04/08/2009

Aquele nosso grande amor

Aquele primeiro encontro que tivemos
Quando, ainda crianças, nos beijámos,
Foi o princípio de tudo o que fizemos,
Para esconder o quanto nos amámos.
Na sombra, tant' inocente quanto pura,
Meus olhos te buscavam, sem que tu visses.
Foram anos de pena, de amargura,
Pensando que tu, por mim, nada sentisses.
No silêncio vivemos o nosso amor.
Havia entre nós os dois, uma barreira.
Tu, nada me disseste e, com temor,
Nada te disse quase uma vida inteira.
P'ra poder ver-te fiz longas caminhadas,
Em troca dum instante curto e escasso
Que compensava as noites, mal passadas,
Sem poder fechar os olhos, do cansaço.
Mas um dia, meu amor, tu confessaste,
O forte sentimento que escondias.
Tarde demais. Sofri porque não deixaste,
Que eu compreendesse porque partias.
Nunca disse a razão que, por culpa minha,
Nos manteve afastados, toda a vida.
Hoje és a minha estrela que, sózinha,
Me conduz, silenciosa, na descida.
Vivemos um amor grande e profundo.
Que guardei, tal como tu, no coração.
Mas partiste para sempre deste mundo
Sem que eu pudesse, amor, pedir perdão.

Maria Letra

5 comentários:

Fernanda disse...

Mizita,

simplesmente lindo.
Obrigada por nos presentear com um poema sublime...embora a dor fique presente pelo menos ficou expressa em forma de desabafo.
Beijinho da amiga
Fernanda Ferreira

PS. vou alegrá-la um bocadinho. hoje vi o seu filho André na TV, a cantar claro, ele é simplesmente "gorgeous" e o poema que eles cantaram, o duo, fez-me lembrar que a autora bem podia ter sido a Mizita.

A. João Soares disse...

Amiga Mizita.
Lindo poema. Como a vida seria melhor se não fizéssemos nada de que não viéssemos a arrepender-nos. Por isso é que o anfitrião do post anterior, não guardou para mais tarde o prazer de comer bastante «grelhada misto de marisco» !!! Realmente, regras de protocolo, preconceitos coisas que se calam, mas que deviam ser ditas, escritas, gritadas, acabam por cavar a nossa infelicidade e e gerar arrependimentos e remorsos que desgastam a existência.
Como é difícil gerir a vida, a sua parte sentimental que é a mais difícil e poderá ser a mais bela.

Beijos
João

Mara disse...

Querida Mizita,

Este poema tão belo, pôs o meu coração triste. Porquê? Não sei. Só sei que fiquei triste. Quem não teve um amor na juventude? Amor esse em que cada um seguiu sua trilha. E porque não a mesma trilha? Porque o destino de cada um não deveria ser assim!

Aos pouquinhos vais tirando um poema da tua caixa de segredos. Eu sei porque também tenho a minha!

Até desconfio que já tens algum livro publicado e não dizes nada.
Anda lá, diz a verdade. Todos nós merecemos saber.

Abre a caixa e despeja tudo para nos consolarmos.

Um grande beijo de parabéns.
Milai

Vitor Chuva disse...

Olá Mizita!

Lindo e sentido poema a descrever a história de um longo desencontro. Nele se poderão rever, certamente, muitos outras pessoas a quem o destino pregou igual partida...

Parabéns.

Um abraço.

Vitor.

Maria Letra disse...

Amigos,
Obrigada pelos vossos queridos comentários. Não creio este poema mereça os elogios, mas isso é uma questão pessoal.
Não gosto de saber que um poema meu provoca tristeza em quem o lê. Ele deve ser encarado como um poema apenas, não como um gerador de sentimentos desse tipo. Sou eu quem os escreve e sou uma pessoa alegre. Não poderei dizer que sou feliz, mas posso dizer que sei tirar ilações da vida, muito positivas. Portanto, peço leiam os meus poemas sem verem neles um espelho dum estado de alma em permanente melancolia porque isso não é real.
À Ná gostaria de dizer que FOI triste, mas soube sublimar o acontecimento.
Quanto ao seu apontamento, devo confessar que não tive a oportunidade de ver o meu filho porque a RTP só transmite este tipo de programas em diferido. Mas pode ser que o veja amanhã, como aconteceu com a minha neta há dias, que acabei por ver através do Youtube.
Ao João Soares eu vou dizer o que já disse aqui no blogue, num outro comentário. Quando referi, acima, que sei tirar ilações da vida, uma delas é esta: tenho tendência para encarar um drama como um aviso de mudança ou de reflexão. Neste caso foi de reflexão e o futuro, depois disso, deu-me a lição de que carecia: não guardar para amanhã o que devo dizer já.
À Milai queria dizer que este poema saíu fresquinho da minha cabeça, depois de termos estado ao telefone - embora uma coisa NADA tenha a ver com a outra.
Ao Victor Chuva direi que foi a essas pessoas que dirigi o meu poema, porque as outras ñão o entenderão da mesma maneira..
Mais uma vez obrigada.
Um grande abraço.
Maria Letra