25/05/2010

CLAUSURA

imagem do Google casadebbby.blogger.com.br


Enclausurado nesta cela
Onde o Sol com acuidade
Dá-me a luz que da janela
Em mim inventa a liberdade.
Escapam-se-me dos dedos palavras vãs
E nas renuncias que aqui escrevo,
Sinto a ausência de amanhãs
Na lucidez do meu degredo.
E é tão triste o respirar
Que pela janela se esvai,
Que até tarda o luar
Na noite quando cai!
Sou alma e sangue com a vida presa
Neste quarto que é meu norte,
Mas ainda assim venero a Estrela
Que ditará a minha sorte!


Ana Martins
Escrito a 2 de Maio de 2009


8 comentários:

Sonhadora disse...

Lindo poema.
Gostei muito, diferente.

Beijinhos
Sonhadora

direitinho disse...

Bom dia
A clausura que nos aprisiona ou aquela que nos liberta, aquela que nos leva à loucura ou a que nos ensina a viver.
Nem todos temos essa capacidade para viver num mundo de silêncio e oração tendo apenas e só a janela Deus por onde entra o Sol e a Luz.
O homem como ser social precisa de conviver e construir uma sociedade melhor, embora tenha na vida momentos de clausura e introspecção.
Um poema para a claausura

A. João Soares disse...

Querida Ana,

Mais um belo poema sobre uma situação humana.
A clausura só será suportável de´se não nos for imposta. Quando for voluntária por motivos ligados à meditação ao alinhamento de ideias, fé, etc. acaba por se motivo de enriquecimento pessoal.
Mas aquela que descreve não é voluntária e a Ana sabe transformar o sofrimento da solidão iluminando o espírito com uma réstia de esperança de encontrar a estrela da sorte. Um segredo da vida, de evitar a tortura psíquica é nunca deixar de ter esperança e ir agindo para que ela se concretize. A esperança, tal como a felicidade, não se obtém só por se falar nela, é preciso agir em conformidade com esse desejo, construir a sua realização.

Beijos
João
Do Miradouro

Fernanda disse...

Minha querida Ana,

Belíssimo o teu poema!
Há muitas formas de clausura de falta e liberdade e de esperas pela estrela que nos indicará o Norte, melhor sorte.
Há dias em que todos nos sentimos presos, mas rebentem-se as correntes, as portas...abram-se as janelas de par em par e sintamos a liberdade, nem que inventada.

Beijinhos

Helena Teixeira disse...

Olá a todos os membros, seguidores e visitantes do Sempre Jovens!

Deixo-vos um convite: Juntem-se a nós no dia 10 de Junho, no Convento dos Frades Franciscanos, em Trancoso, num duplo evento: «Encontro de Bloggers e lançamento do livro "Aldeias Históricas de Portugal – Guia Turístico". Para estar presente, envie um mail para aminhaldeia@sapo.pt a solicitar o formulário de inscrição e o programa das festividades. Faça-o com antecedência, pois as inscrições são até dia 2 de Junho.

Abraço
Lena

Luis disse...

Querida Amiga Ana,
Clausura pode ser prisão mas igualmente pode ser libertação. No primeiro caso quando ela nos é imposta, no segundo quando a mantemos voluntáriamente para em meditação nos elevarmos! Assim sendo o seu poema que é lindíssimo, como sempre nos tem habituado, deve ser interpretado por quem o lê conforme o seu próprio estado de espírito no momento!!!
Adorei!
Beijinhos amigos.

José disse...

Amiga Ana! Essa luz que vem da janela,que lhe traz a inspiração, para fazer poesia tão bela,

um beijinho,
José.

Tite disse...

É um poema lindo da nossa amiga Ana Martins.

Contudo, desperta em mim o medo da velhice e consequente prisão dentro de um quarto, de uma casa que seja, e dure assim uma eternidade pois até pode ser apenas alguns meses mas, mesmo assim, sendo prisão não é só clausura é, também, e acima de tudo solidão e eternidade antes que a estrela nos chame para a outra a definitiva.

Beijosssss