03/06/2009

Matemática de mendigo. Com esta crise...

Nunca tinha pensado nisto. Vou mudar de profissão. Se um dia destes me encontrarem no semáforo, não se admirem... e já agora deixem mais de 0,10€.
Preste atenção nesta interessante pesquisa de um estagiário de Matemática:
Um sinal de trânsito mudo de estado em média a cada 30 segundos (trinta segundos no vermelho e trinta no verde). Então, a cada minuto um mendigo tem 30 segundos para facturar pelo menos € 0,10, o que numa hora dará: 60 x 0,10 = € 6,00.
Se ele trabalhar 8 horas por dia, 25 dias por mês, num mês terá facturado: 25 x 8 x 6 = € 1.200,00. Será que isso é uma conta maluca?
Bom, 6 euros por hora é uma conta bastante razoável para quem está no sinal, uma vez que, quem doa nunca dá somente 10 cêntimos e sim 20, 50 e às vezes até 1,00.
Mas, tudo bem, se ele facturar a metade: € 3,00 por hora terá € 600,00 no final do mês, que é o salário de um estagiário com carga de 35 horas semanais ou 7 horas por dia.
Ainda assim, quando ele consegue uma moeda de € 1,00 (o que não é raro), ele pode descansar tranquilo debaixo de uma árvore por mais 9 mudanças do sinal de trânsito, sem nenhum chefe para 'encher o saco' por causa disto.

Mas considerando que é apenas teoria, vamos ao mundo real.
De posse destes dados fui entrevistar uma senhora que pede esmolas, e que sempre vejo trocar seus rendimentos. Então perguntei-lhe quanto ela facturava por dia. Imagine o que ela respondeu?
É isso mesmo, de 35 a 40 euros em média o que dá (25 dias por mês) x 35 = 875 ou 25 x 40 = 1000, então na média € 937,50 e ela disse que não mendiga 8 horas por dia.

Moral da História :
É melhor ser mendigo do que estagiário (e muito menos PROFESSOR), e pelo visto, ser estagiário e professor, é pior que ser Mendigo...
Esforce-se como mendigo e ganhe mais do que um estagiário ou um professor.
Estude a vida toda e peça esmolas; é mais fácil e melhor que arranjar emprego.
Lembre-se :
Mendigo não paga 1/3 do que ganha para sustentar um bando de ladrões.
Viva a Matemática.
Que país é este?
CUIDADO QUE AINDA FALTA O RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇÃO... PAGO POR TODOS NÓS...

Recebido da amiga Anabela Assis (professora).
Fernanda Ferreira

5 comentários:

Mara disse...

Querida Ná,

Este teu texto, leva-me a pensar o que os prefossores tèem passado nestes últimos tempos para chegarem ao ponto de fazer contas para ver se ganhariam mais como mendigos. Triste vida a dos professores. Mas também triste vida a dos mendigos. Apesar de terem dinheiro nunca deixarão de serem mendigos.
É um texto interessante pela matemática que contém. E pela ideia cheia de originalidade.

Beijinhos
Milai

Luis disse...

Querida NÁ,
É verdade que há quem faça fortunas mendigando! Mas já viu que o dinheiro não é tudo na vida?
No entanto dá para pensar que tolos somos nós a trabalhar para "engordar porcos?" Triste vida a nossa....
bjos

Celle disse...

Aqui no Brasil a situação é a mesma!
Não se reconhece nem remuneram o trabalho dos professores. Eles se sentem desestimulados e maioria das vezes precisam dar aulas em vários colégios para se sustentarem e sobreviverem!

Fernanda Ferreira disse...

Amigos,

A verdade nua e crua é que há realmente professores a ganhar menos que arrumadores de carros ou pedintes, os que conseguem emprego...há muitos que estão há anos à espera de colocação e que fazem de tudo para conseguir trabalhar.
Conheço a realidade de perto, infelizmente.
Tenho um amigo, ex-colega, com dois filhos, ainda na Escola primária, que esteve dois anos a trabalhar como trolha, porque era preciso por comida na mesa e pagar a renda, etc.

A vida não está nada fácil para os trabalhadores sejam elas as profissões que forem, só está bom para quem está no poleiro e todos os da panelinha.

Beijinhos

José Manuel Costa Ferreira disse...

É verdade sim. Para além da Fernanda, que tem algumas experiências bem negativas, temos familiares professores e bastantes amigos também professores.

Sobretudo no início de carreira é um verdadeiro pesadelo. Ou se ama muito a profissão, ou a necessidade é muita, ou então mais vale pensar duas vezes.
Ser professor/a não compensa mesmo.

J.Ferreira