27/07/2010

Apelo à ONU !

As notícias que nos chegam referem muitos acidentes graves em vários sectores de actividade da humanidade: explosão na central nuclear de Chernobil, explosão na plataforma petrolífera Deepwater Horizon no Golfo do México, espectáculo em Duisburgo na Alemanha, diversos acidentes aéreos, alguns acidentes ferroviários, múltiplos acidentes rodoviários, acidentes de trabalho, acidentes domésticos, mortes nas praias por afogamento, etc., etc. Casos de obesidade por erros de alimentação, diversas formas de toxicidade (álcool, HIV, tabaco, drogas).

Por outro lado, há a criminalidade violenta, com crueldade desumana, usando meios desproporcionais ao fim visado, e muitas vezes sem finalidades que, de qualquer maneira, possam ser explicativos ou atenuantes.

Se se tratasse de casos raros, ocasionais, seria compreensível como uma excepção à regra, uma anormalidade, estatisticamente irrelevante, mas na realidade, a quantidade é preocupante e leva a pensar numa causa comum, generalizada – a degradação do ser humano. Esta traduz-se na falta de respeito pela própria pessoa e pelos outros, na ausência de ética e de civismo, no desprezo pelo culto da excelência no desempenho das tarefas, de rigor, de sentido de responsabilidade. Muitos acidentes com máquinas (transportes, por exemplo) podem ser causados por erros da manutenção ou por falhas dos operadores.

As causas de tais situações desagradáveis devidas aos factores apontados mostram que, desde o paleolítico, o homem tem piorado no seu comportamento, perante tudo o que o rodeia, incluindo os familiares e amigos. Falta de ética e de civismo.

Já se apontam exemplos de animais da selva (ditos irracionais) que devem ser imitados pelo homem, na sua vida familiar e de grupo. Muitas lições comportamentais que nos dão merecem ser ponderadas.

Há que se remodelar, de forma estrutural, sistemática e persistente, a educação das crianças e dos adultos a fim de a humanidade não continuar a sua queda acelerada para o abismo fatalmente decisivo.

Para isso, dado o âmbito do problema e da falência dos Estados dentro das suas fronteiras para obviar a tal degradação globalizada, impõe-se que a ONU (Organização das Nações Unidas) mostre o que vale, se é que vale alguma coisa. Com efeito, não impediu a guerra Sérvia/Kosovo, a invasão do Iraque, a invasão do Afeganistão, etc. Seria bom que, agora fizesse algo a favor da revitalização da ética, do civismo, com recomendações à UNESCO e a outras agências onusinas, aos Estados, às associações desportivas e culturais, às empresas., aos sindicatos, à comunicação social, etc.

O conjunto de acontecimentos que afligem todo o mundo exige medidas rigorosas. É uma tarefa ciclópica, mas quanto mais demorar a aplicação da terapia adequada e eficaz, mais difícil será a recuperação e mais incerta será a qualidade de vida das gerações das actuais crianças.

É preciso começar já, com determinação.

Imagem da Net.

9 comentários:

Fernanda disse...

Amigo João!

Este seu texto é um "abanão" a todos...
principalmente aos que ainda não se aperceberam de que o Mundo está a girar ao contrário!!!
Pessoalmente penso que retrocedemos muito mais...estamos bem antes do Paleolítico!
Que se saiba, nos primórdios dos tempos, não havia esta crueldade, esta irracionalidade, estes horrores a que assistimos todos os dias.

As calamidades naturais são, na sua grande maioria, provocadas pela mão humana.
Os acidentes aéreos e rodoviários (hoje mais um), são quase sempre causados por negligência grosseira...

O João apresenta um excelente resumo de todos as áreas e deixa algumas saídas possíveis para minimizar os problemas...
Resta-nos saber se algumas medidas serão realmente aplicadas e quando.
Urge uma intervenção de fundo, radical...duvido muito que os Estados e as Organizações Mundiais consigam fazer algo que se veja...
Será que estou hoje muito pessimista???
Oxalá!!!

beijinhos

A. João Soares disse...

Querida Amiga Fernanda,

Obrigada pelo seu comentário. Este post foi inspirado num comentário que coloquei num post seu. Não esperava nem espero encontrar aqui muitos comentários.
As pessoas não gostam de pensar em problemas essenciais, preferindo a superficialidade

Acrescento umas palavras de outro post que vou dirigir à ONU, mas que publicarei apenas Nos meus blogs pessoais para não massar os visitantes do SJ.

São graves os sinais de desorientação da humanidade, em diversos aspectos e não é visível a acção coordenada dos Estados para inverter a corrida para o abismo.

Aliás, apesar de se falar de ânimo leve em Democracia, deparamo-nos com um regime global de império ou ditadura dos mais poderosos e ricos, com total desprezo pelos mais pequenos e mais pobres. A ONU tem sido manipulada e usada como ferramenta dos mais poderosos, deixando que estes usem e abusem da imunidade do Poder financeiro e militar.

Embora a ONU se tenha responsabilizado por resolver certos problemas como o da Caxemira e o do Sara Ocidental, os anos têm passado sem haver solução. Há outros casos que exigem acção de um nível superior e que não beneficiaram dela, como Myanmar, Pirataria na Somália, Darfur/Sudão, Zimbabwe, etc. A ONU não conseguiu evitar a guerra Sérvia/Kosovo, a invasão do Iraque e a invasão do Afeganistão, chagas vergonhosas, com elevados custos em recursos e em vidas de inocentes de que a história há-de acusar a geração actual.

Claro que, como diz, não se irão ver os efeitos, mas as utopias contribuem para que o futuro seja melhor. «Água mole em pedra dura tanto bate até que fura» O combate à escravatura começou como uma utopia, que acabou por vencer.

Beijos
João
Do Miradouro

Rogério Pereira disse...

Caro João Soares,

Temo que tenha razão quando diz "impõe-se que a ONU (Organização das Nações Unidas) mostre o que vale, se é que vale alguma coisa." Temo que não valha para nada. O sua finalidade e a própria Carta da ONU, está desvalorizada pelos G8 e G20, procurando em número restrito de paises o entendimento para a solução dos problemas do Mundo (do seu Mundo, claro)...

Abraço

A. João Soares disse...

Caro Rogério Pereira,

A ONU é apenas uma bandeira para usar quando for conveniente aos poderosos, diga-se EUA. E é para esquecer e desprezar quando o Conselho de Segurança possa levantar objecções.
No post que anunciei no comentário anterior referirei as ferramentas dos Países mais ricos G8 e G20 e sugiro a criação de um Conselho formado por representantes dos Estados mais pobres e menos populosos, os tais sempre esquecidos e desprezados.
Um abraço

João
Do Miradouro

Milai disse...

Concordo inteiramente com o que diz,mas não vejo maneira de mudar as mentalidades rápidamente.O mal foi ter-se atingido este ponto. Não quero ser pessimista mas não me parece que seja tão fácil.Na minha opinião ou cada um de nós se conscencializa por si e tenta transmitir isso a quem está próximo ou não vamos a lado nenhum...
Eu sou comerciante e herdei esse comércio do meu Pai. Ele sempre trabalhou com ética e é assim que eu e a minha irmã trabalhamos e estamos na vida. Acho fundamental tê-la!
Beijinhos

Luis disse...

Caríssimos Amigos,
Concordo com o exposto pelo João e com os vários comentãrios que mereceu. Mas não querendo ser pessimista entendo que a não resolução do problema reside na própria ONU que tal como a extinta Sociedade das Nações está ferida de inoperância pela forma como foram constituidas uma e outra. A própria Globalização é produto disso mesmo!!!
Apesar dos trabalhos lá vou dando uma mãosinha, como veem!
Um abraço a todos.

A. João Soares disse...

Querida Milai e caro Luís,

Como explico em comentários em igual post publicado no Do Miradouro, este texto constitui uma provocação e desafiar as pessoas a pensar e dar uma opinião, forçosamente crítica à minha utopia. Mas embora espere ver criticada a minha ideia lunática e irrealizável, espero e desejo que indiquem hipóteses de soluções para melhorar o comportamento dos seres humanos. Nos comentários do outro blog há sugestões que seria desejável serem objecto de reflexão pelas altas esferas.
A violência, a criminalidade, o materialismo, a ambição, o exibicionismo de riqueza, o consumismo, a avaliação do outro pela marca do telemóvel ou do carro etc. Isso já não se resolve apenas com o exemplo no meio em que vivemos e circulamos.
Os maus exemplos são mais imitados do que os bons. É preciso uma atitude organizada, sancionada, com disciplina.

Abraços
João

Saozita disse...

Estimado amigo João Soares, efectivamente na utopia das ideias, está muitas vezes a solução! O que quererá dizer que na verdade não é utopia, ou considerandos impossíveis de hoje, serão possíveis amanhã! É claro que as Nações Unidas, não defendem os interesses das Nações mais pobres e sem poder, existem para garantir o sistema. A reeducação dos povos, será possível quando um indíviduo que seja rico, lhe for vedado o acesso ilimitado ao esbanjamento, isto é quando a sociedade se compenetrar que os recursos são limitados, que temos todos sem excepção respeitar a natureza e contribuir para um desenvolvimento sustentável.
Enquanto o dinheiro for salvo conduto, para tudo comprar... o mundo continuará da mesma forma e de mal a pior. As desigualdades criam desiquilibrios, disputas, guerras, ganância, atiçam ódios! Na minha utopia de um mundo melhor, revejo-me também na ideia exposta pelo João Soares.

Tenha um bom fim de semana.
Beijinho

A. João Soares disse...

Cara Sãozita,

Para completar a utopia, sugiro a visita do post

http://domirante.blogspot.com/2010/07/onu-paz-e-justica-social-global.html

Mas, para sermos práticos e tornarmos a utopia em realidade devemos alertar que a missão proposta cabe a todas as entidades públicas a todos clubes desportivos, associações sociais, empresa e sindicatos. É preciso o civismo, o respeito pelos outros, a não violência, o rigor naquilo que se faz, a honra, os valores éticos.
Cada passo nesse sentido é um benefício para toda a humanidade, para o mundo em que irão viver os nossos descendentes.

Beijos
João