20/06/2009

OS PREÇOS DA ÁGUA


DECO contra as fortes variações praticadas no preço da água entre os vários concelhos do País•
Público, 18.06.2009, José Manuel Rocha

Associação propõe que sejam harmonizadas em todo o país as estruturas tarifárias da água num movimento denominado "Água a Preço Justo"

O preço de cinco metros cúbicos de água fornecida pela rede pública tanto pode custar 0,75 euros (na Chamusca) como 8,34 euros (na Figueira da Foz). São os valores apurados pela DECO num observatório que engloba 41 municípios. A associação de defesa do consumidor exige transparência no sector e regulamentação que conduza à harmonização dos tarifários que estão a ser praticados.

A DECO, em comunicado emitido ontem, considera que as disparidades observadas nos concelhos que tem sob monitorização "são manifestamente injustas para os consumidores" e acrescenta que as diferenças apuradas não têm "qualquer tipo de justificação económico-financeira".
Os preços mais baixos de fornecimento de água encontram-se nos concelhos onde é a câmara local a gerir o serviço. É o caso do município onde se apura o valor de fundo de tabela - Chamusca. Situações idênticas ocorrem em Ponte de Lima, em Caminha, em Évora e em Vila Viçosa.

Onde o serviço foi concessionado a empresas do sector privado, o caso muda de figura: os valores são geralmente mais elevados. É o caso da Figueira da Foz, onde cinco metros cúbicos de água custam 8,34 euros (este valor inclui a componente volumétrica e a tarifa fixa mensal). Outros exemplos podem ser avançados: Mafra (7,87 euros), Tavira (6,50), Matosinhos (5,68). A média de preços apurada pela DECO para o total dos concelhos analisados é de 4,97 euros por cinco metros cúbicos.

Para além das disparidades de preços, a DECO detectou também uma enorme diversidade de escalões de contagem, que podem ir de apenas 2 (Mafra) a 18 (Castelo Branco), desconformidades na dimensão dos escalões e diferentes formas de cálculo do valor a pagar. Há municípios, diz a associação, que estes fazem com que o utente pague todo o consumo com base no custo do escalão do último metro cúbico.

A DECO propõe, num movimento que apelidou de "Água a Preço Justo", que sejam harmonizadas, em todo o país, as estruturas tarifárias de água, nomeadamente através da utilização de "um número homogéneo e racional de escalões na componente volumétrica do tarifário". A associação pretende, ainda, que seja estabelecida uma estrutura de tarifas simples e transparente, para que o consumidor fique claramente informado sobre o valor que tem de pagar.

A correcção de injustiças implica, para a DECO, o fim dos contratos que impõe, para a totalidade do consumo, o preço do escalão do último metro cúbico consumido. E a transparência determina, segundo a associação de defesa do consumidor, que as empresas que gerem os serviços publicitem a justificação dos valores cobrados. 7,59 Euros é a diferença entre o preço praticado no concelho do país que cobra a taxa mais baixa e o concelho que cobra a taxa mais alta por cada cinco metros cúbicos de água. 0,75 Euros é o valor mais baixo cobrado por cada cinco metros cúbicos de água em Portugal. Mais precisamente no concelho da Chamusca.

Nota: Na maior parte dos concelhos as Câmaras criaram empresas municipais para gerir a água, ou melhor, para garantir rendimentos adicionais aos funcionários da autarquia que se distinguem pela cor partidária, amizade ao presidente, família ou outros tipos de compromisso ou cumplicidade. E, assim, o dinheiro é «suavemente» transferido do bolso dos cidadãos para os de incompetentes que, para sobreviverem, têm de sugar os dinheiros públicos, com a cumplicidade de autarcas eleitos. Por isso eles se esforçam tanto nas campanhas eleitorais para obterem os votos suficientes para subirem ao poleiro de onde dominam o negócio. Isto é facilmente concluído de uma observação mesmo que pouco atenta.
A João Soares

4 comentários:

Fernanda Ferreira disse...

Amigo João,

Já me tinha passado o texto pelas mãos e eu estava a par da situação escabrosa...só mais uma.

Agora, e ainda em relação à água, as Câmaras estão a exigir que todos os proprietários de poços, furos, presas se água e até direitos à água de rega sejam declarados para sermos taxados brevemente.
Assim , eu por exemplo que tenho um poço pelo qual paguei(e não foi pouco) para economizar nos custos da água, vou ter que pagar mais uma taxa????...
Ainda porque o meu terreno tem direito a água de rega, água essa que vem de uma mina e que beneficia três proprietários, também tem que ser declarada, para quê???
Quando compramos o lugar essa foi uma mais valia que pesou no custo do mesmo.
Francamente...mais roubalheira.

Obrigada pelo post, verdadeiramente de extremo interesse e valor para a informação pública.

Beijinhos
Fernanda Ferreira

A. João Soares disse...

Querida Ná,
Quem publicou isto foi o Luís, que recebeu por e-mail enviado para muitas dezenas de destinatários.
Sobre este tema e com base neste artigo do Público fiz um pequeno post publicado em Do Miradouro e em Do Mirante, em que procuro ser mais incisivo e conciso, sem entrar em muitos pormenores. As câmaras como tudo em que predomina a baixa política não gerem racionalmente o dinheiro público, colocando acima de tudo o benefício para a «corte».
O povo apenas conta para lhes dar o voto, e que lhes dá apesar de eles não serem merecedores. É altura de abrir os olhos, principalmente, nos próximos meses que só voltarão daqui a quatro anos.Depois não se queixem!!!

Abraços
João

Luis disse...

Queridos Amigos,
Porque achei interessante divulgá-lo o fiz desta forma que me pareceu vir ao encontro dos temas que aqui colocamos. Como viram tive o cuidado de referir a autoria do artigo e da nota que mereceu e muito bem do João.
Estes alertas não são demais...
Um abraço amigo aos dois.

A. João Soares disse...

Caros Luís e Ná,

Fica-nos a dúvida (ou certeza?) de quem quiseram as Câmaras beneficiar com a concessão da água a empresas ditas privadas.

O artigo do Público mostra que a intenção não foi o benefício do povo consumidor, pelo menos o resultado não abona em seu favor.

Pensemos então quantos administradores tem cada empresa. Quanto gasta a empresa com os componentes dos órgãos de Direcção e Administração? E quem são esses «figurões»? Qual o parentesco ou afinidade desses elementos com actuais ou passados Autarcas? Como foram escolhidos para tais cargos: concurso público ou nomeação por «confiança política»?

Se estamos em democracia, é legítimo fazer estas perguntas e esperar resposta. Mas alguém a dará?
E o povo continua a dar-lhes o voto?

É um assunto que merece muita meditação neste período que antecede as eleições autárquicas!!!

Abraços
João