01/08/2009

Este mundo de loucura

Cubos e Caixas,
Barracas baixas.
Robots e Peças,
Ruas, Travessas.
Máquinas, Contas,
Cabeças tontas.
Governos, Ministros,
Rostos sinistros.
Dólares, Escudos,
Tostões miúdos.
Prisão, Tortura,
Droga, Loucura.

Um mundo cão,
Sem compaixão.
Está tudo em mim.
P'ra quando o fim?

Maria Letra
Outubro de 1982

6 comentários:

A. João Soares disse...

Querida Mizita,
Somos uma armazém sem classificação de especialidaes, onde cabe tudo, um saber nada de tudo, um amontoar de experiências e de pílulas de sabedoria.
E assim se passa a vida, a caminho dum fim em que tudo fica reduzido a pó, em que toda a sabedoria passa a ser nada.
Daí a preocupação dos sempre jovens escreverem aqui e em livros algo de si, com a esperança, talvez vã, de perpetuarem a sua memória para os mais jovens.
Um bom poema rico de pontos de reflexão. Parabéns.

Beijos
João

Fernanda disse...

Amiga Mizita,

Outubro de 1982???!!! Já lá vão uns aninhos e nada mudou, pelo contrário...estamos mal amiga, vamos de mal a pior.

Beijos

Vitor Chuva disse...

Olá Mizita!

Quadro carregado de tons escuros, este o que pinta aqui.Espero que o tempo, entretanto passado, possa ter feito algo para tornar essas cores mais claras e alegres.

Muito bonito; parabéns.

Um abraço.
Vitor

Maria Letra disse...

Obrigada amigos, pelos vossos comentários.
Coloquei a data exactamente com o fim referido pela Ná: constatarem de que nada mudou. Só os escudos partiram para dar lugar aos euros.
Estes poemas, ou mesmo textos, que por vezes escrevo carregados de 'negro', não têm nada a ver com o meu espírito alegre, positivo e com uma incomensurável carga de vontade de lutar contra o que está mal no mundo. Esta é uma realidade que pode ser confirmada por quem me conhece bem. Tenho os meus momentos de tristeza, daí nem sempre escrever linhas cheias de côr. Esses momentos são o reflexo do que sente o meu coração quando vejo injustiças sociais, julgamentos de fazer arrepiar os cabelos, em que os que prevaricam parecem estar eternamente protegidos por uma lei indiscutivelmente nem sempre a favor das vítimas, nem que essa vítima seja a nação, etc., etc., etc. Como posso não ter momentos destes, em que 'desabafo' o que me vai na alma? Claro que tenho de tê-los! Como nem sempre tenho vontade "de bater no céguinho", acabo por explodir a minha raiva à minha maneira: através da poesia.
Um beijinho a todos.
Maria Letra

Mara disse...

Querida Mizita,
Os teus poemas são sempre as tuas verdades, os teus sentimentos, o que te vai na alma e te entristece. Alivias toda a tua tristeza e raiva através da poesia. É a tua maneira de libertação de tudo o que te escurece a tua alma. Gostei e como sempre admirei.

Parabéns

Milai

Maria Letra disse...

Obrigada, Milai.
Beijinhos.
Maria Letra