08/06/2009

Dê valor ao seu dinheiro

O post «cliente inteligente» faz pensar sobre a propaganda aliciadora para preferir produtos nacionais, com 560 no código de barras. Penso que o melhor conselho que contribui para uma boa gestão do nosso dinheiro e para o desenvolvimento da economia de Portugal, é darmos preferência ao produto que mais nos interessa em preço/qualidade.

Se uma indústria nacional não pode competir com a estrangeirara que tem de pagar transportes para trazer o produto até nós, algo está errado na sua forma de agir e não se deve alimentar o erro ou a incompetência, mas sim, incentivar o seu aperfeiçoamento.

Uma empresa que empregou mal os subsídios vindos da CEE para modernizar a produção a fim de poder competir com a europeia, que em vez de melhorar os equipamentos e a organização laboral, comprou casa e carros de topo de gama e fez piscinas e outros consumos de ostentação, se apenas quis enriquecer, desprezando os interesses da mão-de-obra e esperando explorar a credulidade do cliente, não deve esperar deste preferências injustificadas.

Se não conseguir organizar-se para suportar a concorrência, a única solução será mudar de ramo.

Não se deve explorar o patriotismo de cada um para o prejudicar. Cada um deve saber dar valor ao seu dinheiro e não o esbanjar. Compreendo o conselho PREFIRA PRODUTOS NACIONAIS e sigo-o, em todas as circunstâncias, em que haja iguais condições de preço/qualidade. Quando estas condições não existirem, não há lugar para preferências, mas apenas para a lógica, a racionalidade.

3 comentários:

Fernanda Ferreira disse...

Caro amigo João,

Mais claro é impossível.
Eu também defendo a teoria do que é "Nacional é Bom"... mas, como o João salienta de forma notável, temos que dar preferência ao produto que mais nos interessa tendo em conta o factor preço/qualidade.

Imagine o que acontece aqui em Cerveira, vila fronteiriça com Espanha...para além da gasolina que sempre compro em Espanha, para dois carros, ainda trago de lá um sem número produtos muito mais económicos do que em Portugal.
Acontecem coisas incríveis e que revelam bem os reais interesses dos empresários gananciosos que só pensam nos seus bolsos.
Por exemplo, as mesmas cadeias de supermercados existentes em ambos os países, apresentam preços completamente díspares. Depois estão à espera de quê???
Naturalmente que lamento não poder contribuir para a melhoria da economia nacional, mas e a nossa economia doméstica???

Obrigada pelo magnífico post.

Beijinho
Fernanda Ferreira

A. João Soares disse...

Querida Ná,
Apetecia-me dar-lhe um raspanete por preferir comprar em Espanha... Mas tenho que elogiar o seu sentido prático de gestora doméstica racional, lógica.
Se comprasse do lado de cá da fronteira, não ia beneficiar a economia nacional, não ia reduzir a diferença entre ricos e pobres, não ia reduzir a injustiça social. Antes pelo contrário, ia enriquecer uns exploradores da ingenuidade dos trabalhadores e dos clientes, que colocam nos produtos uma margem de lucro demasiado pesada e injusta, que fogem ao fisco, que vendem gato por lebre, etc.
E, muitas vezes os lucros vão para o estrangeiro porque a maior parte do capital é muitas vezes estrangeiro ou português sediado em off-shores.
Dê valor ao seu dinheiro, não se deixe enganar na sua troca por produtos que compra.
Beijos
João

Celle disse...

Olá João, concordo com seu artigo.
Por aqui procuro agir assim, importados, apenas, quando não há opções no comércio.
Beijos