19/12/2009

É Natal no meu país


glitter-graphics.com
Natal é tempo,
Natal é espaço,
Natal é época de abraço.

Ruas enfeitadas
Acendem-se em mil e uma cor,
Presépios de Belém
Nossa Senhora, S. José
Nascimento, acto de Amor.
As estrelas brilham
Os sinos tocam,
Árvores de Natal sucedem-se
Perfiladas em espaços definidos.
Pacotes, embrulhos,
Laços, abraços.
Sorrisos abertos,
Gestos sentidos.
Votos, devotos
Desejos rotulados
Beijos nacarados
Com sabor a passas e avelãs.

Mesa posta,
Toalha alvura
Iguarias.
Coração quente,
Amor presente
Neve na rua.
Rabanadas de leite e de vinho
Filhós de Coimbra ou do Minho.
Bolos de menina e também de arroz,
Fatias doiradas,
Sonhos sonhados,
Bolo-rei escangalhado.
Vinho quente,
Água fria,
Arroz doce
Aletria.

Lareira acesa,
Olhares que dardejam
Nos cantos e contos
Nos colos ausentes
Nos sabores de sempre.
Mãos que se estendem
E se fecham em flor
Amarrotando a dor.
Porque
Lá fora a chuva cai,
O vento assobia
E faz tanto frio!
Neste meu canto
Escuto o pranto
Dos muitos e de outros tantos
Sem mesa posta
Nem lareira acesa,
Sem manto, nem pranto
Quase sem dor
Apenas a certeza
Da lágrima que já não cai.

Natal é tempo,
Natal é espaço,
Natal é época de abraço.


É Natal no meu País!

Maria José Areal
Campos, Natal de 2009

13 comentários:

J.Ferreira disse...

É sempre um prazer enorme ler os poemas da Maria José.

Aqui está alguém que só quem conhece bem pode admirar profundamente, não só pelas suas diversas capacidades e competências, mas também pelo Ser magnífico que é, pela entrega total às suas causas e à vida que nem sempre lhe sorri...como agora!

Beijinhos e um abraço amiga, do fundo do coração,
Ná e José Ferreira.

Tite disse...

Lindo e singelo este poema que reflecte o sentimentos maravilhoso de uma alma maravilhosa como o testemunha o José Ferreira que comentou antes de mim e que conhece a autora.

Maria José,
Um Feliz Natal numa Noite Encantada fazendo esquecer as agruras do tempo e da vida

Fernanda disse...

Querida Tite,

Respondo-te em nome da Maria José, fui eu que postei o seu poema.
A nossa amiga poetiza é praticamente da família, não é só o José que a conhece bem.

Ela é mesmo maravilhosa e as suas poesias são fabulosas. Reflectem bem a pessoa que é.

Obrigada por teres comentado.
Beijos
Olá Cristina!

Nada como ver um bom fumeiro para parar e ler.
Gostei muito do teu texto, tem as tradições do antigamente e cheira a campo...ummmmmmmmmm que bom!

Manter as tradições vivas é importantíssimo. O seu texto tem essa riqueza que se está a perder.
Parabéns.
Boa sorte.

Luis disse...

Querida NÁ,
Não sei o que aconteceu mas o meu comentário não saiu e por isso vou tentar faze-lo de novo.
Dizia, eu, que este poema era lindo de morrer e que estava de acordo com o nosso espírito no Blogue. Particularmente na parte final em que se sentia a frustação de haver pessoas com grandes dificuldades em contra-ponto com outras em que nada falta! Natal devia ser sempre e não só numa curta epoca! Fiquei com muita pena ao ter lido num seu comentário que o Pedro não poderá vir mas acredito que a sua presença estará no Vosso coração de Pais!
Aproveito para pedir desculpa de ter postado a homenagem da Celle a sua Mãe apesar de extensa, mas acho que ela merece e que se não vai zangar comigo por te-lo feito.
Já lhe escrevi a pedir mil perdões.
Um grande e amigo beijinho.

Fernanda disse...

Querido amigo Luís,

Eu também a recebi e estava só a ver quem publicaria, se o amigo João ou um de nós, porque vi que a nossa Celle mandou-a para nós três.

Por mim acho que fez muito bem. Ela é nossa colega, o texto é lindo, só peca por ser um bocadinho extenso... mas lê-se muito bem.
Eu adorei.

Sabe que às vezes também me acontece, sobretudo nos Blogues que ficam os comentários para apreciação e não só.
Acontece-me muitas vezes pensar que estou a ficar senil. Acontece a todos, eu penso.

Pois meu amigo, o nosso Natal vai ser mesmo só a dois. Pela primeira vez. Só lamento que o Pedro não possa vir.
Tivemos vários convites mas queremos paz e sossego e sem o Pedro já não é a mesma coisa.

Se me sentir triste, o que será difícil, com o José ao meu lado e uns telefonemas pelo meio, ficaremos bem.

Beijinhos

Luis disse...

Querida Ná,
Acredite que fiquei triste por não ter conseguido que o Pedro viesse até porque o mesmo me acontece com o meu, ainda que por outras razões.
Mas no meu caso no dia seguinte já estarei com ele e, por isso, não é bem a mesma coisa.
Eu Também esperei que um de nós postasse a homenagem da Celle mas, como sou ainda mais rápido e "danado" que a Ná acabei por ser eu a faze-lo. Mas tive o cuidado de antes ver se alguém o tinha feito para não haver duplicações. Julgo que ela vai ficar contente!
Beijinhos amigos

Fernanda disse...

Querido Luís,

O Pedro esteve comigo hoje quase duas horas de manhã, tenho uma série de fotos que irei publicar no Rau dentro de dias, antes do Natal.
É o meu presente de Natal.

Amigo, quanto ao caso Celle e à sua postagem já disse o que tinha a dizer.
Está feito "no hard feelings".
É NATAL!!!!
Beijinhos

Pedro Ferreira disse...

Sendo um poema da Zezinha, não posso deixar de dizer que é mesmo dela.
Quem a conhece sabe, tem o carisma dela, a forma peculiar de escrever poesia, como só ela o faz.
Lindo e claramente o espírito do verdadeiro Natal presente.

Beijinhos para ela e montes deles para ti e para o pai um abração.
Pedro

Fernanda disse...

Olá Filhote!

É como dizes, a Maria José tem esta belíssima forma de comunicar em poesia, de dizer as coisas desta forma única.

Beijinhos mil.
Hoje estou muito feliz porque falei contigo (2 vezes) e tu deste-me uma prenda linda.
Abraço do pai.

A. João Soares disse...

Querida Ná,

Obrigada por aqui trazer uma poesia que nos faz pensar.

Beijos
João

Maria Elvira Bento disse...

Maria José

Não é só por, em conjunto, os homens estarem a viver uma época de magia (embora muitos não se apercebam) que tudo que fazemos parece que é tocado por uma varinha especial, que tem o condão de dar vida aos sentimentos, engrandecê-los, num contagiante partilhar fraterno e emotivo. É isso que o seu belo poema transmite.

Com saber e emoção, esculpe, em palavras, um presépio de sempre: aconchegante, solidário, familiar, simples, partilhante, tocando no ponto que o actual consumismo mundial consegue confundir no desvario das compras; foca o presépio, fala de Jesus do nascimento do Deus Menino, fala das estrelas que nunca brilham tanto como naquela noite de Paz e de Amor. Lembra-nos Nossa Senhora e São José: a Família (a chave de uma sã sociedade).

Parabéns, Maria José, por nos ter levado pelos caminhos natalícios, através de palavras numa boa e bela poesia. Feliz Natal e que 2010 seja bom, com o coração do Natal a bater, todos os dias, nas nossas vidas.

Anónimo disse...

a poesia é sempre uma janela. Permite-nos espargir o olhar e com ela levar a alma para lá do horizonte.
A poesia palavreia os sentimentos em movimentos concentricos projectando-os no espaço e na gente.
Assim, O Natal no meu país, mais não diz o que todos sabemos e sobretudo sentimos. Marca o carinho desse tempo, a nobreza da época e as tradições com cheiros, odores e sabores. Mas empurra-nos para o tempo desigual. Ausência de mesa, de lareira acesa de canto e de pranto. Um Natal assim, tão desigual é sempre um sofrimento.
Chamar a atenção para este Tempo poderá funcionar como mais uma chama a arder nos nossos corações. Bem hajam aqueles que a souberem entender

Fernanda disse...

Amigos,
Recebi por e-mail esta mensagem da Maria José Areal.

"Como não sei e não posso entrar no blog, gostava de poder dizer:

Obrigada pelas palavras, pelo carinho e pelo tempo que me deram. à Ná, ao Ferreira e ao Pedro (família) um enorme abraço.

Aos restantes que não tenho o prazer de conhecer.. quanta gentileza, quanto carinho!
Bem Hajam.
Gostei dos vossos presentes de Natal.
Feliz Natal e um Excelente Ano Novo.
Repartam por todos vós o meu apreço e carinho.

Maria José Areal"