06/02/2010

SOBRE A MESA...

Imagem da net

Sobre a mesa
Apenas uns braços caídos
E o meu olhar disforme,
Da garrafa no meu regaço
Já esqueci o nome...

Sobre a mesa
Apenas uns braços sem força
E o meu olhar ainda assim nobre,
A garrafa essa repousa
No meu colo já sem porte...

Sobre a mesa
Apenas uns braços perdidos
No abraço que não existe,
A garrafa firme e teimosa
No meu colo olho triste!

Ana Martins
Escrito a 13 de Janeiro de 2010

Inspirado numa história verídica.

11 comentários:

EDUARDO POISL disse...

"... E de novo acredito que nada do que é
importante se perde verdadeiramente
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas,
dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei,
todos os amigos que se afastaram,
todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Miguel Sousa Tavares

Desejo um lindo final de semana.
Abraços com carinho.

A. João Soares disse...

Querida Ana,

A procura daquilo que faça esquecer, ou suportar a dor de um amor incompreendido, leva a excessos que destroem o olhar nobre que passa a ser disforme e os braços a ficar sem forças, perdidos, caídos.
Situações mal compreendidas, mas facilmente condenadas, por quem não procura entrar no pensamento dos atingidos por estes dislates.
Mais um dos seus poemas humanos de profunda psicologia aplicada, traduzida em palavras convincentes.

Beijos
João

direitinho disse...

Olá Ana
Bonito este sentir traduzido em poema.
Poderia ser um texto, longo, rio de lágrimas e sofrimento....
Poderia ser um cântico, música suave e perfumada....
Apenas os braços caídos e o olhar perdido numa garrafa...........
Ana já vi o filme!
Um beijo de coragem e cada dia recomeça tudo do zero para que tenhas sempre a coragem de viver.

Fernanda disse...

Querida amiga,

Sempre belos, com mensagens fortes os teus poemas.

Beber para esquecer a solidão ou a solidão que o vício acarreta.

Beijinhos querida,

Kyria disse...

Noossa Ana,
viví esta história de "garrafa vazia" com os meus filhos.
Quando lí esta poesia meus pensamentos voaram e não consegui definir meus sentimentos.
Mesmo que o pai dos meninos permanecesse aparentemente sóbrio, pacífico e não se deitasse na mesa, as consequencias para as nossas vidas foram devastadoras.
Bjs

Luis disse...

Querida Ana,
Sei bem o que tal problema acarreta para os próprios e para as suas familias. São várias as razões que levam a esse infortúnio mas de uma maneira geral começam porque essas pessoas são fracas e não conseguem lutar e vencer os problemas que se lhes deparam! Depois é um ruir permanente com a perda total do individuo e com isso o ruir de uma familia! Por vezes a familia consegue levantá-lo e nesse caso a pessoa sobrevive!!!
O poema é por demais real e retrata bem o problema!
Um beijinho amigo.

Celle disse...

Querida Ana!
Seu poema trouxe-me tristes recordaçôes,horas inteiras nesta posição,de entrega absoluta,os braços esticados sobre a mesa, cabeça baixa, os olhos marejados,nublados,fixos não na garrafa, num retratinho no meu colo!
Cem, duzentas, mil vezes me perguntei,em vão!
-Onde está filha???
Só o silêncio, respondia!!!
Acredito que todos nós, alguma vez, ja se viu numa situação semelhante!
Beijinhos Celle

Carmo disse...

Ana

emocionante este seu poema.

Um beijinho

Bom fim de semana

Carmo

Ana Martins disse...

Caro Direitinho,
felizmente estes braços caídos e o olhar perdido na garrafa não são os meus, eu apenas me inspirei numa história verdadeira.

Caros colegas e restantes comentadores,
há imensas histórias destas, vidas e lares destruidos pela força e poder de uma garrafa. Felizes os que têm força, apoio e coragem para dizer basta!

Beijinhos,
Ana Martins

Agulheta disse...

Amiga Ana. Nas palavras em poesia e alerta,onde muitos lares são desfeitos e vida sem rumo por causa da dita"garrafa vazia" vi muita gente com solidão e a falta da mesma,gostei muito.
Beijinho bfs Lisa

Å®t Øf £övë disse...

Ana,
Nunca devemos deixar cair os braços, porque temos sempre que saber lutar para podermos vir a viver dias melhores.
Bjs.