22/08/2009

Eu vim para ficar

Conforme prometido à nova colaboradora Maria José Areal, ausente do país e em férias, como ela própria oportunamente avisou, estou aqui para publicar, de minha livre escolha, este poema de sua autoria, por achar o seu título sugestivo neste dia.
Espero que ela aprove a escolha e que vos agrade.


















Eu vim para ficar
não se vão ver livres de mim!
Encharco os cantos da alma
com a água desta fraga,
amanho as leiras do corpo
com perfume a rosmaninho,
percorro de mansinho
os regos da epiderme
que recortam e bordejam
a textura que me cobre e me encobre
do tempo que passou por mim.
Mas, eu vim para ficar
não se vão ver livres de mim.
Mesmo que a lua não apareça
e tenha hipotecado o luar,
mesmo atirada para um canto
sem cantos e sem lamentos,
avançarei para dentro de mim
com a força de trovão
e a vontade da madrugada.

Eu vim para ficar
e não se vão ver livres de mim!

Do livro "Sabor a Sal e a Mel" de Maio de 2006.
Um beijinho de parabéns para todos em seu nome.


5 comentários:

A. João Soares disse...

Cara Ná e Cara Maria José,

Isto é uma grande ameaça! Imagine que no poema da Milai, o Sol do entardecer diz isso á Lua, não a deixando brilhar, nem aos mortais dormirem no escuro!!!
Estou a brincar como bem sabem os que me conhecem. Deste espaço não se expulsa ninguém, não há ordens de despejo. Alguns já pediram para ser eliminados, mas o deferimento do pedido foi diferido e eles depois reconsideraram e continuam de boa saúde.
Afinal devemos compreender que o autor é livre de usar o seu direito de publicar, de aproveitar o direito que lhe é dado de ver os seus trabalhos expostos à apreciação do mundo, aqui na companhia de gente boa.
Espero que para o ano a Maria José faça como a Mariazita que levou o post guardado numa pen e foi a um cibercafé fazer a postagem, para se mostrar mais solidária com a equipa!!!
Tudo está bem quando acaba bem:

Abraços
João

Fernanda disse...

Amigo João,

Também pensei no poema da Milai e no que ela poderá dizer..ahaha!

Em relação à Maria José, ela estava exausta, a precisar de descanso total, não a critico e sei que o João também não.

Sabe que quando vou de férias não há laptops, nem pens nem nada???!!!
Verdade, o José nem me deixa chegar perto de um computador, e houve um ano que nem televisão víamos, só rádio, porque eu sem música morria.

Agora diga-me por favor, onde vai buscar essa energia toda??? eu já estou cansada de comentar.
Sei que como bom anfitrião hoje tem que fazer as honras da casa, mas eu se calhar só acabo lá para a semana.

Grande festa!!! Parabéns!!!

Beijão amigo.

A. João Soares disse...

Amiga Ná,

Só vou responder à sua pergunta acerca da energia. Não recorro a excitantes químicos nem naturais. Isto é fruto de uma ginástica mental uma higiene de pensamento que me torna fácil aquilo que para muita gente é demorado e difícil. Aos 31 anos fiz um curso de pós-graduação, com duração de três anos seguidos de um ano de estágio, em que dizíamos que ficaríamos a «saber nada de tudo», ao contrário do especialista que «sabe tudo de nada». Um mestre disse um dia que o que era preciso era sabermos dialogar com qualquer especialista de qualquer sector. Foi uma vida a alinhar as ideias para ter respostas sensatas e rápidas, que seriam postas à prova com os especialistas.
A aplicação disso nos blogues traduz-se em ter as ideias alinhadas com racionalidade, antes de começar a escrever. Depois de começar é dar rédea larga ao raciocínio, que poderá vir a dar um resultado final ligeiramente diferente do previsto, mas sai sempre com lógica.
Isto não é um auto-elogio, mas apenas uma comunicação de alguma experiência, um pouco de didáctica...

Beijos
João

Vitor Chuva disse...

Olá Fernanda!

Escolha acertada a tua, já que errar seria certamente difícil. O poema é muito bonito, e ao contrário do que parecem sugerir alguns dos versos, de ameaçador nada tem, e se tem, que a ameaça seja, então, cumprida - e que a Maria José fique connosco!

Um beijinho.

Vitor Chuva

Fernanda disse...

Olá Vitor!

Espero que sim, eu cumpri o prometido.
Esperemos que sim, que ela cumpra também o que promete no seu belíssimo poema.

Beijo
Fernanda