20/11/2010

Deixe a raiva secar

Mariana ficou toda feliz porque ganhou de presente um joguinho de chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas.~

No dia seguinte, Júlia sua amiguinha, veio bem cedo convidá-la para brincar. Mariana não podia, pois iria sair com sua mãe naquela manhã. Júlia então, pediu a coleguinha que lhe emprestasse o seu conjuntinho de chá para que ela pudesse brincar sozinha na garagem do prédio. Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo o seu ciúme por aquele brinquedo tão especial.

Ao regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu conjuntinho de chá jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada.

Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou: "Está vendo, mamãe, o que a Júlia fez comigo? Emprestei o meu brinquedo, ela estragou tudo e ainda deixou jogado no chão.

Totalmente descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao apartamento de Júlia pedir explicações.

Mas a mãe, com muito carinho ponderou:
"Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando, jogou lama em sua roupa? Ao chegar em casa você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você lembra o que a vovó falou? Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro. Depois ficava mais fácil limpar. Pois é, minha filha, com a raiva é a mesma coisa. Deixa a raiva secar primeiro. Depois fica bem mais fácil resolver tudo".

Mariana não entendeu muito bem, mas resolveu seguir o conselho da mãe e foi para a sala ver televisão.
Logo depois alguém tocou a campainha. Era Júlia, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi falando:
"Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Aí ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você havia me emprestado. Quando eu contei para a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro brinquedo igualzinho para você. Espero que você não fique com raiva de mim. Não foi minha culpa."

"Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já secou." E dando um forte abraço em sua amiga, tomou-a pela mão e levou-a para o quarto para contar a história do vesti do novo que havia sujado de barro.

Nunca tome qualquer atitude com raiva. A raiva nos cega e impede que vejamos as coisas como elas realmente são. Assim você evitará cometer injustiças e ganhará o respeito dos demais pela sua posição ponderada e correta. Diante de uma situação difícil. Lembre-se sempre:
Deixe a raiva secar...

Transcrição de e-mail recebido de remetente muito por quem nutro grande apreço e estima.

NOTA: Um bom conselho, mesmo para pessoas crescidas. Se fosse seguido com ponderação e equilíbrio psíquico,  não teriam sido provocados os estragos bem visíveis neste blog entre 21-03-2009 e 05-09-2010, sem razão visível ou explicável. O conselho do post não é útil apenas para crianças.

8 comentários:

Luís Coelho disse...

Obrigado pela partilha de uma história com base moral surpreendente
Se todos soubéssemos esperar e deixar acalmar as situações ficariam bem mais simples e mais fáceis.

A. João Soares disse...

Caro Luís Coelho,

É como diz. Convém dormir sobre o problema. O travesseiro é bom conselheiro. Depois de passarem horas tudo se apresenta diferente e serão encontradas as melhores soluções.
Um abraço
João
Do Miradouro

Carmo disse...

É um excelente texto.
Convém arrefecer a cabeça e deixar passar a tempestade.

Um beijo e boa semana

Luis disse...

Meus Bons Amigos,
A propósito lembrei-me de dois pensamentos que de certa forma complementam este conto. Não devemos ser escravos do passado nem de recordações tristes.
Não devemos revolver uma ferida já cicatrizada.
Não devemos rememorizar dores e sofrimentos antigos.
O que passou, passou!
E com pensamentos positivos podemos curar enfermidades do Corpo e da Alma!
Um abraço muito amigo e solidário a todos e um bom fds.

A. João Soares disse...

Cara Carmo

Obrigado pela visita e pelo comentário.

As reacções rápidas são boas para quem pratica esgrima!!! Mas na vida normal a ponderação é essencial.

Beijos
João
Do Miradouro

A. João Soares disse...

Amigo Luís,

Não aprecias a História!!! Nem tudo do passado deve ser esquecido, serve de lição para a vida presente e para a preparação do futuro. Aquilo onde queres tocar não pertence ao passado, pois as cicatrizes estão presentes no blog ao longo dos posts desde 21-03-2009 a 05-09-2010. Houve alguém que não deixou secar algo que não revelou a ninguém, e evidenciou uma formação moral muito discutível.

Um abraço
João
Do Mirante

Ana Martins disse...

Boa noite João,
Deixei de aqui publicar e comentar por não gostar de alguns comentários e piadas referentes a uma amiga que gosto muito e por quem nutro um enorme respeito. Como o Luís diz e muito bem, o que passou, passou. Nunca lhe ocorreu que aquelas imagens possam ter desaparecido por erro?
Se fosse com o intuito de prejudicar o blogue, não teriam sido só as imagens apagadas, não acha?

Não gosto deste tipo de quezílias, nem de sentir que se hoje sou considerada uma jóia de pessoa, amanhã ao acordar posso muito bem passar a ser uma peste.

Quando a amizade se constrói com base na verdade, as falhas humanas não são julgadas desta forma.

E há outra coisa ainda, enquanto se continuarem a colocar posts com o intuito de atingir alguém, as feridas não vão secar.

Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas

A. João Soares disse...

Amiga Ana Martins,

Já nos conhecemos virtualmente há muitos anos e sempre a admirei na sua sensibilidade e na sua arte poética. Os seus conselhos e opiniões são sempre de grande densidade humana e consideração.

«Quando a amizade se constrói na base da VERDADE» (frase da Ana), há transparência das atitudes e explicam-se os erros. Errar é humano. Nunca houve qualquer explicação da fuga inesperada, que admiti ter resultado de erro de manipulação das «permissões», no Blogger dos três blogs e logo enviei convites para repor a situação anterior. Foi-me respondido que foi uma «decisão irreversível», mas sem explicação dos motivos.

Achei que foi foi mais uma explosão de mau génio de que já tinha havido outros casos, em que a porta ficou sempre aberta, por onde voltou a entrar. Desta vez, como era administradora, teve a minúcia de fechar a porta.
Sempre admiti que tivesse havido erros, mas o desaparecimento sistemático das imagens, em três blogs de que era administradora, sem explicação, é um fenómeno muito estranho. Continuo sem saber a VERDADE a que a Ana alude.

Ninguém é obrigado a publicar. Haverá nos habituais visitantes muito prazer em encontrar aqui os poemas da Ana, mas se a Amiga não tiver interesse em continuar essa actividade de colaboradora muito antiga deste espaço, fará o que achar do seu interesse. A porta ficará aberta.

Beijos
João
Do Miradouro