17/08/2010

Fogos florestais agravam perigo de deslizamento

Na sequência do post «Fogos florestais. Voluntários na prevenção», permito-me deixar aqui um alerta para os perigos acrescidos nos próximos tempos de enxurradas e deslizamentos de terras.

Em todas as organizações, máquinas ou sistemas vários complexos, existe uma interacção, por vezes muito apurada entre as partes do sistema. A Natureza é um sistema demasiado complexo pelo que não devemos descurar esse encadeamento de efeitos. Têm chegado notícias de deslizamentos de terras e de enxurradas, causando elevado número de mortos desaparecidos e feridos, em vários pontos do mundo e, entre nós, não é fácil esquecer o que ocorreu no Funchal. Mas se não esquecemos também, por outro lado, não retiramos daí as lições devidas.

Os grandes fogos florestais que devastaram toda a vegetação em vastas regiões de montanha, deixaram os terrenos fragilizados e com reduzida capacidade para reter a água das chuvas, por deficiente permeabilização em consequência da ausência de vegetação, abrindo caminho às enxurradas e aos deslizamentos. A mesma quantidade de água que, em condições normais, não causaria estragos, agora origina grandes caudais com elevado poder de erosão e o resultado pode ser ainda mais grave do que o ocorrido no Funchal.

Isto conduz o nosso pensamento para as vastas regiões do interior do nosso País vítimas dos fogos florestais que têm ocorrido. O que acontecerá se vierem chuvas torrenciais? O que tem sido feito para reduzir os efeitos negativos? Qual tem sido a acção de conselho e de persuasão dos especialistas e dos defensores da natureza? Qual o grau de consciencialização de governantes e autarcas?

Não se pode evitar as abundantes chuvadas, não se pode impedir que a água escolha as vias mais rápidas para descer, mas devemos não lhe dificultar a marcha, porque a enxurrada derrubará tudo o que encontrar pela frente. Resta-nos limpar as ribeiras e o «leito de cheia». O leito de cheia é constituído pelas faixas laterais das margens utilizadas durante as cheias de grandes caudais. Poderá ser mais ou menos largo conforme a orografia do terreno. Nesse espaço não deve haver obstáculos, fixos ou móveis, que dificultem a passagem da torrente.

Quanto aos fogos florestais, no próximo ano, se houver iguais condições meteorológicas, e entretanto não forem tomadas medidas adequadas para reduzir a carga térmica sobre o solo e se não forem tomadas medidas punitivas que dissuadam os pirómanos e os seus mandantes, poderão verificar-se fogos semelhantes aos deste ano. Não deve ser alimentado pessimismo e derrotismo, mas sim pressionar quem deve adoptar soluções de prevenção, para que as decida já no Outono.

É com antecedência que se decide e se executa a prevenção. Já há alguns anos surgiram notícias de exemplos de medidas eficientes para vigilância da floresta nos Concelhos de Alcains, Mortágua, Góis, Chamusca, Gondomar, entre outros. Certamente, a Associação Nacional de Municípios está a aconselhar todas as Câmaras a seguirem os exemplos dados por aqueles Concelhos e a imaginar algo de melhor. É preciso fazer algo de útil e não cruzar os braços à espera de milagres.

Tudo será admissível, menos cruzar os braços e esperar pelos ditames do destino. Devemos aprender as lições retiradas dos desastres e dos bons exemplos. Os fogos florestais «combatem-se» (previnem-se) a partir do Outono.

8 comentários:

Luís Coelho disse...

Bom dia João
Li com atenção a tua mensagem que é verdadeira e pode ser uma desgraça mesmo sem grandes tempestades.
Todos sabemos que as águas formam rios poderosos e levam tudo à frente.
Os criminosos não pensam nisso e não se preocupam em ver a nossa terra cada dia mais triste.
Que Deus nos livre de maiores desgraças e também destes malfeitores que andam por aí disfarçados de cordeiros.

A. João Soares disse...

Caro Luís Coelho,
É preciso fomentar atitudes cívicas, positivas.

Para o voluntariado ser eficiente deve começar por pressionar os «responsáveis» para que passem a ser sensatos, ter juízo. Repare nesta notícia do Ionline que evidencia uns funcionários anedóticos:

Plano de defesa da floresta só foi eficaz em Verões pouco quentes e com chuva

Que péssimos planeadores!!! É como se uma pessoa planeasse a sua vida a contar com o jackpot do Euromilhões ou o totoloto. Planear é ser realista e pensar nas piores hipóteses. É mesmo tipicamente dos portugueses que dizem «Não penso mas existo».

Abraços
João
Do Mirante

Fernanda disse...

Amigo João Soares,

Veja aqui - http://limparportugal.ning.com/profiles/blogs/fogos-florestais-agravam

Mais um alerta que deve circular o mais possível, antes que seja tarde demais.
Oxalá alguém o ouça e actue em conformidade.

Beijinhos

J.Ferreira disse...

Não seria nem humano não comentar!

Estou com a alma pintada de negro!
Não há paz, não há tristeza maior, não há cor nesta vida!
Há sim um tormento ainda maior, sabendo que ao mudar, tudo pode vir a ser mais calamitoso.

Abraço
J. Ferreira

Ana Martins disse...

Caro João,
violado o equilíbrio da natureza, as catástrofes mundiais provocadas pelo rigor dos Invernos podem atingir proporções incalculáveis.
Acredite que não sei nem qualificar a monstruosidade dos actos provocados por esses seres desprezíveis parasitas da sociedade que só sabem destruir.
A prevenção eficaz e imediata é a melhor solução a pôr em prática.

Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas

A. João Soares disse...

Amigas Ná e Anae e Amigo José Ferreira,

A prevenção é indispensável. Mas deve ser decidida segundo a metodologia explicada em Pensar antes de decidir.

Mas infelizmente, os destinos do País estão entregues a imaturos,infantis, irresponsáveis.

Repare-se na insensatez evidenciada nesta notícia do Ionline que evidencia uns funcionários anedóticos:

Plano de defesa da floresta só foi eficaz em Verões pouco quentes e com chuva

Que péssimos planeadores!!! É como se uma pessoa planeasse a sua vida a contar com o jackpot do Euromilhões ou o totoloto. Planear é ser realista e pensar nas piores hipóteses. É mesmo tipicamente dos portugueses que dizem «Não penso mas existo».
Como se pode conceber um «PLANO» que seria suposto servir para vários anos, estratégico, e que passados dois anos deixa de servir, com os seus objectivos largamente afastados das realidades.

Com cães cegos, sem olfacto e mancos não se deve ir à caça.

O Governo não encontrará ninguém mais capaz de planear para 10 ou 15 anos, pelo menos? E quanto paga o Estado a esses crânios vazios???

Abraços
João
Do Mirante

Saozita disse...

Boa noite, João Soares. Embora esta questão esteja mais que debatida e como já comentei antes é recorrente de ano para ano, e nada foi feito para além das reuniões, em que nada se resolve, nem nada se faz!

Sinceramente a única esperança é que alguns dos incendiários a soldo, assim como proprietários de floresta, possam vir a ganhar um pouco de consciência, dado que quem manda neste país, não desata.

Tenha uma boa semana.
Bj

Sãozita

A. João Soares disse...

Amiga Sãozita,

Estes temas são de tal importância para as pessoas que os sentem directamente no seu património, na sua pele, como foi o caso das vítimas das enxurradas no Funchal e agora na China e no Paquistão, que não é exagerado falar-se neles. Para os prevenir não devem ser poupados esforços. Há casos gritantes que devem ser resolvidos antes que haja catástrofe.

Há cerca de 20 anos alertei a Câmara de Loures para uma encosta na Luz, junto à Pontinha, que estava em grave risco de deslizamento de terras com casas e pessoas. O Presidente da Câmara disse: mas que é que podemos fazer? Mas, depois dessa primeira reacção, passou a ter mais atenção por aquela área e foi consolidando a encosta. Felizmente, passados 20 anos, o perigo não se concretizou e a área está mais segura.

O povo deve alertar, deve pressionar os políticos de todos os níveis para tomarem medidas. Sem pressão nada farão e depois as catástrofes acontecem. E então já não interessa chorar.

Beijos
João
Do Miradouro