26/01/2010

Mosteiro da Batalha e a sua História...

Monumento do gótico, um dos primeiros onde se estreou a arte manuelina é uma das mais belas Igrejas da Europa no final da Idade Média.

O nome e a vida da Vila da Batalha são consequência da história do seu mosteiro de Stª Maria da Vitória.
Passados três anos do dia 14 de Agosto de 1385, data da Batalha de Aljubarrota, quando o Mosteiro começou a ser construído, no cumprimento do voto feito por D. João I à Virgem, de lhe dedicar um mosteiro se derrotasse o invasor castelhano nessa heróica batalha, decisiva para a consolidação da independência de Portugal e para o surgimento da nova Dinastia de Avis.
O Mosteiro foi nomeado pela UNESCO Património da Humanidade.

A Padeira de Aljubarrota

Brites de Almeida não foi uma mulher vulgar. Era feia, grande, com os cabelos crespos e muito, muito forte. Não se enquadrava nos típicos padrões femininos e tinha um comportamento masculino, o que se reflectiu nas profissões que teve ao longo da vida. Nasceu em Faro, de família pobre e humilde e em criança preferia mais vagabundear e andar à pancada que ajudar os pais na taberna de donde estes tiravam o sustento diário.

Aos vinte anos ficou órfã, vendeu os poucos bens que herdou e meteu-se ao caminho, andando de lugar em lugar e convivendo com todo o tipo de gente. Aprendeu a manejar a espada e o pau com tal mestria que depressa alcançou fama de valente. Apesar da sua temível reputação houve um soldado que, encantado com as suas proezas, a procurou e lhe propôs casamento. Ela, que não estava interessada em perder a sua independência, impôs-lhe a condição de lutarem antes do casamento.
Como resultado, o soldado ficou ferido de morte e Brites fugiu de barco para Castela com medo da justiça.

Mas o destino quis que o barco fosse capturado por piratas mouros e Brites foi vendida como escrava. Com a ajuda de dois outros escravos portugueses conseguiu fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por uma tempestade, veio dar à praia da Ericeira.
Procurada ainda pela justiça, Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve. Um dia, cansada daquela vida, aceitou o trabalho de padeira em Aljubarrota e casou-se com um honesto lavrador..., provavelmente tão forte quanto ela.

O dia 14 de Agosto de 1385 amanheceu com os primeiros clamores da batalha de Aljubarrota e Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza. Pegou na primeira arma que achou e juntou-se ao exército português que naquele dia derrotou o invasor castelhano. Chegando a casa cansada mas satisfeita, despertou-a um estranho ruído: dentro do forno estavam sete castelhanos escondidos. Brites pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali. Tomada de zelo nacionalista, liderou um grupo de mulheres que perseguiram os fugitivos castelhanos que ainda se escondiam pelas redondezas.
Conta a história que Brites acabou os seus dias em paz junto do seu lavrador mas a memória dos seus feitos heróicos ficou para sempre como símbolo da independência de Portugal. A pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da procissão do 14 de Agosto.

Informação recolhida na Net
Fotos de Pedro Morgado





Ver mais fotos aqui.
Fernanda Ferreira (Ná)

10 comentários:

Luis disse...

Querida NÁ,
Lembrar a nossa História e seus feitos é algo que só fica bem neste blogue e a NÁ sabe bem faze-lo! Parabéns pelo texto e pelas fotografias desse mestre que trouxe para o blogue!
Beijinhos amigos.

Fernanda disse...

Querido Luís, amigo!

Faço o que mais gosto e sei fazer...é verdade.

O mestre Delgado, presenteou-me com mais estas fotos, não as podia guardar só para mim :)))

Obrigada
Beijinhos

Celle disse...

MANINHA, aprendi um pouco mais sobre sua terra! Interessante a vida desta mulher singular que me pareceu bem resolvida e atirada, sabe o que quer e não teme as consequências, segura do que faz. Sem medo e com determinação como uma outra grande mulher que conhecí a pouco e que a cada dia mais a admiro.Você!
Belas fotos que me permitiram conhecer este fantástico Mosteiro com seus detelhes arquitetõnicos.
Passeei pela agradável Casa do Rau e como sempre, saí com pesar!
Beijinhos
Celle

direitinho disse...

Este tema foi também abordado pelo Professor José Hermano Saraiva este mês na Tv-2.
Gostei do texto e da história.
Por aqui dizem aos meninos:
- Portem-se bem...olha o papão...
Em Espanha dizem aos meninos:
- portem-se bem...olha que vem lá a padeira de Aljubarrota....

Fernanda disse...

Querida Celle,
Maninha!

Fico muito feliz que tenha gostado... muito, mas a comparação com a padeira de Aljubarrota não, por favor...eu não sou nem grande, nem feia, nem máscula ahahahahah!

Já se me queixou várias vezes que não consegue comentar no Rau, mas é igual lá como aqui, não sei porque não consegue!!!

Beijinhos

Fernanda disse...

Amigo Luís Coelho,

Sou fã de José Hermano Saraiva, tenho contudo perdido muitos programas dele para estar por aqui, nessa hora, com os meus amigos.

Essa dos Espanhóis amedrontarem os filhos com a Padeira de Aljubarrota está demais, aahahahah!

Beijinho

Celle disse...

Ná, minha amiga, estava esperando a bronca. Depois que publiquei me dei conta que seria incompreendida pela comparação! rsrs
Longe de mim maninha compará-las fisicamente, impossível, nada a ver.Na pressa de ler e comentar só raciocinei pelo lado do dinamismo da coragem, do trabalho, da disposição que sinto em você e muito admiro.Não leve em consideração essa trapalhona que lhe quer muito bem!Aceite minhas desculpas.
Celle

Fernanda disse...

Querida Cele, mana!

Estava a brincar consigo...
Não me peça desculpas nunca, eu entendo-a perfeitamente.
Foi uma forma de fugir ao seus elogios que não mereço.

Beijinhos

Ana Martins disse...

Querida amiga,
eram tempos difíceis, mas hoje contados tornam a nossa história tão bonita!

Beijinhos,
Ana Martins

Fernanda disse...

Querida amiga Ana,


Eram certamente tempos de guerras, de lutas...mas é a nossa História.

Beijinhos