13/03/2010

Professores educadores

Há pessoas muito atentas, com bons arquivos e com bom sentido das oportunidades. Depois dos suicídios de um aluno em Mirandela e de um professor em Rio de Moura, o problema da indisciplina nas escolas veio à conversa.

No jornal de Notícias a notícia «Professores não sabem lidar com indisciplina» mostra que a gestão de conflitos nas aulas está nas mãos do docente e que há cada vez mais professores a procurar formação para aprender a lidar com a indisciplina.

Assiste-se a uma "mudança social no relacionamento das pessoas". Perdeu-se a solidariedade e a empatia, a comunicação na sala de aula complicou-se. Nem sempre é assertiva e positiva como deveria ser. No entanto a estrutura escolar não funciona devidamente e «a gestão da disciplina na sala de aulas está nas mãos de quem ensina».

Mas o que queria salientar é a oportunidade com que me foi enviado o seguinte texto, já conhecido de há muito, mas que com interesse:

Educadores mais do que professores – Duas histórias

1ª história

Num liceu no Porto estava a acontecer uma coisa muito fora do comum. Um "bando" de miúdas andava a pôr batom nos lábios, todos os dias, e para remover o excesso beijavam o espelho da casa de banho.

O Conselho Executivo andava bastante preocupado, porque a funcionária da limpeza tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao fim do dia e, no dia seguinte, lá estavam outra vez as marcas de batom.

Um dia, um professor juntou as miúdas e a funcionária na casa de banho e explicou que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam e, para demonstrar a dificuldade, pediu à empregada para mostrar como é que ela fazia para limpar o espelho.

A empregada pegou numa "esfregona", molhou-a na sanita e passou-a repetidamente no espelho até as marcas desaparecerem.

Nunca mais houve marcas no espelho...

2ª história

Numa dada noite, três estudantes universitários beberam até altas horas e não estudaram para o teste do dia seguinte.

Na manhã seguinte, desenharam um plano para se safarem. Sujaram-se da pior maneira possível, com cinza, areia e lixo. Então, foram ter com o professor da cadeira e disseram que tinham ido a um casamento na noite anterior e no seu regresso um pneu do carro que conduziam rebentou. Tiveram que empurrar o carro todo o caminho e portanto não estavam em condições de fazer aquele teste.

O professor, que era uma pessoa justa, disse-lhes que fariam um teste-substituição dentro de três dias, e que para esse não havia desculpas. Eles afirmaram que isso não seria problema e que estariam preparados.

No terceiro dia, apresentaram-se para o teste e o professor disse-lhes com ar compenetrado que, como aquele era um teste sob condições especiais, os três teriam que o fazer em salas diferentes. Os três, dado que tinham estudado bem e estavam preparados, concordaram de imediato.

O teste tinha 6 perguntas e a cotação de 20 valores.

Q .1. Escreva o seu nome ----- ( 0.5 valores). Q.2. Escreva o nome da noiva e do noivo do casamento a que foste há quatro dias atràs ---(5 valores ). Q.3. Que tipo de carro conduziam cujo pneu rebentou.--( 5 valores). Q.4. Qual das 4 rodas rebentou ------- ( 5 valores ). Q.5. Qual era a marca da roda que rebentou ---- (2 valores). Q.6. Quem ia a conduzir? ------ (2.5 valores).

Há professores e educadores...

9 comentários:

Fernanda disse...

Querido amigo João,

Começo pelo fim.
Realmente há educadores e há professores, há quem esteja no ensino por vocação e os que lá estão por necessidade e sem a formação adequada (muitos).

Lembro contudo, que 90% dos alunos ou mais estão nas Escolas para fazer a vida dos professores um Inferno e que há quem, mesmo com a melhor vontade do Mundo, não consiga fazer nada dos alunos.
Eles agem em confirmada com o que os outros mais velhos ou mais sabidos lhes transmitem e se forem diferentes são maltratados, espancados, vítimas de bullying.
Sabe que sei do que falo.

Ainda o José estava no activo, e já se sabia que as classes profissionais com mais depressões graves, eram os professores e os bancários.
Quem está por fora do problema vai até se calhar rir-se, mas a mais pura das verdades é que é a verdade absoluta. porque será???

Beijinhos

Pérola disse...

Olá minha querida.
Seus comentários estão lá sim e nenhum deles se perdeu.O fato é q os meus comentários são só aceitos quando eu os leio.Estive fora o dia todo e só ao chegar eu os aceitei.
Sua postagem eu já conhecia,sou professora amiga e a situação q se criou entre alunos e professores é bastante triste.Hoje eu ñ sei se ensino ou se educo,estou confusa.
Um beijo grande.

Fernanda disse...

Olá amiga Pérola,

Esta postagem não é minha mas do amigo João Soares.

Ele não se importa nada que o trate por meu querido, tenho a certeza :)))

Esse é o grande problema que temos em todo o Mundo e que chegou e se instalou em Portugal.

Um dilema de difícil resolução.

Beijinhos,

Luis disse...

Caro João,
Este tema tem sido recorrente nos nossos Blogues e não só mas infelizmente tudo isto começa nas Familias pois grande parte dos Pais abdicaram de educar os seus filhos e estes entram nas escolas na maioria das vezes como autênticos energúmenos criando problemas nas escolas, onde só deveriam ser ensinados das matérias académicas!
Assim, actualmente o professor é a válvula de escape dos pais que muitas vezes ainda tiram desforço do professor que pretende que os seus alunos sejam cordatos e educados!!!
Há uns anos a esta parte apareceu a ideia peregrina que "os meninos" tinham direitos esquecendo-se que também têm deveres e tudo isso degenerou nesta "trapalhada" em que vivemos!!! Graças a Deus ainda há Pais que sabem como educar os seus filhos mas estes ficam de certa forma indefesos nesta sociedade miserável em que proliferam estes energúmenos, sofrendo imenso com essa situação!!! Como lamento os casos dos suicídios do aluno e do professor que agora se verificaram.
Um abraço amigo.

A. João Soares disse...

Caro Luís,

Realmente o problema é complexo e vê-se pelos factores que referes.
Os professores queixam-se de que a acção dos PSICÓLOGOS nas escolas não trouxe qualquer benefício, dificultando mais a acção dos professores e dando força aos delinquentes.

O comportamento das famílias em relação aos filhos não é fácil de alterar de forma significativa, pelo que o Governo tem que criar medidas que garantam a disciplina nas escolas de forma que os professores possam ensinar e os alunos possam estudar e aprender a ser adultos responsáveis e competentes.

Por outro lado, os programas devem conter aspectos práticos que ensinem aos futuros cidadãos adultos e activos capacidade de gerirem a própria vida e as empresas em que trabalharem.

Hoje o ensino não é tanto para decorar manuais como saber pensar raciocinar sobre qualquer assunto que se lhes apresente. A vida vai passar a ser muito instável, com várias mudanças de trabalho e de sector de actividade, em muitos casos usando tecnologias novas que exigem aprendizagem. O estudo é necessário até à morte.

Um abraço
João

Jortas disse...

Infelizmente esta é uma realidade no nosso Portugal.
A família abdicou de educar os filhos e acha que essa tarefa cabe à escola. Erro número 1
A escola pensou que poderia substituir a família. Erro número 2
A autoridade exerce-se com os deveres, não com os direitos. Só se fala dos direitos e esqueceu-se os deveres. Erro numero 3
Tudo é dado, nada exigido, tudo é facilitado,não se exige esforço. Erro número 4
Por último, A autoridade esvasiou-se, no Estado, nos tribunais, nas forças de segurança, na escola, na família. Os nossos jovens são verdadeiros artistas da manipulação. Eles é que mandam na escola e lá em casa.
De que estamos à espera?

A. João Soares disse...

Caro Jortas,

Certamente é professor, vítima da situação que descreve muito esquematicamente mas de forma clara.
No seu esquema o erro 5º é preocupante e a pergunta final já soa a discurso fúbebre.
Realmente, se nada for feito de corajoso, de eficaz, doa a quem doer, para que o país volte a funcionar, nada evitará que os portugueses pratiquem suicídio colectivo. Não será um caso mediático porque a apatia crónica do nosso povo impede a organização necessária para tal espectáculo. Será uma sequência de suicídios que em poucos dias ou semanas extingue a «raça».
Impõe-se a tal acção cporajosa com a máxima urgência.

Cumprimentos
João

Ana Martins disse...

Caro amigo João,
este é um problema gravíssimo, trata-se das nossas crianças e jovens, futuros homens e mulheres de amanhã.
Na passada quinta-feira o meu filho Sérgio com apenas 10 anos, mal chegou a casa para almoçar disse-me: -Mãe hoje aconteceu uma coisa muito grave, um colega meu agrediu a prof. de Educação Fisica.
Fiquei preocupadíssima com o mau exemplo, se bem que tive a clara certeza que o Sérgio e os restantes colegas de turma condenaram a atitude do colega.

Pergunto eu, como será que esta criança reage quando é contrariada pelos pais?

Provavelmente com atitudes agressivas. Como Mãe, penso que nós os pais sabemos bem do que os nossos filhos são capazes. Há sempre situações que são uma espécie de aviso, há que nos sabermos impor na hora certa e exigir educação e respeito aos filhos.
A escola tem o dever de dar continuidade à formação das crianças, mas a educação, as regras, os deveres e os direitos devem sempre começar em casa.

Beijnhos,
Ana Martins

A. João Soares disse...

Cara Ana Martins,

O maior crime tem sido cometido pelos responsáveis pela Educação ao mais alto nível, como se depreende do comentário de Jortas. As crianças não têm deveres, só lhes falam de direitos, acham que elas devem crescer como as ervas daninhas, selvagens. Ora, até os animais da selva sabem educar os filhos para os tornarem adultos capazes de sobreviverem no meio dos outros.

No caso que conta, não duvido que a professora teria capacidade de reagir à altura e punir de imediato o aluno selvagem. Mas se o fizesse receberia efeitos disciplinares desagradáveis, mas ao menino ninguém fez nada. Não defendo que o professor ou os pais batam nos alunos, mas acho que de forma proporcional, a mínima falta de respeito ou de civismo deve ser repreendida ou punida. Uma falta desculpada traz outra de seguida e a gravidade vai crescendo.
O respeito mútuo é indispensável e ninguém deve ceder, para que de pequenino as crianças se habituem a ser pessoas sociáveis e não monstros caprichosos, teimosos arrogantes, exigentes, exploradores dos outros como se fossem seus escravos. Depois, um dia, pode sair de entre elas um primeiro-ministro execrável, ditador hitleriano ou coisa pior.

Um abraço
João