19/04/2010

A PRINCÍPIO ou A FELICIDADE REALISTA

Decidi trazer aqui um texto que encontrei acidentalmente, num português "estranho", ao qual tomei a liberdade de fazer as correcções que achei necessárias.

Este é mais um texto que vem ao encontro da filosofia de vida de muitos de nós e que tem sido já aqui muitas vezes referida.
Contudo, e porque é mais um ponto de vista, acrescenta mais outros tantos pontos, aqui o deixo para vossa avaliação.

"De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas os nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que estejamos sem febre: queremos, além de saúde, ser magrérrimos,sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguer, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num SPA cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário,queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par e não como pares? Ter um parceiro constante, não é sinónimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo a expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma bênção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prémio. Não sejamos vítimas ingénuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo."


MARTHA MEDEIROS
Fernanda Ferreira (Ná)

16 comentários:

Luis disse...

Querida Amiga NÁ,
Mais um texto bem ao jeito de nós Sempre Jóvens!!! Tratando este tema - Felicidade - segundo a trilogia -Saúde, Dinheiro e Amor.
Engraçado que a Felicidade pode existir fora deste ambito mas realmente é difícl que tal possa acontecer. De qualquer forma é mostrado que podemos te-la com alguma Saúde, pouco Dinheiro e algum Amor... Tudo deve ser encontrado no equilibrio dos nossos seres e nunca exigindo-se para além das nossas próprias pssibilidades pois será nisso que poderá residir a Infelicidade!
Como sempre algo muito interessante que nos traz para reflexão nossa e dos nossos visitantes.
Obrigado e muitos beijinhos muito amigos.

Fernanda disse...

Olá amigo querido Luís,

Essa a tão simplesmente a verdade, a mais pura das verdades.

A felicidade está em nós e nas coisas mais simples deste mundo.
Havendo saúde, todo o resto vem por acréscimo.
O principal segredo é não querer o infinito, o impossível, e viver para esse objectivo que de nada serve, mesmo quando obtido.
Ser-se minimamente ambicioso é salutar, mas nada que passe por querer ter e ter e esquecer o ser e o viver, o ser feliz.

Estamos de acordo amigo, já o conheço o suficiente para o saber.

Beijinhos

Pérola disse...

Sabe amada deixa eu te contar um fato.
Minha família pertence a classe média abastada.Um dia, a minha irmã me disse:Vc se contenta com muito pouco por essa razão ñ há de ter nada.
Coisa boba q ñ afetou a nossa relação,tirando o fato de ser muito ambiciosa, é uma pessoa muito boa e meiga quando quer,uma mãezona para ser mais exata.
Atualmente eu descobri q tenho tudo ou seja,o bastante para ser feliz.Tenho os meus filhos q são maravilhosos,ñ tão companheiros quanto eu gostaria mas vivem uma vida digna e isso para mim já é o bastante,tenho o meu emprego q amo de paixão e minha casinha q costumo chamar de cafofo rs.
Ñ tenho problemas de relacionamentos com quer quem seja e se ñ sou bem vinda tiro o meu banquinho e saio de fininho.
Então....Eu tenho tudo de que preciso para prosseguir confiante sempre.
Problemas todos nós temos,tristeza alguma vez aponta sem ser convidada,solidão as vezes é necessária.Um dia eu e minha irmã estávamos conversando na minha mãe então eu disse:Maninha, sinto te informar mas eu descobri q sou extremamente feliz com o q eu tenho acredite,eu tenho tuuuuuuuuudo e se eu quizer mais, vou fazer por merecer ok.
Ela riu,me abraçou e me disse:Te amo amada,E sorrimos muiiiiiiiito.
Beijokas amiga.
Parabéns pelo texto.

José Sousa disse...

Gostei de toda a sua postagem, muito giro, adorei. Vá ate aos meus blogs. www.congulolundo.blogspot.com
www.queriaserselvagem.blogspot.com
Um abração

A. João Soares disse...

Querida Amiga Ná,

Não sou um bloguista que faça muitos comentários, daí ter poucos comentadores nos meus blogues. Comento com prazer quando vou reforçar a mensagem do post ou quando, de certo modo, o contrario procurando completar. Não gosto de ver apenas a fachada da moradia, mas também as ilhargas e as traseiras.
Este texto foca a felicidade como uma conquista no mundo consumista, competitivo e de ostentação. Hoje, há muito homem de sucesso, que se pode considerar vaidoso, mas não é feliz, porque está sempre stressado, numa corrida louca para não perder o êxito, para não ser ultrapassado. Não se é mais ou menos feliz do que os outros. Pode ter-se mais dinheiro ou mais saúde, mas não ser mais ou menos feliz.
Ser feliz é não desejar mais do que aquilo de que se dispõe e sentir-se bem com isso.
Certamente, houve muitos monges e eremitas que se sentiam felizes, sem riqueza, sem mulher, sem contactos com muita gente. Acordar e sentir necessidade de se arranjar depressa para entrar numa rotina louca, não dá felicidade, mas o ócio, o trabalho com as ideias sem um fim a atingir, pode tornar as pessoas felizes, poeta, filósofo.
Já aqui num comentário referi um sem-abrigo da baixa de Lisboa a quem saiu um prémio grande da lotaria e que procurou gastar depressa na taberna do seu bairro, com «amigos», para se ver livre do peso do vil metal, e mais tarde confessou que leva uma vida feliz que muito lhe agrada.
Dei comigo a pensar que dos dois textos que a Ná conhece - Quem sou? e Um dia como os outros - talvez o segundo coincida mais com a felicidade. O primeiro tem uma obrigação, uma sujeição, a das necessidades regulares das cabras pastarem, abrigarem-se e serem mungidas.
Mas tanto num caso como no outro, o sujeito da história está satisfeito com o pouco que tem, que para ele constitui tudo, constitui o suficiente.
O que está a mais é inútil e prejudica. Conheço um artista de azulejos, que me disse ser a virtude do bom desenho e pintura em azulejo a ferramenta para retirar tinta, apagar traços do desenho, para que fique apenas o indispensável. A simplicidade é também a maior característica do arquitecto Siza Vieira que, ao contrário do barroco e outros estilos demasiado ornamentados, retira do projecto tudo o que é supérfluo e procura a máxima simplicidade.
A felicidade também não se dá bem com o supérfluo, o excesso. Isso só serve para ostentação para sacar a admiração dos outros, para engordar a vaidade e outros defeitos, isto é, aniquila o próprio ser, os sentimentos mais puros e íntimos, aqueles que realmente dão a felicidade.

Podia dizer muito mais, mas isto saiu ao ritmo do teclado.

Beijos
João
Do Miradouro

Fernanda disse...

Querida Pérola, Ângela amiga!

Senti isso em ti desde sempre.
O que nos contaste veio confirmar exactamente como eu te via, simples e culta., uma pessoa humana e que preza os valores humanos acima de tudo.

Obrigada querida,

Beijinhos

Fernanda disse...

Amigo José Sousa,

Não tenho a honra de conhecer ainda.
Muito obrigada pela sua visita e comentário.
Visitarei sim.

Abraço,

Fernanda disse...

Meu querido amigo João,

Eu sei bem quais são os seus valores, e como pensa que a vida deve ser levada para se ser feliz.
Nós felizmente sabemos!
Tudo o que este texto diz vai de encontro ao nosso pensamento sobre a melhor filosofia de vida...como ser feliz com pouco, com o indispensável, mesmo sendo esse conceito muito relativo.

Assunto que dá sempre pano para mangas...
Adorei ler o seu comentário, apesar de o conhecer como alguém muito próximo, como alguém que faz mesmo parte da família.

Já agora, gostaria que fosse ao Rau e visse o texto que hoje lá publiquei.
Vai ficar surpreso.

Beijinhos

Graça Pereira disse...

Apesar de TUDO.... eu tenho TUDO para ser feliz! Benditos sejam aqueles que se contentam com pouco e julgam que são ricos! E o são, na verdade!
Beijo
Graça

Fernanda disse...

Querida Graça,

Amiga, eu sei como és. Um ser lindo como poucos.
No APESAR DE TUDO...está tudo dito e por isso te admiro tanto e te considero, do coração, a minha amiga mais querida e doce. Mesmo sofrida, sem metade de ti, continuas a ser um ser lindo, inteiro, e pronta a dar de ti, sempre....
Beijos e um abraço muito grande.

Celle disse...

Maninha,posso lhe afirmar que sou Feliz!
É claro que nos meus 68 anos de vida ja viví vários momentos infelizes e como!
Nada me deixou traumas para me sentir infeliz e deprimida.Eu não deixo nada me deixar triste, eu não permito. Começamos lá de baixo, do salário mínimo do meu marido, com seu esforço e luta, minha compreensão e colaboração conseguimos vencer, criar e educar quatro filhos com dignidade. Hoje somos uma familia classe média alta, mas, não somos diferentes, nem melhores, vivemos e somos pessoas simples ensinando aos filhos e aos netos o valor do trabalho sério, a não se sentirem ou fazerem distinção entre os outros que o valor das pessoas não estar no ter e sim no ser.Todos trabalham e cuidam de suas vidas e de suas familias.
Meu marido, é bem conceituado, trabalha muito na verdade, sua preocupação é manter sua empresa funcionando, mesmo nos tempos difíceis e de crises para gerar trabalho e dar segurança aos seus funcionários não, para crescer sempre mais e mais...
Por isso sou feliz,amiga!
Beijinhos!
Celle

J.Ferreira disse...

Olá!

Não posso deixar de comentar o texto que escolheste para publicar aqui.
Sei que tudo o que escolhes é quase igual ao que podias ter escrito tu própria, aliás só percebi no fim que não era teu.

É a nossa forma de estar na vida, sempre foi, e vejo-te totalmente retratada aqui.

Pedir pouco, dar muito para receber a paz e a harmonia.

beijo,
J.Ferreira

Fernanda disse...

Olá!

Fico muito feliz quando comentas os meus posts.
Sei que há muita coisa de semelhante, mas não é meu.
Obrigada.

Beijo

Celle disse...

Fernanda, perdoe-me!
li o texto, gostei, e no final li seu nome,confesso sem maiores cuidados, esperavam por mim 209 emails para abri-los, selecionei os do SJ que precisavam de respostas e mandei bronca... era horário do almoço,na pressa, marido chegando!!!
Beijos
Celle

Ana Martins disse...

Querida Ná,
A maior riqueza que podemos ter é saúde e amor. Tenho uma família linda a quem muito amo, não sou rica e sou muito feliz.

Este é mais um texto que tem o teu rosto, poderia muito bem ter sido escrito por ti, adorei amiga!

Beijinhos,
Ana Martins

Fernanda disse...

Querida Ana,

Obrigada amiga pelas tuas doces palavras.
A felicidade não se compra, constrói-se com muito querer, muito afecto e amor.
Especialmente, valorizando todos ínfimos pormenores que a vida nos. proporciona.

Beijos