28/12/2009

Lapinhas de Natal - Fim.


O DESTINO ...
Em 1967 estava eu no 2º ano da Preparatória. Nessa altura já o meu irmão mais velho trabalhava no BPA. Foi a minha vez de ser chamado a essa instituição bancária para fazer testes para admissão. Éramos três para uma vaga, entrei eu.Estávamos em 26Jun1967, fazia eu 14 anos no mês seguinte. O meu pai achava que era por aí o futuro.

E assim acabava a minha infância. Chegava ao mundo do trabalho.
A minha vocação nessa altura, era o direito ou a marinha. Tive que virar-me para o curso comercial nocturno. Trabalhar com 14 anos e estudar à noite foi violento.

Nos meus tempos livres, o campismo selvagem era uma das actividades que eu adorava. Por isso numas férias, com a companhia de outro colega meu amigo, decidimos de tenda às costas, vir para o Minho. Entramos no comboio com bilhete para Monção. Quando passamos Viana do Castelo, aquela paisagem junto ao rio deslumbrou-nos. Ao fim de alguns anos de cidade aquilo era a miragem do paraíso. Decidimos sair na primeira estação onde o comboio parasse. Parou na Breia e saímos em direcção ao rio, era perto já que se avistava do apeadeiro. Instalamos a canadiana e fomos procurar comida.
Depois de andarmos um pouco encontramos um tipo café chamado “Pinoca”. Estavam uns senhores numa mesa a beber uns copos e jogar cartas, como é típico nestes lugares ainda hoje, todos se cumprimentam. Vimos um presunto e uns salpicões e abastecemos-nos por aí.
Entretanto palavra puxa palavra, já estávamos a beber uma malga do verde. Depois de revelar a nossa intenção de ficar por ali uns dias, o dono ofereceu-nos um garrafão de vinho, com a promessa de lhe devolvermos a embalagem. Estivemos os quinze dias disponíveis de férias naquele mesmo lugar a "Lenta".(Hoje existe perto o Inatel) Durante as noites quentes, muitos banhos eram tomados conforme viemos ao mundo. Liberdade total.

Aproximava-se a época da tropa e como não tinha o curso terminado decidi deixar a “Oliveira Martins” e passar para aluno externo. Inscrevi-me numas salas de estudo particular, o que me levou também a conhecer outros novos amigos.
Entre eles o Tó (António). Extra trabalho, passou a ser um dos meus amigos preferido, tínhamos gostos semelhantes e passatempos comuns.
Numa viagem de finalistas ao Gerês, organizada pelo externato onde estudávamos, vim a conhecer uma das irmãs do Tó, que por acaso também já tinha visto no externato, mas só de passagem. Chamava-se Maria Fernanda, nos círculos mais próximos a Ná.

Quis o destino, que após dois anos de felicidade, juntássemos os trapinhos.

Só depois é que vim a saber que aquele senhor que um dia me deu um garrafão de vinho, numas férias divinais na Breia em Vila Nova de Cerveira, era afinal o célebre artesão da vila e curador especialista em presuntos, o Tio Lourenço, irmão do meu sogro, cuja terra Natal é mesmo esta, onde agora vivemos.

Mais uma vez o destino fez das suas, existe mesmo...

Dedico estas narrativas como tributo, aos meus avós, Rosa e Lobo, e ao meu filho Pedro que não teve a sorte de viver a infância, tal como eu a vivi, no campo, onde tudo é diferente.

11 comentários:

Fernanda disse...

Olá!

Ainda bem que sou a primeira a comentar... sabes que também acredito no destino que nos foi traçado... e cada vez acredito mais!
Esta pequena história, completamente verídica, aqui descrita em traços muito gerais, daria um belíssimo livro.
Aqui está resumidamente a vida de uma pessoa que foi sempre introvertida, sempre de uma educação esmerada, sempre conscienciosa e humana, amiga de todos os seus amigos e que ama e defende a sua família acima de tudo.

Obrigada por teres tido a coragem de te expores.
Beijos,

A. João Soares disse...

Amigo José,

O destino é impossível de desvendar, umas vezes dá dor outras dá prazer. Uma vez feriu o cão amigo, mas da outra deu-lhe a cara-metade com quem partilha a vida, com felicidade.

Felicito-o por estas descrições que lhe devem ter dado bem-estar ao reviver momentos agradáveis da meninice e juventude.

Um abraço
João

Anónimo disse...

Dear José,

I was able to understand, using my own translator, that is the story of your life since you were a young boy till the moment you met my good friend Ná and got married.

The three of us are good friends, and I fell blessed for that. Ná is like my second mother and you're a wonderful friend.

Love you both,
Piyumi Gamage

Anónimo disse...

I'm so sorry, my beloved friends,

I forgot completely the reason what brought me here:

Only the music reminded me :)

HAPPY NEW YEAR FULL OF JOY AND HAPPINESS!

Love you loads.
Piyumi Gamage.

Pedro Ferreira disse...

Olá Pai!

Apesar de nesta parte final já ter conhecimento de muitas das coisas que aqui contas, eu descobri outras tantas que desconhecia de todo.

Ler coisas que também me tocam, porque esta não é uma história qualquer, é a tua vida e como a mãe entra nela e está na minha origem e em tudo o que sou é muito comovente.

Estou sobretudo muito orgulhoso de ambos, mas neste caso mais de ti, porque tiveste muita coragem em mostrar-te tal qual és.

Obrigado e parabéns.
Abração,
Pedro

J.Ferreira disse...

Olá Pedro e um olá especial também à nossa grande Senhora!!!
Vai-se babar toda:)

Obrigada a ambos por todas as palavras e pelo apoio.
Esta é uma das partes mais importantes da minha vida, a que eu achei que devia dar a conhecer.
Todos nós temos as nossas histórias mais ou menos marcantes.
Um dia, talvez contarás a tua, e lembrarás da minha e de outras da tua mãe.
Esta é a maior riqueza que temos bem como esta união forte, apesar da distância.

Abraço enorme,

J.Ferreira disse...

Caro amigo João,

Assim é. Efectivamente passei em traços muito gerais pela minha meninice até aos meus 22 anos, altura em que deixei de ser um jovem para ser um homem casado.

Foi interessante deixar este testemunho.
Agradeço o seu generoso apoio que me estimulou até ao fim.

Abraço
José Ferreira

J.Ferreira disse...

Dear Piyumi,

As you know my English is no longer as it used to be. Lack of practice.

Thank you for your friendship, especially for all the trouble of translating the text to have a correct ideas of what I was writing about.

Thank also for your wishes.

May all your wishes come true.
José

Luis disse...

Meu Bom Amigo José,
O Destino é algo que nos marca para sempre quer queiramos quer não. O seu é prova disso mesmo e que Destino mais afortunado!!!
Reviver esse seu Passado deve-lhe ser muito grato pelas grandes alegrias por que passou!
Os meus parabéns pelo seu "abrir-se" a todos nós transmitindo-nos essas suas memórias.
É por isso mesmo merecedor do seu "Clã Familiar"!
Um abraço amigo extensivo a todos os três.

Fernanda disse...

Comentário extraído do e-mail da maninha Celle.

Parabens ao José, acompanhei sua narrativa, descrita com emoção e gostaria de lhe dizer que também sofri com um crime acidental cometido contra a Flika, a cachorrinha Chihuahua, (não sei como se escreve) da Regina Marcia, que eu ocasionei. Me senti uma assassina por um tempo!

Chorei como criança, de remorços, dó e de aperto, arrependida e aflita.
Assassinei a cachorrinha, pensei na hora, como dizer à minha filha o que aprontei...
Como dizer-lhe: matei sua cachorrinha, foi culpa minha. Queria morrer...

Este drama maninha queria contar ao José no comentário que faria sobre seu artigo, sei bem o desapontamento que sentiu...

Abraço
Celle

J.Ferreira disse...

Caros amigos Luís e maninha da Ná, amiga Celle,

Muito obrigado pelos vossos elogiosos e estimulantes comentários.

Um Bom Ano para ambos.
Abraço ao Luís e beijinho à Celle.

José Ferreira