03/12/2009

Qual o café mais forte?

Qual o café mais forte? O curto ou o cheio?

Eis a resposta dada pela Delta Cafés:

Em resposta à sua questão, venho por este meio informar-lhe de que:

Bica "curta"
Volume total - ± 25 cc
Conteúdo de cafeína 87,0 mg

Bica "normal"
Volume total - ± 35 cc
Conteúdo de cafeína 94,5 mg

Bica "cheia"
Volume total - ± 45 cc
Conteúdo de cafeína 98,1 mg

Sendo assim, podemos concluir que um café expresso (vulgar "bica"), resulta da pressão a que a água atravessa as partículas de café moído e da consequente emulsão que essa pressão origina, das substâncias gordas do café – os óleos aromáticos e os colóides – o que caracteriza e distingue esta bebida das restantes pela sua densidade, creme, corpo e sabor persistente na boca.

Reconhece-se um bom expresso pela cor e textura do creme à superfície, o qual deverá ser levemente acastanhado (cor avelã) e com ligeiras nuances mais escuras no centro e sem "Bolhas". A sua espessura deverá ser de 3 a 4 mm e consegue-se analisar essa espessura se ao deitarmos açúcar na bebida, o creme consiga sustentar durante poucos segundos essa quantidade de açúcar, indo-se depositando no fundo da chávena de forma gradual.

Quero-lhe pedir desculpa por só agora lhe estarmos a responder e quero aproveitar para lhe informar de que caso necessite mais alguma informação, por favor não hesite em contactar-nos novamente!

Com os melhores cumprimentos,

(Núcleo Inovação & Concepção)
Novadelta, Comércio e Indústria de Cafés, S.A.
Herdade das Argamassas
7370 - 171 Campo maior
Tel: 268680000 \ Telm: 932682417
Fax: 268688961

A partir de agora já sabe:

Quer menos cafeína??

Então sai ...ITALIANA!
Não mais o “Abatanado”! Nem a “cheia”

13 comentários:

Luis disse...

Caro João,
Para mim é um descafeínado... "à cause du coeur"!!!
Mas é bom que se faça este esclarecimento pois a maioria das pessoas julgam ser ao contrário, que quanto mais curta a bica mais concentração teria de cafeína!
Um abração.

Fernanda disse...

Querido amigo João,

Eu como o Luís só descafeinado e só um por dia "à cause des nerfs":)

Sabia sim que quanto mais curto menos cafeína, mas sei que há muita gente que pensa o oposto,
Portanto é muito oportuno este seu texto.

Há agora outra maneira de pedir um café no Porto... foi a Milai que me contou e é muito cómica. Vamos ver se ela vem contar...

Beijinhos

Irene Moreira disse...

João como adoro um café e ,para mim , tem que ser um bom pó de café porque tomo café puro sem açucar nem adoçante, achei muito interessante a explicação que foi dada pela Delta Cafés. Muito bom nos proporcionar essas informações de coisas do nosso cotidiano. Abraços

Maria Elvira Bento disse...

Que informação útil. E eu que tanto abusava dos abatanados...por ter muita água! Aqui encontro sempre algo para apreciar, aprender e deliciar-me. Bijs

Dina disse...

Há anos que bebo café curto aconselhada nada mais e nada menos que pelo tio Rui, ou seja o Sr. Comendador Rui Nabeiro em pessoa.
Vivi muitos anos perto de Campo Maior, foi lá que pela primeira vez entrei numa escola já não como aluna mas sim como professora e duas das minhas irmãs nasceram precisamente nessa vila do Alto Alentejo encostadinha a Espanha.
O Tio Rui é uma pessoa maravilhosa e se puderem ir até Campo Maior, aproveitem para visitar o Museu do Café, foi lá precisamente na companhia de Rui Nabeiro que bebi o melhor café de toda a minha vida.
Um aviso...se chegarem a Campo Maior logo pela manhã bem cedinho não estranhem o cheiro que está no ar...é o resultado da torrefacção do café e se no início pode parecer estranho...depois entranha-se e deixamos de dar por ele.

Cris Tarcia disse...

Olá, Ná!

Recebi seu e-mail e estou aqui, bem eu adoro café forte, com um pãozinho então!

Um beijo e um lindo dia

Fernanda disse...

Querida Cris,

Obrigada pela sua dedicação e por me ter dado o prazer de a ver aqui também.

Minha querida, este post foi publicado pelo amigo João Soares...não se preocupe que ele entende, o que valem são as boas intenções.

Beijinhos

Gisele Claudya disse...

Café me lembra Portugal, sabias? Noto que vcs bebem muito café, mais que os brasileiros.
Quando morei em Espinho, ficava à janela vendo o pessoal do banco abaixo do meu apartamento, atravessar a rua para o café no Salão de Chá em frente. Iam o tempo todo.
E tb fiquei encantada quando, depois de almoçarmos na casa dos meus primos, em Lourosa, saímos todos para tomar o café no bar ehehehe
Eu não tomo café no verão. Só no inverno. Mas não pode ser forte demais.
Beijocas

Isabel Magalhães disse...

Caro A. João;

Para mim é sempre um "Ristretto" (Italiana) em chávena escaldada.
Nem tem a ver com a preocupação do teor de cafeina mas porque é assim que me sabe bem.

De qq forma agradeço a informação.

Blogabraço

I.

A. João Soares disse...

Queridas Amigas,
Desculpem de não dar uma resposta individualizada a cada uma, mas afazeres privados e o muito que me espera no post mais recente, não me torna possível esse desejo. Ainda bem que este post é considerado útil, não para mudar de hábitos mas para conhecermos melhor as coisas com que deparamos diariamente.

Abraços
João

Isabel Magalhães disse...

Não sei se desculpo!






Just kidding! ;)

Pedro Faria disse...

Chego a este blogue pela oportuna e boa indicação do nosso comum amigo João Soares.
E, imaginem, foi o post sobre o café aquele que mais me estimulou para um imediato comentário. É verdade que já remoera sobre o assunto há umas semanas, quando li a resposta da Novadelta pela primeira vez.
O que me parece importante neste caso não é tanto a matéria em causa mas, sobretudo, a maneira incompleta, senão deficiente, como foi tratada.
À pergunta sobre qual o café mais forte é dada uma resposta constituída por (i) uma tabela onde são indicados, em termos aproximados, os volumes e respectivos conteúdos em cafeína das bicas curta, normal e cheia, bem como por (ii) um texto que, sendo apresentado como conclusão da informação anterior, mais não é do que uma descrição sobre a feitura de um café expresso, descrição essa que nunca pode ser inferida da tabela anterior.
Como é que daqueles dados se pode concluir que o café expresso resulta da pressão a que a água atravessa as partículas do café moído? A própria descrição, ainda por cima, é omissa quanto a um factor tão importante como a temperatura.
Ora, o problema é que este jogo que consiste em estabelecer uma relação inexistente em termos específicos, mas que pode passar despercebida por estar ligada a relações mais gerais, constitui um erro intelectual que, embora coisa de somenos no presente caso das bicas, não poucas vezes é uma autêntica impostura intelectual a que, infelizmente, muito se recorre nas lutas de poder e cativação de apoiantes.
Mas o nosso exemplo das bicas não se esgota com isto.
Afinal, qual é o café mais forte? O curto, o médio ou o cheio? É interessante notar que a resposta não foi dada. Os leitores é que parece terem concluído, pelos dados da tabela, que o café mais forte era a bica cheia, pois era aquela que tinha maior quantidade de cafeína.
Julgo que, no caso de tal conclusão, se terão deixado levar mais uma vez pelos incompetentes respondentes.
A ideia de café mais fraco ou mais forte associa-se à concentração menor ou maior dos componentes que dão corpo e gosto ao café, neles se incluindo os compostos com posterior efeito estimulante, como a cafeína. Coisa parecida se poderia dizer de outras bebidas quanto a serem mais fortes ou fracas.
Dentro desta ideia, o café mais forte, como aliás já se sabia, é o da bica curta, que é o que tem maior concentração dos componentes que conferem corpo, gosto e propriedades estimulantes ao café. (Feitas as contas, tiram-se da tabela as seguintes concentrações de cafeína, em miligramas por centímetro cúbico: 3,48 para a bica curta, 2,70 para a normal e 2,18 para a cheia).
Coisa diferente é a quantidade de cafeína que se ingere por bica. Aí a cheia ganha à curta, desde que toda esta última tenha sido tirada a passar pelo pó. A cheia fica com a cafeína que dava para a curta e mais aquela que ainda foi arrastada para acabar de encher a chávena. Também um bom prato de sopa, mediamente temperado, pode aportar mais cloreto de sódio do que um salgadinho.
Na resposta à questão da força dos cafés estranhei, ainda, a utilização, por um “ Núcleo Inovação & Concepção”, do símbolo ± em correspondência directa com a locução verbal “mais ou menos”, quando usada para significar “aproximadamente”. Quem trabalha com grandezas físicas e resultados experimentais, como os apresentados, sabe que o símbolo ± nunca deve ser utilizado no sentido de aproximadamente. Mas este deslize não destoa.
Enfim. Um exemplo tão singelo, como o das bicas, mostra-nos como podemos ser enganados com grande facilidade por um discurso cheio de trapalhices.
Um abraço.
Pedro Faria

A. João Soares disse...

Caro Faria,

Obrigado por este esclarecimento de um expert em química, que nos mostra que até com números podemos ser enganados. A superficialidade da abordagem dos problemas, em vez de esclarecer, aumenta a nossa ignorância. Infelizmente, isso +é muitas vezes usado, como no caso das escutas e noutros jogos da política.

Um abraço
João