral, não é fácil imaginar como a sua situação possa melhorar, infelizmente.O que quer que possa vir a acontecer em muitos países africanos pouco terá a ver com a vontade destes, mas sim com interesses de outros, que não eles; quem se apresenta de "mão estendida" não está em condições de poder escolher a "esmola"...

Um Beijinho.

Vitor Chuva

Fernanda disse...

Amigo João,

Perfeita a sua análise.
O meu falecido irmão diria "que não há pão para tolos". É preciso ter a noção exacta de que ninguém dá nada sem receber, mas explorar assim é um ultraje, é inconcebível, e se ONU nada ou pouco faz, há que dizê-lo também.

Como diz, a questão está em saberem exigir justiça na distribuição dos interesses e principalmente nos riscos a curto prazo que acabarão por aumentar a desertificação e na alteração irrecuperável do habitat e das espécies hoje existentes.

Acha que alguém deve cruzar os braços e simplesmente deixar que isso aconteça???

Obrigada pelo fabuloso comentário.

Beijo
Fernanda

Fernanda disse...

Amigo Vitor,

Verdade, sem dúvida...mas se os Africanos e não só, estão a anos luz do progresso, da prosperidade, também até nós tivemos responsabilidade nisso, colonizando-os, escravizando-os, privando-os do ensino.
Depois, em muitos destes países, os desastres ecológicos são demasiados constantes. No fundo muita coisa tem concorrido para que eles se encontrem nesta situação e pouco do atraso em que se encontram é da sua própria responsabilidade.

Agora, sinceramente, não podemos assistir calados ao que está a acontecer, se eles sozinhos não conseguem, tem que haver intervenção da ONU, e se os seus dirigentes são corruptos (o que é efectivamente evidente), esperemos que o povo abra os olhos e os deponha.

Obrigada pelo excelente comentário.

Beijinho
Fernanda

Manuela Araújo disse...

Cara Fernanda

Aqui estou, mas já tinha visto o seu "post" antes. Obrigada por ter divulgado este assunto e por ter melhorado o texto.

Bem haja

Fernanda disse...

Olá Manuela,

Obrigada por ter comentado o seu próprio trabalho.
Para mim era muito importante, uma vez que eu o cortei e alterei. Gostei de ouvir que o aprova.
Obrigada ainda pelos elogios no Diverse Texts and Stories.

Beijinhos