09/04/2010

Elogio da simplicidade

A felicidade não é prémio para um esforço, um sacrifício, permanente. Não se consegue com o sofrimento voluntário e masoquista em prejuízo do momento presente. Pelo contrário, é o cabal aproveitamento do «agora». É muitas vezes companheira da carência de bens materiais, da simplicidade de vida, em que se dá valor a pequenas maravilhas da natureza, das ideias, do pensamento positivo, e daquilo que se aprende com a experiência e com os contactos com os outros.

Os exemplos disto aparecem a cada momento, assim estejamos sintonizados para os recebermos e descodificarmos. Há dias surgiu o post «Vida de executiva de sucesso» que colocava em evidência o stress e a vida infernal de uma executiva de sucesso. Antes tinha sido aqui publicado o post «Dinheiro não dá felicidade» com referência ao artigo «Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro» e, há mais tempo, os dois posts «Quem sou?» e «Um dia como os outros», todos evidenciando a beleza da vida simples sem consumismo nem ostentação, em permanente aprendizagem dos reais valores da vida.

Hoje surge o artigo do jornal de notícias que se transcreve para que os leitores o possam apreciar aqui sempre que desejarem

Nómadas modernos
Jornal de Notícias 09-04-2010. Por Glória Lopes

A história de... Boss, Kaz e Cherry
Família inglesa vendeu casa e carro e anda num autocarro a percorrer a Europa

Há quem lhes diga que são loucos e os olhe de lado, mas Boss (Jim), Kaz e Cherry, um casal de ingleses e a filha, vêem-se como "os nómadas dos tempos modernos" e consideram que trocar uma habitação de cimento, em Inglaterra, por um lar num autocarro transformado em casa que permite viajar por toda a Europa, é uma forma romântica de encarar a vida.

Em 2008, a família deixou tudo para trás em Norwich (Inglaterra). Vendeu casa e carro e, na companhia de dois cães, mais três que recolheram pelo caminho, fizeram-se à estrada para "uma jornada guiados pelos poder do sol e do biodisel" na Boudicca, o nome da casa/autocarro, através do qual prestam homenagem à antiga rainha celta da Vitória que viveu em Norfolk, contaram, ao "Jornal de Notícias", em pleno parque de estacionamento de um supermercado, em Bragança, onde foram fazer compras, pois os nómadas também comem, mesmo que vivam sob o poder e a influência da natureza.

Ex-bancária e ex-motorista

Kaz trabalhava num banco, Boss era motorista de pesados, Cherry, a filha, era estudante, mas estavam insatisfeitos com a vida de todos os dias. A morte da mãe de Kaz levou-os a tomar a decisão de embarcar nesta aventura sobre rodas. "Era agora ou nunca. Precisávamos de partir e o tempo estava a passar. Tomámos a decisão. Optámos pelo autocarro porque, como é grande, serve de casa, temos tudo, até um duche e máquina de lavar", contou Kaz.

Esta exploração por terras europeias já os levou à Republica Checa, nomeadamente a Praga, à Transilvânia e a várias cidades de Espanha. Há mais de um mês que estão em Portugal e garantem que estão a adorar. "O clima é ameno, até é quente se comparado com o de Inglaterra, as pessoas são muito simpáticas", acrescentou.

Para já estão estacionados em Rabal, uma aldeia do Parque de Montesinho, e estão a considerar ficar por lá uns tempos. "Temos sido muito bem tratados pelos habitantes", justificou. Não é uma paragem para sempre, porque a seguir vão para a Roménia e a Bulgária.

A filha não vai à escola, mas tem lições dadas pelos pais: "É uma forma de aprender mais enriquecedora porque viaja e tem muitas experiências, conhece pessoas e aprende línguas", disse, ainda, o patriarca.

7 comentários:

Luis disse...

Caro João,
Não sei se sabes mas já fui campista e portanto apreciei o tal "Nomadismo Romântico" de que se fala no post e no teu comentário! Depois vieram os filhos e tornou-se mais difícil mante-lo. Em substituição acabei por arranjar a caseta no Alentejo e o romântismo passou a ser outro... mas acredita que tenho pena!!!
É de facto algo muito interessante fazer passeios sem rumo e ao sabor do tempo...
Um forte abraço.

A. João Soares disse...

Caro Luís,

Aqui não se trata de fazer campismo nas férias, mas de viver nesse regime em permanência. E o post vai mais longe, como verás se abrires os links, em que se demonstra ser possível viver sem dinheiro, em que o milionário austríaco Karl Rabeder desfez-se de toda a fortuna para passar a ter uma vida simples de pobre.
Este post merece ser lido com muita atenção, incluindo os posts linkados. A vida actual eivada do consumismo e da ostentação tem o dinheiro como um Deus que tudo pode, tudo resolve, tudo salva. As pessoas são avaliadas não pelo que são intrinsecamente, mas pelo que mostram ter (carro, telemóvel, roupas).

Um abraço
João

Luis disse...

Caro João,
Nessa altura o meu campismo não era de férias pois já tinha "todo o tempo do mundo" e andava errando pelo País com a minha mulher e enquanto os filhos eram pequenos eles também nos acompanhavam. Foi assim que conheci muito do Portugal esse desconhecido! Mas claro nada de semelhante ao caso apontado no teu post.
Um abraço amigo.

Celle disse...

MEU CARO jOÃO
ESSA VIDA NÔMADE NÃO ME FACINA.
É muito interessante para aventureiros e para quem tem muito dinheiro, pois só irão gastar, sem trabalho e renda mensal, um dia o dinheiro acaba...
Não resta duvida que não se tem que pagar aluguel, nem agua nem luz, nem dar manutenção no telhado nem na pintura da casa e realmente se vive muito bem em contato com a natureza. Em viagens se aprende e se adquire muitos conhecimentos, aprende várias linguas, e se vive sem estresse e preocupações carregando a casa nas costas, numa boa, mas, não se vive apenas de conhecimentos, de passeios e da natureza. Como dar manutenção no
moto-home, e o combustível, etc.
È uma vida muito dispendiosa, funciona bem numa férias, num passeio, ou por algum tempo, como fez nosso amigo Luis.
Não aguentaria!
Tenho uma irmã que juntamente com o marido e os filhos, viveram vida semelhante, a esta vida de aventuras,inicialmente com barracas de camping, depois de algum tempo compraram um trailler, logo ficou pequeno, a familia cresceu, compraram um "moto-home" pequeno e tiveram mais conforto, por fim, como gostavam muito compraram e montaram um grande (moto-home), num chassis de ônibus, o projeto foi de minha filha arquiteta e ele, meu cunhado, executou todas as obras, desde a montagem até a decoração, ficou um espetáculo, era uma atração a casa, onde estacionavam! Com a familia e com amigos,passearam e conheceram todo nosso país, que é quase um continente, dessa maneira. Mas, saíam sempre nas "férias de janeiro".
Cada viagem seguiam numa direção, uma região, ficavam um dia numa cidade, noutra três ou quatro, demorando mais, naquela que gostassem mais.
Os filhos cresceram, casaram, tiveram filhos, e suas férias não eram mais compatíveis. Tornou-se dificil viajar em familia. Só o casal era cansativo e sem graça, levar motorista lhes tirava a liberdade e com muito pesar tiveram que vende-lo.Como na vida tudo passa, hoje minha irmã caçula está viuva mas, possui lindas recordações daquela época...
Beijos
Celle

A. João Soares disse...

Querida Celle,

Gostos não se discutem, e cada um dispõe das suas energias como mais lhe agrada.
Pelas suas palavras, parece não ter aberto os links e são eles que mais interessam pelo que foram colocados no início do post.
É curioso o caso do milionário austríaco Karl Rabeder que se desfez de toda a fortuna para passar a ter uma vida simples, de pobre. E o economista Mark Boyle demonstra ser possível viver sem dinheiro, essa invenção diabólica que tornou a vida humana num inferno.

Beijos
João

Fernanda disse...

Querido amigo João,

Que encanto ler este texto, entrar em todos os links e ver como, de certa forma, sempre estivemos de acordo com vidas simples e diferentes.

O conceito arreigado de que só se vive bem nas cidades está totalmente errado, eu sei... a minha família fez essa opção de vida.
Pelo José, já teríamos vendido a casa e comprado um barco, partido e estaríamos por aí a percorrer o Mundo, mas nem sei nadar :))), e embora o mar me atraia muito e adore viajar (coisa que quase não faço), acho que preferia a opção dos Cherry.

Acredito que a razão pela qual as pessoas, em tempos de férias, estejam tão ávidas de sair de suas casas e partir para outro local, passa por essa necessidade, de conhecer e de liberdade.

Adorei!
Parabéns ao casal Cherry.
Beijinhos e parabéns para si.

A. João Soares disse...

Querida Amiga Ná,

Muito obrigado pelas suas palavras de apreço por este realce dado aos sinais de viragem na vida actual que, arrastada pela tecnologia, tem colocado algemas nos seres humanos, cada vez mais presos no consumismo, na ostentação, em concorrência desenfreada com os vizinhos.

Beijos
João