18/05/2010

Despesas devem ser inferiores às receitas

Esta é uma regra sustentável já conhecida e utilizada com êxito pelo merceeiro da minha aldeia, na primeira metade do século passado e que tinha aprendido dos seus avós. É preciso controlar as despesas para não ultrapassarem os proventos. Era admitido que se fizesse um investimento com base no crédito, mas como excepção e nunca como regra quotidiana, como abusivamente hoje fazem gestores de dinheiro público com a maior inconsciência e ausência de sentido de responsabilidade.

Esta regra assim apresentada de forma simples é agora confirmada pelo Banco de Portugal segundo a notícia «Só cortes na despesa evitam mais impostos» em que consta:


«Reduzir o défice com medidas temporárias não chega para resolver os problemas de consolidação orçamental da economia portuguesa. Para isso é necessário cortar e corrigir de forma duradoura o crescimento da despesa primária, avisa o Banco de Portugal.

A subida de impostos e os cortes de despesa que o país vai enfrentar a partir do segundo semestre deste ano vão reduzir o défice até 2013 mas não asseguram que este tipo de medidas restritivas não tenha de voltar a ser adoptado no futuro». (Para ler toda a notícia faça clic no seu título)

A confirmar esta necessidade de reestruturação dos serviços do Estado , emagrecendo-os, tornando-os menos pesados no orçamento, surge o artigo «Perto do precipício», no qual se pode ler:

«Bruxelas fez saber, de fininho, que deseja (para não dizer exige), num futuro não muito distante, olhar para os orçamentos dos estados-membros da União Europeia antes que os ditos sejam aprovados pelos parlamentos nacionais. Tradução: Bruxelas quer ser a guardiã do bom senso orçamental, sem o qual é o próprio futuro da União Europeia (UE) que estará seguramente em causa. A lentidão com que a UE reagiu à profunda crise em que estamos mergulhados e a pressa com que o Banco Central Europeu comprou, num movimento inédito, títulos da dívida dos países em dificuldades parecem ter cedido o passo, num instante, a uma visão mais interventiva, muito mais interventiva das principais autoridades europeias.

O ponto é este: países como a Alemanha não estão mais disponíveis para cobrir com milhões e milhões de euros a irresponsabilidade dos outros. Não há volta a dar-lhe! Bruxelas colocou a países como Portugal não um novo problema, na medida em que a transferência de parte da nossa soberania para uma entidade transnacional começou há muito, mas um problema para o qual não nos sobra saída: ou aprofundamos essa transferência ou seguimos a via do isolacionismo.»

Mas, infelizmente, parece que temos que deixar de poder confiar naquilo que dizem e escrevem economistas que considerávamos credíveis e sérios, como se pode deduzir do artigo «Está tudo explicado» em que se lê:

«Trata-se de um relatório... só para estrangeiro ver, diz Frasquilho sem corar, justificando-se por todos os dias dizer exactamente o contrário no Parlamento.»


E perante isto, que pensar da actual situação do País, da competência dos actuais governantes e da verdade ou da sua falta, com que os políticos nos falam?

10 comentários:

Fernanda disse...

Querido amigo João,

Não vou ainda comentar porque não tive tempo para ler, mas lerei si, sem dúvida.

Só estou a escrever esta nota, par saber se foi toda a gente de férias???
ou estamos de greve???
Estranho, no mínimo.

Volto já.

Beijinhos

A. João Soares disse...

Querida Amiga Ná,

Não estranhe. Os blogues são feitos por aqueles que agem e não pelos que ficam ausentes, porque o tempo não é elástico, como desejaríamos, etc. Para seu sossego, informo-a de que da manhã de ontem à de hoje tivemos 216 visitantes, enquanto a média dos últimos 10 dias foi de 154. Não sei a que se deve, mas é um bom sinal.

Ontem perdi grande parte da tarde com este post no meu blog pessoal, com atritos entre os códigos de «texto extensível, só o terminando depois da meia noite». O tempo é mesmo um bem precioso!!!

Beijos
João
Do Miradouro

A. João Soares disse...

Podem acusar-me de utópico, lunático, sonhador, mas sugiro a leitura do artigo Se os políticos deixassem "de inventar" era mais fácil governar o mundo que mostra a opinião de um político experiente e sem pretensões a intelectual ou a professor universitário.
Há um ditado que diz quem sabe faz quem não sabe ensina. e o mal do nosso país é ter muitos «professores« no Governo, a fazerem invencionices e com pouca noção das realidades e sem capacidade de decisão. Até há quem faça um discurso a apresentar argumentos contrários à decisão que acaba por tomar!!!

Cumprimentos
João
Do Miradouro

Luis disse...

Caríssimos,
É óbvio que as "invenções" que os políticos têm feito é que deram origem a esta crise... Isto faz-me lembrar o seguinte texto:
"Os burros, o mercado de acções e a crise
Certo dia, numa pequena e distante vila, apareceu um homem a anunciar que compraria burros a 5 euros cada. Como havia muitos burros na região, todos os habitantes da pequena vila começaram a caça ao burro. O homem acabou por comprar centenas e centenas de burros a 5 euros. Quando os habitantes diminuíram o esforço na caça, o homem passou a oferecer 10 euros por cada burro.
Toda a gente foi novamente à caça, mas os burros começaram a escassear e a caça foi diminuindo. É então que o homem aumenta a oferta para 25 euros por burro, mas a quantidade de burros ficou tão reduzida que já não compensava o esforço de ir à caça. O homem anunciou então que compraria os burros a 50 euros. Mas que teria que se ausentar por uns dias e deixaria o seu assistente responsável pela compra dos burros.
É então que, na ausência, do homem o assistente faz esta proposta aos habitantes da pequena vila:
- Sabeis os burros que o meu patrão vos comprou? E se eu vos vendesse esses burros a 35 euros cada? E assim que o meu patrão voltar vós podeis vende-los a ele pelos 50 euros que ele oferece, e ganhais uma pipa de massa! Que acham?
Toda a gente concordou. Reuniram todas as economias e compraram as centenas de burros ao assistente por 35 euros cada um.
Os dias passaram e eles nunca mais viram o homem nem o seu assistente - somente burros por todo o lado!
Entenderam agora como funciona o mercado de acções e porque apareceu a crise?
AFINAL QUEM SÃO OS BURROS?"
Burros somos todos nós...
Um abraço amigo.

A. João Soares disse...

Caro Luís,

Esse é o jogo dos especuladores. Quem tiver um bom lote de acções ou capacidade para influenciar o mercado, pode fazer subir ou baixar os preços, para depois vender ou comprar, respectivamente. Quem está de fora ou o pequeno investidor apanha com os salpicos de lama até ficar enterrado.

Um abraço
João
Saúde e Alimentação

Beta disse...

Olá!!!
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Fernanda disse...

Querida amigo João,

Cá estou! Com alguns problemas, mas presente.

Amigo, um texto soberbo destes tinha que ter levado algum tempo a preparar, mas ainda bem ... valeu bem a pena.

Aqui está em detalhe, uma análise profunda do que se passa neste país, que nunca teve tanta gente junta e tão igualmente safada a (des)governar o nosso país.

A situação do país está insustentável, e a competência é nula.
O mais revoltante é a postura de todos eles nas suas declarações aos portugueses.
Por quanto tempo mais pensam eles serem capazes de enganar os "patos"???

Parabéns amigo, este texto devia estar na imprensa, nas primeiras páginas.
Espero que o aumento de visitantes ao nosso Blog se prenda com este facto, o que seria de facto louvável.

Beijinhos

Na Casa do Rau

Fernanda disse...

Querido (o) amigo João,

Desculpe a gralha.

Assim mando-lhe mais uns beijinhos :)

A. João Soares disse...

Querida Amiga Ná,

Recebo as suas palavras como mais uma prova de consideração. O texto apenas tem de mim as palavras a verde e o critério da escolha dos textos seleccionados nas origens linkadas. No Do Miradouro pode encontrar vário posts e muitos comentários a pormenorizarem o estado do País em relação à crise que os políticos ajudaram a desenvolver durante vários anos e que agora não sabem ou não querem remediar com medidas estruturais e correctas. Não querem perder um milímetro dos seus privilégios e dos seus coniventes. Metem as mãos pelos pés numa desordem mental assustadora. Até o PR está desorientado e fez há dias um discurso em que, para apoiar uma decisão, enumerou argumentos que conduziam inteiramente ao contrário.
Com esta loucura generalizada nos «deslumbrados» ou ofuscados não há a mínima esperança de Portugal subsistir e já se fala que a UE acabará por ter de mandar para cá técnicos alemães para coordenar as contas públicas com um rigor muito minucioso.
Veja lá que a AR vai gastar 100.000 euros para comprar um terceiro computador para cada deputado!!! Para quê? Um já é demais porque o utilizam para jogos sociais durante a sessões: Crianças mimadas a quem não faltam brinquedos de todas as formas e feitios. E o povo que pague e que aguente o aumento dos impostos!!!
Até quando???

Beijos
João
Do Mirante

Fernanda disse...

Querido amigo João,

Inacreditável, essa dos computadores não cabe na cabeça de ninguém...
Esse e outros...o que nós vamos sabendo...
Agora imagine no dia que eles saírem do poleiro, o que mais nos faltará saber!!!!

Amigo, qualquer texto bem estruturado, mesmo contendo citações e alusões a outras comentários e incluindo links tem, como muito bem sabe, muito mérito, muito mesmo.


Beijinhos