08/05/2009

O TRABALHO DIGNIFICA O HOMEM

FELIZ DIA DO TRABALHO A TODOS!

No Ramayana, uma das grandes epopéias indianas, conta-se a história do príncipe Rama, um jovem cheio de virtudes. A esposa de Rama, Sita, fora sequestrada pelo perverso Ravana.

Ajudado por ursos e macacos, o valente Rama tentava construir uma ponte até à ilha de Lanka, onde viviam Ravana e a prisioneira Sita. Os ursos carregavam pesadas árvores e os macacos traziam pedras.

Mas, não havia trabalho para um grupo de esquilos. Pequeninos, sem muita habilidade, eles apenas conseguiam pôr alguns grãos de areia na ponte que se formava. Os esquilos faziam assim: molhavam-se na água e depois rolavam na areia. Os grãos de areia grudavam no pêlo e eles corriam até à ponte. Ali, sacudiam a areia sobre a construção.

Narra a história que os outros bichos riam dos esquilos e desprezavam suas tentativas de colaborar. E os esquilos se sentiam humilhados porque seus esforços não eram valorizados. Alguém resolveu contar a Rama o gesto dos esquilos. Esperava que Rama também risse dos bichinhos ingênuos.

Venha vê-los,Rama, venha se divertir também com esses esquilos tolos! Mas Rama observou os animaizinhos, que rolavam na areia, enquanto todos à sua volta haviam parado o trabalho para rir. Gentilmente, ergueu um deles do solo. Acariciou-lhe a pelagem e disse,com amor: Um dia, todos ouvirão falar sobre a ponte para Lanka. Louvarão o esforço dos ursos e dos macacos, mas eu sou grato a todos os que trabalham. E você, pequenino, tem minha eterna gratidão.

E, diante de todos que olhavam a cena, o príncipe Rama deu um presente ao esquilo. Acariciou-lhe as costas e seus dedos ali deixaram três listras brancas. Esta, pequenino, é a marca de minha gratidão, disse Rama.

Todo o Ramayana é composto de histórias como esta, que trazem um profundo ensino moral. Esta nos faz refletir sobre gratidão, generosidade e, principalmente, a importância do trabalho. Por mais humilde e obscuro que seja, cada um de nós tem um papel muito importante no Mundo. Aparentemente, outros são mais importantes, contribuem mais, têm tarefas maiores. Aparentemente.

Mas lembremos, por um momento, a falta que fazem porteiros, vigias, garis, faxineiras, empregados domésticos. Todos são muito importantes. São homens e mulheres que se esforçam para ganhar o pão de cada dia, tantas vezes regado com lágrimas que ninguém vê. Para Deus, todo esforço é válido, todo trabalho é digno, todo trabalhador merece recompensa. A medida do Mundo não é a medida Divina.

É que Deus, que conhece a nossa alma, sabe avaliar com exatidão o nosso esforço, capacidade e talentos. Ele sabe que o que é simples e fácil para um, pode exigir muito de outro. E Deus, que também vê no silêncio e na solidão, acolhe e ama cada trabalhador pequenino neste Mundo tão vasto.

Que cada um de nós possa ver os trabalhadores do Mundo sob a lente do imenso amor Divino.

6 comentários:

Fernanda Ferreira disse...

Amigo Luís,

Tudo muito bem...trabalhar dignifica todos os seres humanos...mas... e mais não digo!!!

Beijão,
Fernanda Ferreira

A. João Soares disse...

Amigo Luís,
Mais uma boa lição vinda do Oriente. Na sociedade capitalista actual, em tudo se subordina à ganância do dinheiro, esquece-se o facto de a empresa ter obrigações perante os donos do capital, os gestores, os trabalhadores a todos os níveis, os fornecedores, os clientes e a sociedade envolvente.
A empresa precisa de dar atenção a todos estes figurantes e, por isso a distribuição dos lucros não deve beneficiar apenas os donos do capital e os gestores, mas principalmente os trabalhadores que foram indispensáveis para a obtenção dos lucros. Eles não podem ser esquecidos. A sociedade envolvente deve ser «acariciada» por outras formas principalmente pelo mecenato. Nela se incluem os familiares dos trabalhadores, os vizinhos, que são clientes e por vezes fornecedores. Fornecedores e clientes devem ser respeitados e tratados com seriedade e honestidade; no mínimo devem ver as suas contas pagas com regularidade.
Imaginam como a sociedade será mais harmónica e feliz quando estes aspectos forem encarados com franqueza e lealdade.
Abraços
João

Luis disse...

Querida NÁ,
Não sei o que quer dizer mas,,, emais não digo! Amiga quando falo em trabalho não falo em escravatura pois isso nunca devia ter existido...
Mas tenho como lema que o ócio é que origina os piores vicios! Mesmo nós reformados e sempre jovens damos exemplos de bons trabalhos! Se não entendi o que queria dizer desculpe-me...fica para a póxima!
abraço amigo

Fernanda Ferreira disse...

Qurido Amigo Luís,

Hoje estou mesmo de folga... só terão um post meu e um comentário, este, especialmente por ser para quem é... que tal??? gostou!!!

Amigo, "e mais não digo..."
Primeiro eu não sou reformada, não recebo pensão, não arranjo emprego. O pouco que faço (que é muito, em casa, etc) não é remunerado nem reconhecido como trabalho...
Trabalhar realmente dignifica...mas nem todos o temos.

Bom fim-de-semana.
Beijinhos

Luis disse...

Querida Ná,
Compreendido e desculpe-me não ter percebido! No entanto quero-lhe afirmar que o trabalho chamado doméstico é um trabalho muito duro e já nalguns paises civilizados é devidamente remunerado pelo Estado.
Eu concordo!
Com toda a compreensão do amigo

Fernanda Ferreira disse...

Querido Amigo Luís,

Eu sei que sim...e também sei que concordaria...por favor, não me peça desculpa...eu não me expliquei.

Beijinhos.