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06/10/2012

O êxito resulta de ética, esforço e luta

O tenor José Carreras, em entrevista, disse:

A situação social modificou-se, embora pareça que, nos últimos anos, estamos a regredir. Na minha geração, tínhamos de ser determinados e lutar pelo que queríamos. A geração seguinte viu tudo ser-lhe dado de um modo mais fácil. É uma geração de superprotegidos. (…)
Tive a sorte de ter estado no momento certo quando escolhi esta profissão, mas acredito que o reconhecimento que tenho resulta do esforço. Infelizmente, nem sempre é assim com as novas gerações. As novas gerações têm uma noção errada de que tudo se consegue de uma formal fácil: dinheiro, fama, estatuto. Às vezes, nem sequer há rigor moral. Claro que, entre os jovens, também há gente maravilhosa que segue a ética moral.

Cavaco Silva, no discurso de 5 de Outubro, disse:

O nosso sacrifício tem de ter um propósito, um sentido, uma razão de ser. Não atravessamos dificuldades unicamente para corrigir os erros do passado recente, mas também para encontrar um rumo de futuro. (…)
Muitos dos nossos jovens destacam-se a nível internacional, competem com os melhores do mundo (…) nos orgulham pelo seu dinamismo e pelas suas capacidades, pela sua ambição e vontade de vencer. (…) cada qual escolhe o seu caminho, movido pela ambição de revelar o seu talento e dar largas ao seu dinamismo.
Durante tempo demais, Portugal foi um país iludido pelo curto prazo, que de algum modo se deixou envolver pela espuma dos dias, vivendo o presente sem cuidar do futuro. Os tempos de crise constituem, em todo o caso, uma ocasião privilegiada para nos repensarmos como colectivo, para que encontremos caminhos de futuro que suscitem o consenso dos agentes políticos e sociais e que mobilizem a sociedade civil.
A Educação continua a ser o melhor investimento que cada um pode fazer no seu futuro.(…) As famílias, as crianças e os jovens têm de perceber que vale sempre a pena estudar, trabalhar com esforço e dedicação, buscar a excelência. Não podemos permitir que se instale a ideia de que o sucesso se alcança por outros meios. (…) Os alunos devem ser preparados ao longo do seu percurso escolar para um ambiente de maior exigência.
Se ambicionamos um futuro melhor, temos de ambicionar ser melhores no futuro. (…) um apelo aos jovens. Apesar das dificuldades, nunca deixem de apostar na vossa educação. Ninguém se arrepende por ser mais qualificado, mais culto, mais informado.


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04/08/2012

Euromilhões e a insensatez nacional

Notícia de relevo de hoje diz que no sorteio do Euromilhões de ontem os portugueses arriscaram mais de 15,5 milhões, o que faz pensar na mentalidade de quem quer resolver a crise queimando o pouco de que dispõe.

Isto demonstra a falta de conhecimentos e de racionalidade dos portugueses. Há poucos anos na TV, o administrador do Casino do Estoril dizia com toda a franqueza e honestidade, ultrapassando o esperado das suas funções, que as pessoas não devem jogar, com doentia esperança de que vão ganhar, pois o ganhador é sempre o Casino.Jogar para diversão com quantidades moderadas que não fazem falta ao essencial da vida, desportivamente, pode ser compreendido, mas jogar com o desejo de enriquecer não é sensato. O cálculo das probabilidades mostra que a possibilidade de se ganhar é muito pequena e aconselha a não se arriscar demasiado.

É certo que uma vez, entre muitas, há um jogador que ganha elevada quantia. Mas, mesmo esse, por falta de preparação e de sensibilidade para analisar a dimensão a gerir, só raramente altera a sua vida. Isto foi demonstrado numa pesquisa feita há anos por um órgão da Comunicação Social em que foi evidenciado que alguns bafejados pela «sorte» passaram a ter uma vida mais preocupada, menos feliz do que anteriormente e houve quem fizesse desaparecer todo o «bolo» rapidamente em futilidades acabando por ficar como antes com o inconveniente de ter de abandonar hábitos de consumo entretanto adquiridos. Não foram encontrados casos de significativas melhorias de vida, de forma sustentada. Faz lembrar o ditado popular «dinheiro mal ganho, a água o dá, a água o leva».

E com tal doentia fé na riqueza (o dinheiro é uma droga) Portugal empobreceu ontem de muitos milhões que foram parar à organização do Euromilhões.

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15/07/2012

A nossa História em 2 minutos



Tanta violência para chegarmos aqui !!!
Que viagem tão atribulada!!!
Quando chegará o dia em que o Homem saberá conviver pacificamente com a Natureza, incluindo os outros humanos, para ser feliz aproveitando as belezas que existem á sua volta?

15/09/2011

Excesso de confiança pode matar


Depois dos posts recentes sobre a defesa do ambiente, deparei com um artigo que considero muito importante. Realça que o irrealismo, o excesso de confiança nas nossas capacidades e no desejado êxito, leva ao desprezo dos riscos e pode destruir a humanidade e que a vida internacional, as alterações climáticas e a degradação do ambiente e das sociedades, são efeitos que devem servir de alerta, para sermos mais realistas e ponderados.

Do extenso texto do artigo A evolução ofereceu-nos excesso de confiança, hoje isso pode matar-nos, de que aconselho a leitura, extraio as seguintes frases::

…o excesso de confiança está espalhado amplamente pela humanidade. As pessoas têm uma opinião de si próprias e das suas capacidades acima do normal, o que significa que têm uma leitura errada da realidade.

“as populações tendem a ter excesso de confiança, desde que os benefícios dados pelos recursos que estão em competição sejam suficientemente grandes, em comparação com os custos”, diz o artigo. Por isso, “o modelo mostra que é plausível que o excesso de confiança possa evoluir numa grande variedade de ambientes, assim como em situações que vão dar mau resultado”,

Mas o excesso de confiança pode ter um preço. No artigo, os cientistas prevêem que esta característica, que terá sido útil até aqui, pode tornar-se “particularmente prevalente em domínios que têm um grande grau de incerteza inerente”. Exemplos: relações internacionais, gestão de conflitos, fenómenos imprevisíveis como as alterações climáticas, tecnologias novas, ou alianças com líderes desconhecidos.

No passado, esta característica terá sido culpada pela Primeira Guerra Mundial, a Guerra do Vietname, a guerra no Iraque, a crise financeira de 2008, e a má preparação para fenómenos climáticos como o furacão Katrina ou as alterações climáticas, adianta o artigo. “Parece que estamos a torna-nos hiper-confiantes precisamente nas situações que são mais perigosas”, concluem os autores.

Francisco Santos, que estuda de perto a relação entre a percepção dos efeitos das alterações climáticas pelas pessoas e a atitude perante este fenómeno, dá mais uma pista. “Já se conseguiu mostrar que a contenção dos efeitos está directamente relacionada com a percepção do risco que as pessoas têm. O excesso de confiança pode ser um dos factores que contribuem para esse efeito”, disse.
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14/09/2011

Afectos maduros



Um filme pouco extenso mas que dá bom motivo para reflectir. A idade madura refina os afectos, faz renascer sentimentos do passado e passa uma esponja sobre más memórias da infância.

20/03/2011

O que tenho aprendido na vida…


Aprendi....que ninguém é perfeito enquanto não se apaixona.

Aprendi....que a vida é dura mas eu sou mais que ela!!

Aprendi que...as oportunidades nunca se perdem aquelas que desperdiças... alguém as aproveita.

Aprendi que... quando te importas com rancores e amarguras a felicidade vai para outra parte.

Aprendi que... devemos sempre dizer palavras boas... porque amanhã nunca se sabe as que temos que ouvir.

Aprendi que...um sorriso é uma maneira económica de se melhorar o aspecto.

Aprendi que... não posso escolher como me sinto... mas posso sempre fazer alguma coisa.

Aprendi que...quando o teu filho recém-nascido segura o teu dedo na sua mão tenta prende-lo para toda a vida.

Aprendi que...todos, todos querem viver no topo da montanha... mas toda a felicidade está durante a subida.

Aprendi que... temos que aproveitar da viagem e não apenas pensar na chegada.

Aprendi que...o melhor é dar conselhos só em duas circunstâncias... quando são pedidos e… quando deles depende a vida.

Aprendi que...quanto menos tempo desperdiço...mais coisas posso fazer.

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01/03/2011

Mais um «abafador»


Houve um que abafou gravadores dos jornalistas em «acção directa» de que se gabou. Mas agora aparece outro mais perigoso que não parece hesitar em nos abafar até ao último suspiro, com as chamadas medidas de austeridade, para compensar as despesas inúteis e injustificadas de que muito aqui se tem escrito

Em vez da redução das despesas muito referidas aqui, por diversas vezes, «Sócrates admite mais austeridade para atingir défice de 4,6% este ano». Esta teimosia insensata, sem olhar aos verdadeiros problemas da administração com as despesas pornográficas que apenas servem para beneficiar amigos do clã, sem ter em consideração o fosso entre os ricos e os pobres, a injustiça social, as carências de muitas famílias que se afundam na penúria, felizmente está a despertar as reacções da oposição e não tardará a ter também a manifestação do povo na rua, o que devia ser evitado com acção correcta na eliminação das causas do descontentamento.

Não é por acaso que surgem estas reacções oportunas e patrióticas da oposição descomprometida dos conluios da exploração:




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21/02/2011

Os europeus correm contra o muro


Entrevista de um professor chinês de economia, sobre a Europa, o Prof. Kuing Yamang, que viveu em França:

1. A sociedade europeia está em vias de se auto-destruir. O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas, ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar. Só três coisas lhes interessam: lazer/entretenimento, ecologia e futebol na TV! Vivem, portanto, bem acima dos seus meios, porque é preciso pagar estes sonhos de miúdos...

2. Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.

3. Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar 'a conta'.

4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo. Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.

5. Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos 'sangram' os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro 'inferno fiscal' para aqueles que criam riqueza.

6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.

7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação. A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do... da China!

8. Dentro de uma ou duas gerações 'nós' (os chineses) iremos ultrapassá-los. Eles tornar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacas de arroz...

9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado...

10. Vão (os europeus) direitos a um muro e a alta velocidade...



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31/01/2011

Para sair da crise -1

Não podemos resolver problemas usando o mesmo tipo de pensamento que usamos quando os criamos.
Incógnito

Insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez esperando obter resultados diferentes
Albert Einstein

01/01/2011

O Poder da Internet


Transcrição de notícia sobre a ENSITEL seguida de NOTA:

Público. 31-12-2010

Pedido de desculpas


A decisão de intimar a cliente tinha provocado uma avalancha de críticas na última semana. No último dia do ano, a empresa portuguesa resolveu retirar a queixa e pedir desculpa.

A Ensitel, uma cadeia de lojas portuguesa que vende aparelhos de electrónica, havia intimado judicialmente uma ex-cliente a apagar textos do seu blogue pessoal, que criticavam a actuação da empresa. O resultado foi uma avalancha de críticas na blogosfera, no Twitter, Facebook, YouTube e outras redes sociais.

No último dia do ano, a empresa retirou a queixa contra a cliente e pediu desculpas num comunicado do responsável de vendas e serviços aos clientes da Ensitel, Pedro Machado, que foi publicado no facebook pela Ensitel e está a circular pelas redes sociais.

Segue o comunicado da Ensitel:

"Nos últimos dias temos ouvido as vossas opiniões. Nunca foi nossa intenção limitar a liberdade de expressão da Maria João Nogueira, mas apenas assegurar a defesa da nossa marca. Mas vemos agora que a nossa atitude não foi a mais adequada e por isso vamos retirar de imediato a acção judicial.

Pretendemos também, no futuro, estar mais atentos ao que os nossos clientes dizem online, de modo a podermos assegurar que a vossa experiência com a Ensitel é o mais positiva possível. Nesse sentido estamos a preparar novas maneiras de poderem comunicar connosco, sempre que tenham um problema numa das nossas lojas ou com um dos nossos produtos."

NOTA: Nos tempos do PREC (após o 25 de Abril) era repetido o slogan «o povo unido jamais será vencido». Agora a blogosfera e as redes sociais mostraram ser uma arma poderosa, a moderna «arma nuclear». Neste caso da ENSITEL, ficou bem evidente a sua importância na correcção de uma situação abstrusa, de pretensão de domínio indecoroso dos direitos de um cliente, com exigência de cerceamento da liberdade de expressão que foi usada em legítima defesa. Parabéns pelo êxito alcançado.

Mas não deve ser esquecido que a arma nuclear, depois de conhecido o seu poder destruidor, não mais foi utilizada, por entendimento das potências mais poderosas. Assim, também deve haver da parte dos internautas um apurado sentido de responsabilidade na utilização da sua força, por forma a defender ideais de moralidade e de justiça, sem no entanto deixar de ter coragem para enfrentar poderes que se mostrem nocivos à humanidade e ao meio ambiente. Para armas mais poderosas devem ser escolhidos alvos adequados, proporcionais. 

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20/11/2010

Deixe a raiva secar

Mariana ficou toda feliz porque ganhou de presente um joguinho de chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas.~

No dia seguinte, Júlia sua amiguinha, veio bem cedo convidá-la para brincar. Mariana não podia, pois iria sair com sua mãe naquela manhã. Júlia então, pediu a coleguinha que lhe emprestasse o seu conjuntinho de chá para que ela pudesse brincar sozinha na garagem do prédio. Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo o seu ciúme por aquele brinquedo tão especial.

Ao regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu conjuntinho de chá jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada.

Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou: "Está vendo, mamãe, o que a Júlia fez comigo? Emprestei o meu brinquedo, ela estragou tudo e ainda deixou jogado no chão.

Totalmente descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao apartamento de Júlia pedir explicações.

Mas a mãe, com muito carinho ponderou:
"Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando, jogou lama em sua roupa? Ao chegar em casa você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você lembra o que a vovó falou? Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro. Depois ficava mais fácil limpar. Pois é, minha filha, com a raiva é a mesma coisa. Deixa a raiva secar primeiro. Depois fica bem mais fácil resolver tudo".

Mariana não entendeu muito bem, mas resolveu seguir o conselho da mãe e foi para a sala ver televisão.
Logo depois alguém tocou a campainha. Era Júlia, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi falando:
"Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Aí ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você havia me emprestado. Quando eu contei para a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro brinquedo igualzinho para você. Espero que você não fique com raiva de mim. Não foi minha culpa."

"Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já secou." E dando um forte abraço em sua amiga, tomou-a pela mão e levou-a para o quarto para contar a história do vesti do novo que havia sujado de barro.

Nunca tome qualquer atitude com raiva. A raiva nos cega e impede que vejamos as coisas como elas realmente são. Assim você evitará cometer injustiças e ganhará o respeito dos demais pela sua posição ponderada e correta. Diante de uma situação difícil. Lembre-se sempre:
Deixe a raiva secar...

Transcrição de e-mail recebido de remetente muito por quem nutro grande apreço e estima.

NOTA: Um bom conselho, mesmo para pessoas crescidas. Se fosse seguido com ponderação e equilíbrio psíquico,  não teriam sido provocados os estragos bem visíveis neste blog entre 21-03-2009 e 05-09-2010, sem razão visível ou explicável. O conselho do post não é útil apenas para crianças.

29/10/2010

A Austeridade e as pessoas


Transcrição de artigo de interesse pelo alerta e os conselhos que transmite:


ISABEL STILWELL | EDITORIAL DESTAK 28 | 10 | 2010


O dinheiro faz falta. O dinheiro vai fazer-nos muita falta no próximo ano. Mas aprender a viver com menos, desde que esse menos seja digno, não é necessariamente mau. A verdade é que valorizamos mais as coisas quando são bens escassos, e fazer omoletes sem ovos até nos pode obrigar a ser mais criativos e a alocar recursos com mais inteligência.

Por tudo isso, não são orçamentos mais apertados que me metem medo, mas sim a irracionalidade e a falta de visão que alguns cortes revelam, a falta de carácter e a incompetência que as dificuldades deixam mais evidente, porque como disse um político britânico há dias, «Quando a maré baixa deixa ver quem nada sem fato de banho». De facto, quando há dinheiro, a desorganização interna do Estado, das empresas, e mesmo a das famílias, passa despercebida.

Mas, no dia em que é preciso definir prioridades, decidir qual é, afinal, o negócio principal da empresa, ou os valores que regem uma família, fica claro que os elementos daquela equipa, que aparentemente trabalhavam por um objectivo comum, têm afinal “agendas” muito particulares. E se não houver a capacidade de traçar um plano claro, e de consenso, a estrutura que parecia tão sólida vai partir-se aos bocadinhos, para não deixar nada. Nessa altura, vão culpar os bancos, as bolsas, o político do dia, mas a verdade é que a culpa é interna, é só delas.

E é esse o lado mais sinistro da crise que vivemos e aquele que, de um dia para o outro, nos pode deixar sem chão, realmente perdidos. E é contra este perigo que devemos lutar. Até porque a instabilidade que a mudança provoca, a incerteza que deixa, torna o clima emocional explosivo. Mais do que nunca é preciso que as relações sejam leais, que os amuos e os rancores fiquem no quarto de brinquedos, e que as injustiças dos actos e das palavras não sirvam de rastilho. Essa é a crise que me assusta.

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10/09/2010

Explosão e incêndio em S. Francisco

É de lamentar os danos pessoais e materiais e a quantidade de pessoas lesadas por esta catástrofe.

Infelizmente, nos tempos mais recentes tem havido demasiados acidentes de graves consequências, o que coloca em evidência que a humanidade tem-se degradado nos aspectos humanos, de sensatez e lucidez, não acompanhando em precaução e sentido de segurança e de responsabilidade, os avanços tecnológicos que tem vindo a utilizar. Em vez de se ajustar aos riscos que a tecnologia acarreta e tomar as medidas de prevenção e segurança mais adequadas, acabou por se desmazelar a permitir que aconteçam acidentes de gravidade inusitada.

Esta degradação persistente foi abordada no post Segurança votada ao desprezo publicado há pouco mais de duas semanas. Hoje o homem parece estar mais desumano e desleixado do que no tempo do paleolítico, apesar de as tecnologias o colocarem num patamar materialmente mais elevado.

A vida não se resume ao dinheiro, ao consumismo, à ostentação, à arrogância, ao facilitismo, ao deixa andar. Há valores que têm que ser restaurados com urgência.

Podem ser vistos textos em aqui, aqui e aqui, e vídeos em Só Imagens.

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15/08/2010

O António virou irónico

O meu Amigo António, tal como a maioria das pessoas da sua idade – deve andar perto dos oitenta mas não diz quantos tem nem em que dia os completa – não sente a mínima atracção pela informática. Diz que um dia tentou e fez um clic errado, estragando tudo o que tinha estado a tentar escrever. Depois desse azar, não quis continuar a lutar contra uma máquina tão estranha e caprichosa!

Mas consegui convencê-lo a visitar, devidamente apoiado pelo neto, um dos meus blogs o que pensei lhe podia despertar alguma simpatia. E depois telefonou-me – embora também não morra de amores por essa máquina que permite ouvir vozes que vêm sem se saber de onde, como acontece aos mentecaptos – e contou-me que a visita o fez lembrar de uma história contada pelo Eça ( A Luisinha Carneiro torceu um pé) de que já não se recordava bem mas que traduziu em português moderno.

Numa reunião do Jet Set, gente pedante sem cultura profunda mas convencida e deslumbrada com pequenas coscuvilhices, falava-se das telenovelas, do Ronaldo, da festa dada por alguém que fez 4 anos de qualquer coisa, do vestido da Isa, dos amores estranhos de um político, quando chegou o Ambrósio, um tipo sereno, controlado e pouco atreito a conversas sem ensinamentos, sem análise, que olha para as realidades com a calma de quem procura conhecer as causas e as consequências.

Como as suas opiniões são escutadas com interesse pela vacuidade das senhoras, todas se dizendo quarentonas mas com rugas no pescoço que, apesar de disfarçadas por técnicas modernas, indicam mais de 60, todas as circunstantes exclamaram o seu prazer pela chegada do tipo e lhe perguntaram novidades.

Imaginem, disse ele, na China a chuva torrencial causou inundações terríveis e desabamentos de terra que causaram mais de um milhar de mortos, desaparecidos e desalojados. Não obteve qualquer reacção. As pessoas ficaram impávidas e serenas, porque isso não as impressionava minimamente.

Contou depois que na Rússia há uma vaga de fogos que poderá atingir uma zona onde caíram cinzas de material radioactivo devidas à explosão da central nuclear de Chernobil e que, se isso acontecer, os ventos poderão espalhar nuvens altamente tóxicas que irão vitimar milhares de pessoas em vasta área. A Necas perguntou se por isso teria de deixar de comer pudim Molotov. Mas as restantes ficaram impávidas e serenas, porque isso não as impressionava minimamente.

Depois falou dos incêndios na serra da Gralheira que destruiu tudo numa área equivalente a muitas centenas de campos de futebol, ocupando muitas centenas de bombeiros idos de vários pontos do País e deixando a população local muito desgostosa e abalada, havendo muitos idosos que diziam em tom sufocado e desiludido que agora só lhes falta morrer. As pessoas ficaram, embora um pouco curiosas onde fica essa tal serra de Gralheira, e a Mitó perguntou se uns amigos que vivem em Tondela poderiam sofrer com o fumo, mas pouco se mostraram impressionadas.

Deu então a notícia de que a Licas, ao descer do Mercedes, colocou o pé numa falha do lancil do passeio e sofreu um entorse no tornozelo esquerdo, estando imobilizada em casa, depois de lhe terem engessado o pé e a perna. Foi o pânico naquele salão. Gritinhos de aflição. Coitada da Licas, com toda a sua vivacidade e dinamismo ter de ficar em casa! E começaram a sair para irem visitar a amiga do peito. Algumas passaram por casa para levarem à Licas a revista Maria, a Gente e outras leituras eruditas do género, e uma, mais instruída, disse que lhe ia levar «As Pupilas do Senhor Reitor» uma leitura muito intelectual de que a Licas certamente iria gostar se, no intervalo das suas dores, tivesse paciência para a leitura.

Estou confuso, sem saber bem onde o António queria chegar, mas estou à espera da próxima notícia do dia em que faz anos que caiu o primeiro dente do leite ao filho mais velho da Tânia Vanessa, neto da Sandra.

04/06/2010

Quando me Amei de Verdade

Este texto de Kim McMillen talvez ficasse mais sugestivo em verso, mas em prosa também se presta a uma reflexão profunda que confirma o muito que aqui tem sido publicado por vários colaboradores.

A mente, quando ao serviço do meu coração, torna-se uma grande e valiosa aliada.

Concentremo-nos na leitura atenta:

Quando me amei de verdade, pude compreender que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa. Então pude relaxar.

Quando me amei de verdade, pude perceber que o sofrimento emocional é um sinal de que estou indo contra a minha verdade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado -inclusive eu mesma.

Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças e qualquer coisa que me pusesse para baixo. Minha razão chamou isso de egoísmo. Mas hoje eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti

de fazer planos. Hoje faço o que acho certo e no meu próprio ritmo. Como isso é bom!

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão, e com isso errei muito menos vezes.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Isso me mantém no presente, que é onde a vida acontece.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.

08/05/2010

Perturbação dos boys de Sócrates


Transcrição seguida de Nota:
Mais um processo contra um jornal
Diário de Notícias 8 de Maio de 2010

Foi só uma inocente graçola do 1.º de Abril, dia das mentiras. O AutoHoje desse dia resolveu anunciar que os preços dos combustíveis na Galp baixariam 0,22 cêntimos/litros para todos os felizes possuidores de cartão de militante no PS. "Boa notícia/PS dá descontos", assim rezava a chamada de primeira página (nem sequer era manchete!).

Acontece que na sede nacional do PS o estado de espírito é a atirar para o muito stressado. A crise, a falta de maioria absoluta, Manuel Alegre, Cavaco - enfim, só arrelias. O PS levou a sério a brincadeira do AutoHoje e decidiu processar o jornal. Mais um a "juntar" ao currículo de Sócrates


NOTA:
Esta notícia denuncia o estado patológico de perturbação dos «boys» que apoiam o PM, sem possuírem o mínimo de sensatez, maturidade, preparação teórica e prática e autodomínio para as funções. Já poucos motivos nos dão para ficarmos surpreendidos, desde a manifestação apoteótica na AR na recepção a Paulo Pedroso quando saiu da penitenciária por motivo da suspeição de estar envolvido no caso da pedofilia da Casa Pia até à efectuada com aplausos e atitudes laudatórias ao autor do «furto directo» de gravadores de jornalistas, como se tivesse cometido um elevado feito de heroicidade, nada realmente é de estranhar .

Mas, agora, esta notícia constitui um sério aviso de que se o governo se mantiver, devemos ter cuidado porque no próximo 1º de Abril poderão ser proibidas as tradicionais mentiras que não prejudicam ninguém.

Ao que nós chegámos!!! Os boys já não se contentam com uns descarados «furtos directos» de pequenas coisas que se podem meter no bolso das calças!!! Processam por uma mentira própria da tradição do 1º de Abril, dia das mentiras. Evidenciam muito nervosismo, perturbação e insegurança, que deviam ter serenado nos dias seguintes, antes de exporem publicamente a sua instabilidade psíquica. A poeta e ex-deputada Natália Correia diria que anda por ali muita histeria de mulher mal amada, mas talvez não se deva exagerar por aquilo ser excesso de stress por fadiga com coisas menores de política interpartidária à margem dos interesses nacionais.

16/04/2010

Duelo de «machos» !!!


Uma imagem daquilo que as feministas devem aproveitar para demonstrar aquilo que alguns homens que se consideram valentes são capazes de fazer da mulher que dizem amar e defender. Estes são daquele grupo que faz péssimo uso dos 90% a que se refere o post O princípio 90/10. O respeito pelo outro, mesmo que não seja familiar ou amigo deve ser um preceito básico em todos os momentos. O director de uma Academia para a terceira idade onde dei lições dizia: tenho respeito por todas as pessoas embora só tenha consideração por algumas.

08/04/2010

Vida de executiva de sucesso

Transcrição de um texto recebido por e-mail que convém ler até ao fim

Uma executiva de sucesso bem-sucedida em acção

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.

Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo cândidas túnicas e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convénio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?...

- É.

- Tipo assim... o céu, CÉU...! Aquele com querubins voando e coisas do género?

- Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular, a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que havia mesmo apitado na curva.

Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bónus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.

E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o sindico.

- É? E como é que marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

- Assim? (...)

- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.

Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...

- Executiva... Que palavra estranha. De que século você veio?

- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo 'executiva'?

- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

- Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistémica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho, implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.

- Que interessante...

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- !!!...???...!!!...???...!!!

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Accionista... Ele existe, certo?

- Sobre todas as coisas.

- Óptimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, me parece extremamente atractivo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um Turnaround radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?

- Não. Significa que você terá um futuro brilhante... se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exactamente, como funciona o Inferno...

Max Gehringer
(Revista Exame)

06/04/2010

A gente que eu gosto...














"As pessoas são como vitrais coloridos:
cintilam e brilham quando o sol está
do lado de fora, mas quando a
escuridão chega, sua verdadeira
beleza é revelada apenas
se existir luz no interior."

Elizabeth Kubler Ross

Gosto de gente com a cabeça no lugar, de conteúdo interno, idealismo nos olhos, um pé no chão, na realidade e outro na realização de um sonho, mesmo que impossível.

Gosto de gente que ri, chora, que se emociona com uma simples carta, um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago. Gente que ama e tem saudades, que gosta de amigos, que cultiva flores,que ama animais e que admira paisagens, poesia e mares.
Gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternuras compartilhar vivências e dar espaço para emoções dentro de si, emoções que fluem naturalmente de dentro do seu ser.
Gente que goste de fazer as coisas que gosta, sem fugir dos compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam.

Gente que colhe, que orienta, que se entende, que aconselha, que busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre ou de um analfabeto.
Gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos. Com muito AMOR dentro de si.

Gente que erra e reconhece, cai e levanta-se, apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentoras as suas lágrimas e sofrimentos.

Gosto muito de gente assim... cintilante, mesmo quando o seu único brilho vem só do seu interior.

Imagem da Internet

Fernanda Ferreira (Ná)