25/07/2010

Pensar antes de fechar o negócio

Transcrição de uma revista de Finanças, recebida por e-mail:

«Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe.
Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano.
Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site?
Ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que possa me dar algumas dicas?
Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não vão me fazer morar em Central Park West.
Conheço uma mulher (da minha aula de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correta? Como eu chego ao nível dela?»

(Rafaela)

Mensagem/resposta do RAPAZ:

Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação.
Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou tomando o seu tempo à toa...
Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: Visto da perspectiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que você procura), o que você oferece é simplesmente um péssimo negócio.
Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas : Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro.

Mas tem um problema.
Com toda certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará aumentando. Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos.
E você não somente sofre depreciação, mas sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre aumenta! Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando você se comparar com uma foto de hoje, verá que virou um caco.

Isto é, hoje você está em 'alta', na época ideal de ser vendida, mas não de ser comprada.
Usando o linguajar de Wall Street, quem a tiver hoje deve mantê-la como 'trading position' (posição para comercializar) e não como 'buy and hold' (compre e retenha), que é para o quê você se oferece...
Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and hold') com você não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim!

Assim, em termos sociais, um negócio razoável a se cogitar é namorar.
Cogitar... Mas, já cogitando, e para certificar-me do quão 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' seja você, eu, na condição de provável futuro locatário dessa 'máquina', quero tão somente o que é de praxe:

fazer um 'test drive' antes de fechar o negócio... podemos marcar?"

Imagem da Net.

7 comentários:

Saozita disse...

Bom dia, caro amigo João Soares.
Efectivamente nesta história a senhora queria fazer o negócio da sua vida, baseada nas suas perfomances e atributos físicos. Excusado será dizer, que para um homem de negócios, e do ponto de vista estritamente financeiro, teriam que ser tidos em conta todos os parâmetros decorrentes do ciclo de vida do "produto". Assim sendo afigurar-se-lhe-ia um mau investimento, pois todas essas caracteristicas se alterariam com o tempo, nada é imutável! Como máquina de curto prazo e para comercializar, aínda fica a probailidade de fazer o negócio...

Assim é quando se tratam de relações baseadas nos interesses e desprovidas de sentimentos.
Serve por um tempo, e depois deixará de servir e será substítuivel. Não se é mais que um produto descartável.

Tenha um bom Domingo.

Beijinhos

A. João Soares disse...

Querida Sãozita,

Este post vale pela análise do negócio, do ponto de vista do comprador. O ponto de vista financeiro foi sugerido pela proposta da vendedora do seu corpo.
Foi ela que colocou o interesse fiduciário acima dos eventuais sentimentos, que ela demonstrou não prezar.

Beijos
João
Do Mirante

Paloma disse...

Esta história é muito mais real do
que se imagina. De verdade, existem
mulheres, que comercializam sua be-
leza. Casam-se com homens ricos sem
o minimo envolvimento emocional,
apenas visando todo bem material
que possam desfrutar.Trata-se ape-
nas de uma troca:a beleza pelo di-
nheiro.

Milai disse...

Do meu ponto de vista realmente é um negócio mau para o comprador, mas sinceramente também acho muito mau para quem vende.
A ser verdade e acredito que haja casos destes é confrangedor...
Beijinhos

Ana Maria disse...

Se vender e ainda ficar se comparando. Será um pouco inveja? Beijinhos!

Fernanda disse...

Amigo João,

Este caso seria hilariante se não fosse verdadeiro... mesmo assim deu para rir :))))
Infelizmente e sabendo que há muita "gente" que tem este tipo de visão sobre as relações humanas "sell an image which doesn't necessarily doesn't last eternanaly", este "negócio" não é seguramente "a good investment" para quem sempre tem presente o princípio salutar, do "at least buy and hold".

Daí a proposta do "test drive" não ser totalmente descabida.
Afinal ela quer vender-se e ele tem todo o direito ao teste.

Por outro lado, considerando que "money walks and beauty talks" (idiomática propositadamente alterada), mas que o contrário também é possível, sobretudo hoje em dia onde as plásticas reinam e os negócios e fortunas se esfumam no ar...
considero que o "negócio" deve ser muito bem equacionado :))))))))

Moral da história... "don't sell yourself short" mesmo que não tenhas valores morais como ser humano, porque "money doesn't buy happiness and may not last forever either"...............

Tema aparentemente leve mas dava pano para mangas.

Beijinhos

Na Casa do Rau

A. João Soares disse...

Queridas Paloma, Milai, Ana Maria e Ná,

Embora nem sempre comente e cada vez esteja menos motivado a fazê-lo, procuro aprender a conhecer melhor a humanidade, pela reflexão sobre o que leio por aqui e por outros lugares. Este post vem na linha da meditação sobre o post ACOMPANHANTE DE LUXO, pois tem como base uma proposta no estilo de «acompanhante» exigente, à semelhança de muitos anúncios que se vêm em jornais diários.

Tal intenção da «senhora» é irónica. Mas a resposta que obteve, tratando-se de uma revista de assuntos financeiros, é uma lição sobre os factores a ponderar na aquisição de um produto, ou qualquer outro negócio. O comprador não deve dar dinheiro em troca de uma coisa que não tenha valor correspondente. Gostei da análise académica feita pelo rapaz!!!

Beijos
João
Do Miradouro