01/01/2011

Relatório 2010. Alunos não sabem raciocinar nem escrever!


Estudo do Ministério da Educação em 1700 escolas revela a dificuldade dos alunos em resolver exercícios que não sejam básicos

Estruturar um texto encadeado, explicar um raciocínio com lógica, utilizar uma linguagem rigorosa ou articular diferentes conceitos da mesma disciplina são incapacidades que percorrem os alunos do 8.o ao 12.o ano de escolaridade, seja na Matemática, seja na Língua Portuguesa ou na Biologia. Mais que dominar a matéria, a grande dificuldade dos estudantes das escolas básicas e secundárias é expressar por escrito as suas ideias e os conhecimentos que adquiriram nas aulas. Esta é a principal conclusão do Relatório 2010 do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave).

Poucas semanas depois de o estudo do PISA revelar que Portugal é o país da OCDE que mais progrediu na educação, chega agora o relatório do Gave que vem demonstrar que os alunos portugueses afinal estão ainda longe de conseguir desempenhar tarefas tão simples como, por exemplo, interpretar um texto poético, solucionar um exercício matemático com mais de duas etapas ou enfrentar um enunciado que não seja simples e curto.

A equipa do Ministério da Educação avaliou os conhecimentos dos alunos em 500 escolas secundárias e em 1200 estabelecimentos com o 3.o ciclo do ensino básico. Os testes intercalares do Gave, que começaram no ano lectivo de 2005/06, foram aplicados às disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa (no ensino básico) e ainda às cadeiras de Matemática A, Física e Química A e Biologia e Geologia do ensino secundário.

Nas disciplinas que envolveram contas (Matemática e Física/Química), os adolescentes só conseguiram completar correctamente os exercícios quando o desafio passou por resolver "cálculos elementares". O bom desempenho, aliás, está "fortemente associado" aos enunciados curtos e aos textos simples, conclui o relatório que o i consultou.

Na disciplina de Língua Portuguesa do 9.o ano, as maiores dificuldades estão em utilizar a língua de forma correcta. As lacunas são de ordem gramatical, mas também de construção de frases e textos que tenham lógica e coerência. A resolução de problemas na Matemática do 3.o ciclo é o ponto fraco dos alunos, mas as derrapagens também aconteceram quando foi preciso construir respostas com várias etapas de resolução. Definir estratégias para encontrar a solução de um determinado exercício matemático são dificuldades que se acentuam sempre que os enunciados são mais longos, avisam os técnicos do Ministério da Educação.

Secundário. Escrever textos explicativos em que é necessário descrever raciocínios e explicar as estratégias adoptadas para justificar as respostas é uma das grandes deficiências que os especialistas do Gave encontraram em todas as disciplinas avaliadas no secundário. A falta de rigor científico e a linguagem desadequada foram falhas detectadas por todas as equipas que monitorizaram e avaliaram o desempenho dos alunos. Sempre que foi preciso seleccionar a informação e construir um texto que traduzisse um conjunto de ideias próprias, os alunos revelaram "grandes dificuldades".

Na Matemática A do secundário, as fraquezas dos alunos tornaram-se mais evidentes quando tiveram de usar conceitos e estratégias menos treinados nas salas de aula ou então quando foram desafiados a interligar conceitos ou enfrentar enunciados longos. "Não deixam também de ser significativas as dificuldades detectadas nos problemas que envolvem maior número de cálculos e apresentação de raciocínios demonstrativos", alertam os especialistas no relatório de 2010.

Conseguir articular a informação fornecida nas provas e os conhecimentos necessários para responder a determinadas questões é igualmente uma tarefa a que poucos alunos conseguiram corresponder com êxito nos testes intermédios de Biologia e Geologia do 10.o e 11.o anos de escolaridade.

Nas disciplinas de Física e Química A, o desempenho dos alunos decresceu sempre que se exigiu uma avaliação crítica das informações contidas nas provas. Articular várias competências ou fazer cálculos que envolvam duas ou mais etapas são outras fragilidades dos alunos portugueses.

por Kátia Catulo , Publicado ,em 31 de Dezembro de 2010, no Jornal I

Nota:

Infelizmente já se sabia que o nosso ensino era um BLUFF mas andava escondido nas diversas estatisticas que se faziam para mascarar tal situação! Finalmente começa-se a saber a VERDADE vergonhosa em que o nosso ensino se apresenta! Tenho acompanhado este tema, que me é muito querido, pois sou encarregado de educação de um sobrinho e pela primeira vez verifiquei que este foi abordado com SERIEDADE!

Haja Deus!!!

4 comentários:

Maria Lúcia Marangon disse...

Infelizmente, aqui no Brasil não é diferente. Mas, a culpa não é dos professores e sim das políticas públicas que exigem a aprovação dos alunos, mesmo que sem os conhecimentos básicos das disciplinas. Tudo isso para apresentarem ao mundo estatísticas favoráveis (falsas) sobre a educação brasileira. Agora, respondam a minha pergunta: que aluno vai estudar, se ele sabe que será aprovado de qualquer jeito no final do ano letivo? Haja Deus!!!!

Luis disse...

Minha Querida Amiga Maria Lúcia,
Obrigado pelo seu simpático e muito justo comentário. À sua pergunta respondo que como cá poucos se esforçam para estudar pois sabem que no final estão passados. É a vergonha das vergonhas!!!
Um beijinho amigo.

Anónimo disse...

Porque é que só se retira a parte negativa do relatório e não se referem os aspectos positivos?

A. João Soares disse...

Caro Luís,

Este anónimo que, não sei porquê esconde a identidade, diz uma b«coisa maravilhosa! Muito tem sido dito neste espaço de elogioso para Portugal, para jovens que se destacam, para cientistas bem cotados no estrangeiro, etc.
O Anónimo bem podia ter aproveitado o seu comentário para referir os pontos mais positivos da Educação. Mas não o fez. Será que os conhece, ou só comentou pela NEGATIVA?
A nossa Educação, d«segundo as estatísticas, está maravilhosa, e ficará melhor quando for concretizada a promessa de deixar de haver «chumbos», isto é quando o aproveitamento for de 100%. Os exames já são «maravilhosamente» fáceis, e acaba-se o secundário a saber menos do que antigamente no primário, como se nota em sucessivos concursos televisivos e nas asneiras que o Governo faz que originam repetidos recuos´e excepções, apesar dos muitos assessores licenciados e doutorados. O caso mais recente foi a bronca do cartão do cidadão e do número de eleitor, nas Presidenciais de 23 de Janeiro.

O ou a Anónimo não perca a oportunidade de vir aqui mostrar os pontos mais positivos da Educação e identifique-se para que o Governo e o PS o recompensem.

Cumprimentos
João
Do Miradouro