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11/03/2013

Alemã vive sem dinheiro há 17 anos




Veja o texto da notícia aqui

"Para alguns sou uma provocação, para outros sou uma resposta", diz Heidemarie.

Heidemarie Schwermer vivia confortavelmente. Tinha dois carros estacionados à porta. Um emprego como professora, outro como psicóloga. Dois filhos criados. A vida perfeita para muitos. Mas não para esta alemã: concluiu que "vivia dominada pelo ter e não pelo ser". E renunciou a tudo.

Aos 53 anos, vendeu os carros e o apartamento e encerrou as contas bancárias. O dinheiro foi distribuído pelos filhos e por aqueles que considerou necessitados. Deu os móveis, os objetos pessoais e as roupas aos amigos e aos vizinhos. Desfez-se de bens materiais.

Em 17 anos de vida sem casa, nem emprego, nem dinheiro, não teve o que comer durante um dia e meio e dormiu algumas noites no Centro Cultural Wissenschaftsladen de Dortmund, que nunca lhe fechou as portas.

A experiência tem, em suma, corrido bem, sustentada pela filosofia de "troca por troca". Heidemarie troca roupas, noites, refeições em casa de amigos por serviços como tomar conta dos filhos, cozinhar ou passear os cães. Ou, simplesmente, usufrui da generosidade alheia. Já aconteceu ganhar bilhetes para a ópera por ter atuado como terapeuta num conflito familiar.

O modo de vida é admirado pelos filhos, amigos e pelos que questionam a economia atual, mas não escapou das críticas dos que consideram a sua escolha "conveniente". A história foi dissecada em dezenas de programas de televisão e foi já transformada num filme, que suscitou particular interesse nos Estados Unidos da América, na Grécia, em Itália e Espanha.

"Comecei isto devido à situação do mundo. Parece-me injusto que haja gente de morra de fome, enquanto nós deitamos comida fora. Eu tinha uma vida confortável, mas senti necessidade de fazer algo diferente", contou ao jornal espanhol "El Mundo".

Para Heidemarie, a crise financeira está a atrair mais pessoas para um modo de vida baseado numa "economia partilhada, à margem da economia oficial" e, por isso, são cada vez menos os que estranham a sua opção e procuram perceber "que tipo de vida querem afinal".

27/04/2012

Simplicidade



Cada semana, uma novidade.      
A última,  foi que pizza previne câncer do esófago. 
 Acho a maior graça.
Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas, peraí , não exagere…
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal prá minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro, faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas, depois, rejuvenesço uns cinco anos!
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de ideias !
Brigar,me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez,me embrulha o estômago !
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro,me faz perder toda a fé no ser humano…
E telejornais…    
Os médicos deveriam proibir… 
como doem !
Caminhar faz bem, namorar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã, arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite,isso sim,é prejudicial à saúde.
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas,pior ainda.
Não pedir perdão pelas nossas mancadas, dá câncer, guardar mágoas, ser pessimista, preconceituoso ou falso moralista, não há tomate ou muzzarela que previna !
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo,não ter ninguém atrapalhando sua visão,nenhum celular tocando e o filme ser espectacular, uau !
Cinema é melhor prá saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é o melhor de tudo e muito melhor do que nada !       
                         
        Luís Fernando Veríssimo

07/02/2011

Gestão moderna é o inferno


Já há muito me tinha passado pelo Outlook este texto. Mas agora voltou e julgo não dever deixá-lo fugir. Eis esta maravilha, que me faz recordar, pelo contraste, o já antigo post «Quem sou?»


A morte da executiva bem-sucedida


Foi tudo muito rápido. A “executiva bem-sucedida” sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou-se. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.

Ainda meio tonta, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava a acontecer, a “executiva bem-sucedida” abordou um dos passantes:
- Enfermeiro, eu preciso voltar com urgência para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque o meu seguro de saúde é Platina, e isto aqui está a parecer-me mais a urgência dum Hospital público. Onde é que nós estamos?
- No céu.
- No céu?...
- É.
- O céu, CÉU...?! Aquele com querubins, anjinhos e coisas assim?
- Exacto! Aqui vivemos todos em estado de graça permanente.
Apesar das óbvias evidências, ausência de poluição, toda a gente a sorrir, ninguém a usar telemóvel, a “executiva bem-sucedida” levou tempo a admitir que havia mesmo batido a bota.
Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana iria receber o bónus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.
E foi aí que o interlocutor sugeriu:
- Talvez seja melhor a senhora conversar com Pedro, o coordenador.
- É?! E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária? 
- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.
 - Assim? (...) 
- Quem me chama?
A “executiva bem-sucedida” quase desabava da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.
Mas, a executiva tinha feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu logo:
- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma “executiva bem-sucedida” e...
- Executiva... Que palavra estranha. De que século veio?
- Do XXI. O distinto vai dizer-me que não conhece o termo 'executiva'?
- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.
Foi então que a “executiva bem-sucedida” teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.
- Sabe, meu caro Pedro. Se me permite, gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para essa gente toda aí, só na palheta e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistémica.
- É mesmo?
- Pode acreditar, porque tenho PHD em reorganização. Por exemplo, não vejo ninguém usando identificação. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?
- Ah, não sabemos.
- Percebeu? Sem controlo, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar em anarquia. Mas podemos resolver isso num instante implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.
- Que interessante...
- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.
- !!!...???...!!!...???...!!!
- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Accionista... Ele existe, certo?
- Sobre todas as coisas.
- Óptimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, parece-me extremamente atractivo.
- Incrível!
- É óbvio que, para conseguir tudo isso, teremos de nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias da praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho a certeza de que vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar num Turnaround radical.
- Impressionante!
- Isso significa que podemos partir para a implementação?
- Não. Significa que a senhora terá um futuro brilhante... se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque acaba de descrever, exactamente, como funciona o Inferno... 

Max Gehringer
(Revista Exame) 

Imagem da Net

10/04/2010

Simplicidade na vida

O post recente «Elogio da simplicidade» é realmente polémico, pois confronta a realidade actual em que o consumismo, a ostentação de poder e de riqueza, a concorrência disputada ao milímetro, o apego ao lucro por qualquer meio, convencem muita gente de que essa é a única forma de vida possível.

Ora, esse post apontava para outros critérios menos stressantes, mais naturais e saudáveis, mais enriquecedores da pessoa como um binómio de aspectos materiais e de ideias e sentimentos, com preponderância para a parte espiritual. É certo que o exemplo do casal inglês Jim Boss Kaz e Cherry exige uma base monetária para suportar as despesas, a não ser que desenvolvam actividade produtiva, sempre possível através da Internet. O mesmo se aplica ao ex-milionário austríaco Karl Rabeder.

Porém, o exemplo do economista irlandês Mark Boyle espelha o que se passa no nosso Alentejo com vários casais estrangeiros que cultivam o seu pequeno monte para produzirem o necessário para viver sem carências, nos fins de semana partem para as praias algarvias, dispõem do computador para as relações com o mundo e vivem sem a azáfama da vida moderna. Um inglês arroteou o terreno que adquiriu na encosta algarvia, deu todas as comodidades à casa rústica, fez um furo para obter água, preparou socalcos na encosta onde cultiva flores e, passado pouco tempo, fez um contrato com a TAP para transportar regularmente de Faro para Londres um carregamento de flores para os floristas londrinos.

Um outro caso concreto, um alemão que leva uma vida do estilo descrito no post «Um dia como os outros», em aparente ociosidade, cultiva ervas aromáticas que vende anualmente para um laboratório de perfumes na Alemanha.

E que dizer das potencialidades do exemplo descrito em «Quem sou?». Em vez de pastor pode passear pela serra ou ir mais longe, sem problemas de horário e, em casa, através da Internet, fazer trabalhos de consultoria, de contabilidade para empresas, de tradução, de ensino e explicações, etc. Conheço pessoas que, na cidade, se dedicam a tais tarefas, que poderiam ser realizadas em ambiente despoluído, sem barulhos nem perturbações urbanas inevitáveis e sem a fadiga da corrida e da concorrência próprias das actividades de quem vive na cidade. Mas estas actividades se forem além do necessário para viver, já deturpam o espírito dos exemplos anteriores.

Espero que estes elementos esclareçam melhor o conceito de vida simples e acendam a polémica de que a colega Celle gosta e sabe alimentar.

09/04/2010

Elogio da simplicidade

A felicidade não é prémio para um esforço, um sacrifício, permanente. Não se consegue com o sofrimento voluntário e masoquista em prejuízo do momento presente. Pelo contrário, é o cabal aproveitamento do «agora». É muitas vezes companheira da carência de bens materiais, da simplicidade de vida, em que se dá valor a pequenas maravilhas da natureza, das ideias, do pensamento positivo, e daquilo que se aprende com a experiência e com os contactos com os outros.

Os exemplos disto aparecem a cada momento, assim estejamos sintonizados para os recebermos e descodificarmos. Há dias surgiu o post «Vida de executiva de sucesso» que colocava em evidência o stress e a vida infernal de uma executiva de sucesso. Antes tinha sido aqui publicado o post «Dinheiro não dá felicidade» com referência ao artigo «Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro» e, há mais tempo, os dois posts «Quem sou?» e «Um dia como os outros», todos evidenciando a beleza da vida simples sem consumismo nem ostentação, em permanente aprendizagem dos reais valores da vida.

Hoje surge o artigo do jornal de notícias que se transcreve para que os leitores o possam apreciar aqui sempre que desejarem

Nómadas modernos
Jornal de Notícias 09-04-2010. Por Glória Lopes

A história de... Boss, Kaz e Cherry
Família inglesa vendeu casa e carro e anda num autocarro a percorrer a Europa

Há quem lhes diga que são loucos e os olhe de lado, mas Boss (Jim), Kaz e Cherry, um casal de ingleses e a filha, vêem-se como "os nómadas dos tempos modernos" e consideram que trocar uma habitação de cimento, em Inglaterra, por um lar num autocarro transformado em casa que permite viajar por toda a Europa, é uma forma romântica de encarar a vida.

Em 2008, a família deixou tudo para trás em Norwich (Inglaterra). Vendeu casa e carro e, na companhia de dois cães, mais três que recolheram pelo caminho, fizeram-se à estrada para "uma jornada guiados pelos poder do sol e do biodisel" na Boudicca, o nome da casa/autocarro, através do qual prestam homenagem à antiga rainha celta da Vitória que viveu em Norfolk, contaram, ao "Jornal de Notícias", em pleno parque de estacionamento de um supermercado, em Bragança, onde foram fazer compras, pois os nómadas também comem, mesmo que vivam sob o poder e a influência da natureza.

Ex-bancária e ex-motorista

Kaz trabalhava num banco, Boss era motorista de pesados, Cherry, a filha, era estudante, mas estavam insatisfeitos com a vida de todos os dias. A morte da mãe de Kaz levou-os a tomar a decisão de embarcar nesta aventura sobre rodas. "Era agora ou nunca. Precisávamos de partir e o tempo estava a passar. Tomámos a decisão. Optámos pelo autocarro porque, como é grande, serve de casa, temos tudo, até um duche e máquina de lavar", contou Kaz.

Esta exploração por terras europeias já os levou à Republica Checa, nomeadamente a Praga, à Transilvânia e a várias cidades de Espanha. Há mais de um mês que estão em Portugal e garantem que estão a adorar. "O clima é ameno, até é quente se comparado com o de Inglaterra, as pessoas são muito simpáticas", acrescentou.

Para já estão estacionados em Rabal, uma aldeia do Parque de Montesinho, e estão a considerar ficar por lá uns tempos. "Temos sido muito bem tratados pelos habitantes", justificou. Não é uma paragem para sempre, porque a seguir vão para a Roménia e a Bulgária.

A filha não vai à escola, mas tem lições dadas pelos pais: "É uma forma de aprender mais enriquecedora porque viaja e tem muitas experiências, conhece pessoas e aprende línguas", disse, ainda, o patriarca.

08/04/2010

Vida de executiva de sucesso

Transcrição de um texto recebido por e-mail que convém ler até ao fim

Uma executiva de sucesso bem-sucedida em acção

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.

Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo cândidas túnicas e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convénio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?...

- É.

- Tipo assim... o céu, CÉU...! Aquele com querubins voando e coisas do género?

- Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular, a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que havia mesmo apitado na curva.

Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bónus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.

E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o sindico.

- É? E como é que marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

- Assim? (...)

- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.

Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...

- Executiva... Que palavra estranha. De que século você veio?

- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo 'executiva'?

- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

- Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistémica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho, implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.

- Que interessante...

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- !!!...???...!!!...???...!!!

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Accionista... Ele existe, certo?

- Sobre todas as coisas.

- Óptimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, me parece extremamente atractivo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um Turnaround radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?

- Não. Significa que você terá um futuro brilhante... se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exactamente, como funciona o Inferno...

Max Gehringer
(Revista Exame)

23/10/2009

Ser Feliz

A felicidade tem origem em coisas simples, como pretexto, porque ela na realidade reside dentro de nós, na nossa mentalidade perante aquilo que nos cerca.

01/10/2008

Ser feliz resulta da inteligência prática

Não me julguem petulante ao ponto de querer dar-vos conselhos! Encontrei este lindo texto num anexo em Power Point que achei maravilhoso e quis partilhar convosco. Aplica-se a todas as idades, não é só para idosos, como eu !!!

Dona Maria era uma senhora de 92 anos, elegante, bem vestida e penteada. Estava de mudança para uma casa de repouso pois o marido com quem vivera 70 anos, havia morrido e ela ficara só.

Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando uma atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. A caminho da sua nova morada, a atendente ia descrevendo o minúsculo quartinho, inclusive as cortinas de chintz florido que enfeitavam a janela. Ah! Eu adoro essas cortinas – disse ela com entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.

- Mas a senhora ainda nem viu o quarto...
Nem preciso ver – respondeu ela. Felicidade é uma decisão que tomo todo dia quando acordo. E eu já decidi que vou adorar!É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. Sabe... Tenho duas escolhas: posso passar o dia inteiro na cama contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem... Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem. Cada dia é um presente. E enquanto meus olhos abrirem, vou focalizá-los no novo dia e também nas boas lembranças que eu guardei para esta época da vida.

A velhice é como uma conta bancária. Você só retira daquilo que você guardou. Portanto, lhe aconselho depositar um monte de alegria e felicidade na sua Conta de Lembranças. E como você vê, eu ainda continuo depositando.

Agora, se me permite, gostaria de lhe dar uma receita:

1. Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência. Isso inclui idade, peso e altura. Deixe o médico se preocupar com eles. Para isso ele é pago.
2. Dê preferência aos amigos alegres. Os “baixo astral” puxam você para baixo.>
3. Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe seu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é a oficina do Mal. E o nome do mal é Alzheimer.
4. Curta coisas simples.
5. Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego.
6. Lágrimas acontecem. Aguente, sofra e siga em frente. A única pessoa que acompanha você a vida toda é VOCÊ mesmo. Esteja VIVO enquanto você viver.
7. Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta. Pode ser família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. Seu lar é o seu refúgio.
8. Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a. Se estiver instável, melhore-a. Se estiver abaixo desse nível, peça ajuda.
9. Não faça viagens de remorsos. Viaje para o shopping, para a cidade vizinha, para um país estrangeiro, mas não faça viagens ao passado.
10. Diga a quem você ama, que você realmente o ama, em todas as oportunidades.

E lembre-se sempre que: A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego...
De tanto rir...
De surpresa...
De êxtase...
De felicidade!

24/09/2007

As minhas amigas gaivotas

Uma colaboração oferecida pela nossa colega e Amiga Adelaide que evidencia que a felicidade depende de coisas simples. Parabéns a quem se deleita com as coisas singelas da Natureza e as considera um presente para seu prazer

São três gaivotas lindas, brancas como a neve e manchadas de cinza claro, que me dão os bons dias todas as manhãs. Encontro-as empoleiradas no candeeiro em frente de minha varanda. Estamos, eu e elas, exactamente à mesma altura a partir do solo. Eu chego e digo "Olá belezas" e elas respondem à sua maneira: viram o bico para o céu, (em direcção ao Criador), esgoelam-se, e dão um grito como que a dizer-me também "Olá, bom dia". Depois, vaidosas, ensaiam os seus belos voos, asas bem abertas, cortam o céu a seu bel prazer. Encanto de se ver. Como dizia H.Thomas, que muito admiro pelos seus escritos, a natureza está cheia de milagres, nós os humanos é que não reparamos. Considero as minhas gaivotas mais um desses milagres. O grito que dão com o bico virado ao céu para me darem os bons dias, é muito diferente do tom de grito para me pedirem as migalhas a que as habituei. Já não viram o bico para o Criador mas para mim. Dão umas voltas, fazem-se rogadas mas, por fim, comem as migalhinhas, ao mesmo tempo que se debicam umas às outras, para protegerem o que acham que é delas por direito. Vou ter saudades das minhas gaivotas. Porquê? Porque vou mudar de casa e vou perde-las para sempre...

Adelaide - CVS / 23