18/02/2010

Rio Minho - A Lampreia

Barcos no Cais

Os barcos estão no cais, esperando pela nova faina
Ansiosos esperam por uma saída, nova aventura.
Estão ali juntos, tal qual velhos amigos, mera rotina
Agora que o tempo é de repouso, doce brandura.

Conversam entre si, das grandes pescarias
Enquanto a maré os baloiça, embala docemente,
Exibem os sinais da labuta falam das parcerias
Travadas ao longo dos anos, cordialmente.

Dos seus triunfos e derrotas exibem os sinais
Das suas cicatrizes orgulhosos, a todos os demais.
Ser um meio de sustento para muitos pescadores
É uma honra infinita dos barcos ali no cais.

Fernanda Ferreira 18/02/2010

A quebra no preço na venda da lampreia no rio Minho situa-se, este ano, entre os 50 e os 75%. Estes mínimos históricos estão a desesperar os pescadores do Alto Minho que apontam entre os responsáveis a actual crise e a entrada em Portugal de espécies com menos qualidade, nomeadamente a francesa.

Há três anos o ciclóstomo chegou a ser paga ao pescador a 60€ e hoje não atinge os 30€.
Com efeito, vivemos perto de um viveiro e como vamos ter um grupo de amigos do Porto para breve, já nos fomos informar dos preços correntes no momento, com tendência ainda a baixar: 30€ as maiores, 20€ as médias e as pequenas a 15€.
Estes preços desesperam os pescadores, mas convenhamos que continuam a ser altíssimos, para o consumidor.
Felizmente que cá em casa só se come uma vez por ano, máximo duas… e isto porque temos os amigos e os familiares que todos os anos nos telefonam para a lampreida. O José adora, eu como …
Este é um prato que ou se adora ou se detesta… por isso nem dou a receita.
Passo apenas as imagens que o José fez no cais de Cerveira, de onde partem os barcos para a faina.
Espero que gostem…

As duas primeiras fotos, representam parte da vasta obra do Escultor José Rodrigues, que habita a nossa vila há muitos anos e estão situadas junto ao cais por se tratar exactamente de uma forma representativa das redes de pesca.




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Fotos de José Ferreira - Respeite os direitos de autor.

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12 comentários:

Pérola disse...

Boa tarde.
Amei as postagens desperta em mim muita curiosisade.
Parabéns.
Um beijo grande.

Luis disse...

Querida NÁ,
Lá se foi a receita...Ahahahaah
Que pena!
Como sempre interessante e bem acompanhado com belas fotografias.
Saudações aos dois.

José disse...

Olá amiga Fernanda,

Quem disse que a Fernanda não era poeta,se alguém disse está errado.
Há por ai poetas que têm livros escritos, e põem-se em bicos dos pés e nem lhe chegam aos calcanhares.
Fernanda só comi lampreia uma vez e foi em Alcoutim,gostei muito, não voltei a comer quando por lá passo nunca têm, diz que cada vez à menos.

Um beijinho,
José,

Fernanda disse...

Amiga Pérola,

Fico muito feliz que goste das minhas postagens e com vontade de visitar Portugal.

Beijinhos

Fernanda disse...

Querido amigo Luís,

Se quiser eu mando-lhe a receita, mas digo-lhe já que é a minha vizinha que vem cá a casa arranjar as bichas, eu só tempero e cozinho.
Dizem que é um pitéu.

Beijinhos

Fernanda disse...

Olá amigo José,

Para que fique bem claro, este é o meu grande amigo algarvio,não é o meu José.

Sabe José, por mais que eu queira acreditar em si, a minha poesia soa-me a pobre, mas vou tentando. Esta foi escrita enquanto fazia o almoço, numa hora.
Obrigada pelo incentivo, é um bom amigo e um verdadeiro poeta.

Sabe que as lampreias são do rio Minho, Lima, Cávado, Douro, Mondego, Guadiana e Tejo.
Mas dizem os peritos que as do Minho são melhore... depois a sua época é agora, só agora, antes da Páscoa, depois não são boas.
Depois é o Sável que eu tanto adoro.

Beijinhos

Pedro Ferreira disse...

Mum!Olá!

Sabes que não como esse bichinho, mas o post está maravilhoso.
Parabéns pelo teu poema, não digas que não tens jeito a ninguém...porque tens e muito. Por mais suspeito que eu seja, eu adorei.

Parabéns também ao Pai pelas fotos maravilhosas do meu cais, quando praticava canoagem.
Que saudades...mesmo com Espanha ali do outro lado do rio.

Beijinhos e boas lampreiadas.
Um abração ao pai.
Pedro

Fernanda disse...

Olá Filhote Lindo!

Eu sei que não comes...ahahah!
Eu fazia-te um dos teus pratos favoritos, já sabes!!!

Obrigada querido, mas és realmente suspeito. No entanto agradeço-te o elogio.
O eu ter tido a coragem de o publicar já foi uma vitória.

O pai de vez em quando vem ler os comentários, mas eu dou-lhe os teus parabéns.

Beijinhos meus e do pai para ti e meninas.

A. João Soares disse...

Querida Ná,

Parece que a sua parceria com o marido está no máximo explendor: O José mostra o produto da sua arte de elevada qualidade e a Ná cria o pretexto para a apresentar, usando também de uma arte soberba no uso da redacção em prosa e em verso.
E o resultado está bem à vista.

Mais um pretexto para divulgar aspectos do Minho! Fez bem em não falar da receita. Parece que a lampreia é tratada de forma muito selvagem.

Beijos para a Ná e um abraço para o José
João

Fernanda disse...

Querido amigo João,

Ainda bem que arranjamos uma forma de trabalhar em conjunto que agrada a todos.
Ele está apaixonado pela fotografia, embora seja já um gosto muito antigo.
Eu faço o que mais gosto.
Para todos nós é um redescobrir de lugares, de saberes e de sabores.

Eu só cozinho as bichinhas, mais nada.
E diz quem come e ama, que fica uma delícia feita por mim, mas eu sou suspeita e como já disse...não sou apreciadora, como ... para não ter que fazer outro prato.

Beijinhos e muito obrigada pelo comentário tão elogioso ao casal Ferreira.

Ana Martins disse...

Querida Ná,
muito bonito o teu poema aos barcos no cais.

Em relação aos preços da lampreia, percebe-se perfeitamente o desespero dos pescadores, mas tal como dizes para o consumidor continua a ser caro. Eu por ex. nunca comi lampreia, como tal não sei se gosto ou detesto.

As fotos do José são fantásticas, muito nitidas, tem gosto e arte de fotógrafo.

Beijinhos,
Ana Martins

Fernanda disse...

Querida Ana,

Olha que eu ainda acredito :))

Sabes querida, os pescadores aqui da zona, queixam-se sempre, mas eles fazem tudo para que o preço não baixe, até deixá-las morrer em caixotes que escondem por baixo dos barcos.

Há pescadores que nesta altura e na do sável fazem fortunas. Os preços são proibitivos e eles preferem não as vender. Chegam a pescar às centenas e acabam depois por defumá-las, ou congela-las .

Sei também que quem mais ganha são os intermediários, mas mesmo assim é um absurdo o preço.
Num restaurante pagas 50€ por uma lampreia que pode chegar para dois, ou não.

Enfim...assunro sem fim!

Obrigada pelo teu comentário... agradeço também em nome do José.

Beijinhos