08/08/2009

Faça-se um cerco aos ladrões

Estranho costume o daquele
Que faz do "meu", o "seu" também.
Sem ter respeito ou pudor,
Vai aumentando o que é dele,
Sem a ética que convém.
Para eles, sem excepções,
Esta é a vida melhor.
E, nesta luta de bens,
A condição dos ladrões,
Passa de mal a pior.

Há três tipos de rapinas,
Que o desonesto consome:
Uns só roubam por doença,
Outros por serem sovinas,
Outros roubam pela fome.
Por doença, há que curá-la
Com um método eficaz.
Por ganância, há que vencê-la.
Pela fome, há que matá-la,
Senão, não se vive em Paz.

À mistura com a rapina,
Há mais formas de conduta,
Que incomodam tanta gente,
Que a exalta e amotina
E a faz partir p'rá luta.
Nesta guerra imaterial,
Há que pegar pela ponta,
Começando pelo imbecil
Que, indiferente à moral,
Alimenta o faz de conta.

Com discursos de fachada,
Sem nada a ver com o que sentem,
Deixam muitos convencidos,
Que a razão, arquictetada,
Está do lado dos que mentem.
Mas há outros, aos milhões,
Que vivem em sintonia,
Que querem fazer um cerco
A esta corja de ladrões,
Que cresce dia, após dia.

Maria Letra

7 comentários:

Fernanda disse...

Amiga Mizita,

Poema forte, que mostra claramente a forte indignação que sente
Parabéns

Beijo

A. João Soares disse...

Cara Mizita,
Nesta completa definição cabem todos os tipos de ladrão.
E como usam de violência recordo um Cartoon publicado no DN há uns meses. Pai e filho sentados num sofá frente à TV, o pai vento o jornal de charuto na mão o filho olhando a TV e empunhando uma caneca de cerveja.
Diz o jovem: Pai decidi alinhar na criminalidade violenta.
O pai, talvez distraidamente: privada ou do Estado?
Na bela poesia da Mizita há lugar para uma e outra destas qualidades de ladrões.

Um abraço
João

Vitor Chuva disse...

Olá Mizita!

Pertinente e acertado diagnóstico , este que faz em forma de verso, do país em que vivemos, e que essa gentalha certamente não apreciaria,caso o lesse.

Como diz,eles são bem o exemplo dos arquitectos da fraude; as leis que têm vindo a construir ao longo dos últimos anos, conseguiram a "proeza notável" de ter transformado a imoralidade em lei, e de forma tão segura o fizeram que a "justiça", que supostamente a todos julga por igual, a eles nunca lhe "cai em cima"

Um abraço.

Vitor Chuva

Maria Letra disse...

Obrigada, amigos, pelos vossos comentários.
Esperemos só que, devagar, devagarinho e como que por magia ... acabemos por entregar a "tal carta a Garcia" ...
Uma boa semana.
Maria Letra

Fernando Teixeira disse...

Olá. Não percebo de quadras ou poemas, talves por não estar habituado a ler. Tenho a impressão que não gosto, até que me apareça uns, Poemas que me encham a alma. Mas, depois de ler o ser Poema ou (já não sei), acho que se enquadra perfeitamente nos dias de hoje.
Aos politicos, aos homens e mulheres que matam e roubam e dizem que está tudo bem. Mas que chatice, está como?

Maria Letra disse...

Achei graça ao seu comentário, Fernando Teixeira. O autor do blogue "Espaço Solto", que refere lá Fernado Pessoa com um lindo texto, não gosta de poesia? Há aqui qualquer coisa que me falha.
De qualquer forma, obrigada por ter lido e ... volte sempre jovem, para poder ir lendo e compreendendo o que outros sempre jovens escrevem. Ficamos felizes.
Maria Letra

Mara disse...

Querida Mizita,

Inacreditavelmente, só hoje consegui ler este teu poema. Quanto mais poemas teus eu leio, mais impressionada fico com a tua enorme capacidade na arte de versejar. E não só! Outras enormes capacidades tuas tenho vindo a descobrir graças à tua entrada neste blogue que todos nós tanto admiramos e que nos faz sentir orgulhosos por podermos fazer parte dum espaço tão digno. E isso se deve a quem? Tu sabes...
Devias colocar uma das tuas pinturas para comprovar o que digo atrás.
Tens toda a minha admiração, a mesma que sinto pela Ana Martins, pessoa que ambas muito admiramos.
Gostaria de mencionar mais nomes, porque os há, mas o tamanho do comentário excederia o tamanho aconselhável para um comentário.

Recebe a minha admiração
e a minha amizade.

Beijos
Milai