06/01/2010

A crise ensina a pensar

A crise reduziu o poder de compra de muita gente principalmente das famílias flageladas pelo desemprego. Mas mesmo os que a não sentiram tão fortemente, passaram a dar mais valor ao dinheiro e a aprender a gastá-lo com regras, com conta, peso e medida. As compras devem se precedidas de raciocínios lógicos quanto à necessidade do produto, à sua utilidade, à escolha do modelo mais adequado ao uso que se lhe irá dar, ao preço e à qualidade.

Há indicadores de que muita gente aprendeu a abster-se de coisas supérfluas, de imitação dos outros, de ostentação, etc.

Agora aparece o indicador da ACAP, nas notícias «Desde 1988 que não se vendiam tão poucos automóveis ligeiros em Portugal» e «Vendas a par de 1987 nos automóveis». São indicadores saudáveis que levam a que se felicitem os portugueses por estarem a ter mais juízo na sua economia doméstica.

Mas é preciso que os governantes estejam atentos e não caiam na asneira havida em relação ao BPN em que sacrificaram dinheiro dos contribuintes, para obviarem aos crimes dos administradores da empresa. A ACAP está a pressionar para serem mantidos os incentivos ao abate de veículos antigos como forma de apoiar o sector automóvel, estimulando as vendas, o que aumenta as importações e a dívida externa. Sobre este aspecto sugiro a leitura do post «Contribuintes pagam abate de carros».

A crise aconselha a manter os carros enquanto puderem funcionar com segurança e economia, o que deve ser deixado ao critério dos seus proprietários. O Estado já tem a garantia de segurança através das inspecções obrigatórias, não deve gastar o dinheiro dos impostos para fazer o jogo da ACAP. Por outro lado, a loucura do abate de carros em razoável estado de funcionamento prejudica muitas centenas de oficinas de manutenção e reparação e manda para o desemprego milhares de profissionais que nelas trabalham.

Já temos carros a mais, como se vê nos subúrbios de Lisboa nas horas de ponta, com as estradas pejadas de carros com apenas um passageiro cada. Ser-lhes-ia mais cómodo e mais económico irem para o emprego de autocarro ou comboio, pois a maior parte não utiliza o carro durante o dia.

O abate de um carro ainda utilizável devia ser penalizado e não estimulado.

6 comentários:

Fernanda disse...

Querido amigo João,

Mais uma vez estou consigo em todas e cada uma das palavras aqui ditas.

O tempo do consumismo desenfreado acabou... ter um carro por pessoa e usá-lo é um absurdo. Abater carros com meia dúzia de anos e em bom estado é uma aberração.
Devemos todos tentar a abstenção do uso de carro próprio, sobretudo quem mora nas cidades.
Em condições de falta de transportes púbicos devemos procurar "caronas", eu faço isso frequentemente, se um amigo tem que ir à vila, intercalamos, uma vez leva ele o carro outra levo eu.

ELES tentam sempre (e o pior é que conseguem sempre) que as medidas mais estapafúrdias sejam postas em vigor.

Que este povo acorde de vez e deixe de tentar imitar o que o vizinho faz de errado, não vivam de ostentações, não serve de nada, só mostram mesquinhez e ignorância.

Ainda me lembro do meu primeiro "boguinhas" um Austin Metro preto que adorava. Viveu comigo aventuras incríveis e eu chorei quando o José o vendeu, porque estava a acusar o desgaste e a dar muita despesa.

Beijinhos

A. João Soares disse...

Querida Amiga Ná

A sua opinião é a de uma pessoa inteligente que usa a sua cabeça para raciocinar, coisa rara nos nossos dias. Esses ricaços da ACAP o«´pensam que eles são imprescindíveis e têm o direito de ser ricos à custa da população exigindo ao Governo que dê incentivos para abate, à custa dos nossos impostos e por outro lado querem roubar-nos directamente convencendo-nos a abater carros só para eles poderem fazer mais negócios.
Por mim eles só servem para me servirem e eu ter onde comprar um carro quando desejar. Não sou escravo de publicidade nem de propagandas enganosas. Posso errar, mas quero errar sozinho sem o empurrão desses exploradores.
Sei que levarão a melhor com a maior parte das pessoas vaidosas e de pouco cérebro que precisam de um carro novo para serem admiradas, porque o seu valor é nulo, e o Governo gosta de satisfazer a voragem de exploradores que lhes podem dar «presentes» e tachos.

Abater um carro que tem condições para cumprir o seu dever é um crime contra as finanças nacionais e o bolso de pessoas de bem.

Beijos
João

J.Ferreira disse...

Caro amigo João,

Ensina e de que maneira!
Só é pena que não se sinta nos bolsos dos que nos andam a desgovernar, para não lhe chamar mais nada, não que não o mereçam.

Abraço,
José Ferreira

A. João Soares disse...

Caro José,

A redução nas compras de carros já é um bom sinal de que as pessoas já pensam um pouco. Oxalá aprendam a gerir a própria vida, a economia donméstica, deixando-se de consumismo, de ostentação, de imitação e de se deuixarem iludir pot vampiros que só procuram sugar o sangue dos distraídos.

Um abraço
João

Pedro Ferreira disse...

Caro amigo João Soares,

Até aqui se sente.
Eu trabalho no ramo, vendo e experimento carros da Honda. Quando vim para a Empresa há meses, éramos cinco, afora somos apenas três.
Curiosamente os carros mais caros continuam a vender-se, mas aqui os carros não vão para o abate, são enviados para os países pobres, África em especial.

Concordo 100% consigo, há desperdício em todas as áreas. Um carro por família deve ser suficiente.
Aqui são usados os metros de superfície pela grande maioria das pessoas. Os preços são acessíveis e há transportes a toda a hora.
Os políticos portugueses precisam seguir os exemplos do que se pratica nos outros países, onde as provas são positivas e deixar-se de encher os próprios bolsos e os dos amiguinhos.

Abraço
Pedro

A. João Soares disse...

Caro Amigo Pedro,

Na ginástica de raciocínio que aprendi durante a vida, não me espanta a falta de vergonha de a ACAP pressionar o Governo para financiar o abate de carros em razoável condição de funcionamento. Defendem a sua apetência pelo lucro.

O que ma choca é o Governo lhes fazer a vontade. Começou por criar a inspecção obrigatória que dá maçada e despesas aos proprietários de carros, mas em nada reduziu a mortalidade nas estradas. É que os políticos não têm capacidade intelectual e independência de espírito para ver que a causa da mortalidade é de cultura, de formação cívica dos condutores. E isso aprende-se nas escolas e, como não lhes foi ensinada na devida altura, agora pode corrigir-se com um policiamento rigoroso seguido de uma justiça rápida e dura, para servir de dissuasor.

Nada disso está em funcionamento porque os políticos não sabem ou não querem pensar com racionalidade.

Um abraço
João