18/08/2010

Os Emigrantes


Uma pintura óleo sobre tela de Domingos Rebelo (1891-1975) nasceu em Ponta Delgada, frequentando, em Paris, a partir de 1907, a Academia Julian. Está exposta no museu, Carlos Machado em Ponta Delgada, Açores.


Note-se que existem actualmente dois tipos de emigrantes, os que emigraram para conseguir melhorar as condições de vida e os que emigram para se especializarem técnicamente e ou exercerem profissões de alto nível técnico e científico, para as quais não há a possibilidade de evolução em Portugal.
Referênciando o primeiro tipo de emigrantes, por vezes ouvimos falar muito mal desses emigrantes, criticar a sua vaidade quando vêm à terra natal, uns porque já não falam português, outros porque tudo o que é de fora é que é bom... com tudo compreende-se que gabem o país de acolhimento, pois lá conseguiram o que aqui seria uma miragem! Portugal não lhes proporcionaria uma vida decente, nem seria nunca, a via para a concretização dos seus sonhos.
É essa vaidade que julgo estar ímplicita e subjacente aos referidos emigrantes. Relativamente ao esquecimento da língua, uns falam a língua do país de acolhimento para mostrar que conseguiram aprender e integrar-se, outros porque querem passar-se por turistas e aínda aqueles que na tentativa de que quem os rodeia, não saibam do que falam! Em todo o caso as más línguas, revelam a chamada " dor de cotovelo ", manifestada por quem não teve a coragem de arriscar, de dar o "salto" e se mantém limitado e resignado com a vida que tem!
Relativamente ao segundo tipo, na maioria das vezes, não nos apercebemos sequer que são emigrantes, a não ser que nos digam, emigram sobretudo pela valorização profissional e curriculum, que após o regresso os catapulta para mais altos desempenhos pela via da experiência adquirida e consequentemente também mais e melhores oportunidades.
Tudo o que aqui referi, vem a propósito de os emigrantes, nem sempre serem bem entendidos, e acabam por ser considerados como estranjeiros no próprio país, e daí uma injustiça. Os emigrantes têm sido uma mola impusionadora da economia nacional, com o envio de remessas das suas poupanças e nota-se a sua importância no volume de depósitos efectuados. Caberia à Terra mãe, criar condições de apoio para que não esqueçam a língua materna e para que acalentem o desejo de um dia regressar. Deveria quem nos governa, criar condições de desenvolvimento e de oportunidades para que não sintamos necessidade de emigrar, ou que a isso não sejamos obrigados!
Os emigrantes, devem ser acarinhados, apoiados e reconhecidos, pois pelo seu suor e sacríficio, pelo que contribuem e muito, para o desenvolvimento do país. Pergunto... porque se fecham consolados por esse mundo fora? Porque não existem verbas para o ensino da língua portuguesa? Porque se retiram cada vez mais os apoios às comunidades portuguesas?
Portugal esquece os seus filhos, como quer obter o retorno? Como não quer ser esquecido?
Com este pequeno texto, pretendo deixar um apelo de compreensão pelos nossos conterrâneos e sobretudo a ideia da sua importância, de forma a que fique bem claro que é preciso mais apoio a quem lá fora trabalha. Que os políticos não se lembrem dos emigrantes, só aquando dos períodos eleitorais!



3 comentários:

A. João Soares disse...

Amiga Sãozita,

Gostei desta tipificação dos emigrantes. O texto está muito interessante, como alerta para o problema da emigração e para explicar às pessoas que os emigrantes merecem ser respeitados.
O Minho deve muito aos primeiros emigrantes no Brasil. Muitos palacetes e solares nos campos do Norte são obra deles.
Do segundo tipo, não podemos esperar muito para a economia nacional, porque a maior parte fica por lá com condições de trabalho melhores do que as de cá. Tenho na família dois de tais emigrantes, doutoraram-se lá, casaram com estrangeiras e já têm filhos. Não vejo que nos factores das suas decisões venha a entrar algo que os faça pensar na hipótese de regressarem à terra natal.

O mundo de hoje não tem fronteiras, como a Internet mostra, e os grandes países - EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e a América Latina cresceram com emigrantes. Devem-lhes aquilo que valem.

Beijos
João
Do Miradouro

Fernanda disse...

Minha querida amiga Sãozita!

Este é um tema muito oportuno e tu foste muito feliz na forma como o abordaste!
Parabéns!

Ana Martins disse...

Boa noite Sãozita,
concordo na integra com tudo o que aqui nos trazes, mas repara, como é que Portugal pode apoiar os Portugueses fora do País, se Portugal não apoia os que cá estão?
Como pode apoiar os nossos emigrantes, se desapoiou os seus soldados, os que lutaram pela Pátria e que ainda hoje sofrem e choram os horrores da Guerra?

Os nossos políticos só se lembram mesmo de todos os Portugueses nos períodos eleitorais.

Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas