08/03/2010

O orgulho da grandeza

Até agora os sociólogos, os psicólogos e os filósofos tiveram uma espécie de repugnância ou de vergonha em admitir que haja alguma coisa de comum, ou antes, de idêntico, nos grandes processos históricos, como o Islão, a Revolução Francesa e a Revolução Russa, e fenómenos banais, privados, como o enamoramento. Aí está o orgulho da grandeza. Queriam ocupar-se das coisas importantes, significativas, das coisas centrais da vida social, e o enamoramento entre dois burgueses ou entre dois garotos, a paixão entre uma professora e um jardineiro, entre um homem de meia-idade e a sua secretária, pareciam-lhes tão míseros, tão mesquinhos, tão sem importância, que não lhes faziam vir à mente que as forças em questão fossem as mesmas.

Francesco Alberoni

Publicada por Joaquim em Portugal contemporâneo.

3 comentários:

Luis disse...

Caro João,
Esta reflexão dá para pensar que não há coisas "comezinhas", tudo é importante!!!
Um abraço amigo.

A. João Soares disse...

CaroLuís,

É certo que os assuntos não são todos iguais, mas é preciso ter bom senso nas prioridades e não desprezar factos relevantes que possam ter grandes repercussões. E quando se trata de afectos e sentimentos entre pessoas pode haver uma potenciação de efeitos muitas vezes imprevistos.
Quem sabe se é a vertigem do orgulho da grandeza que leva os governantes a atirarem-se a grandes obras públicas ignorando pequenos pormenores mais importantes nos efeitos sociais. Mas há quem defenda que não é a vaidade nem o orgulho da visibilidade, mas sim a religiosidade, por se tratar de grandes investimentos e porque só quererem assinar tendo um terço na mão!!! As «virtudes» da religião!!!

Um abraço
João

Fernanda disse...

Querido Amigo João,

Mudam-se os tempos...mudam-se os conceitos e os preconceitos.
Felizmente! Pelo menos neste caso.

Parabéns pelo post, mostra mais um bonito ponto de vista de como a evolução nem sempre é negativa.

Beijinhos