21/03/2011

Gestores e ostentação


Transcrevo o seguinte artigo, publicado em 02-07-2010 por José Pires no blogue «Pela dignidade e valores do ser humano» e que vinha referido num e-mail de pessoa que muito considero.



Um gestor vale mais do que quem salva-vidas e cria (vários tipos) de riqueza como um médico ou um cientista?
Qual é o dom especial que possuem para que ganhem muito mais que todos os outros? Não se sabe.

Mas essa ignorância não altera os rendimentos.
Mesmo que os resultados empresariais derivem de uma extensa cadeia.
Mesmo que todas as empresas devam ter um papel social. Pois é.
Os nossos trabalhadores são dos mais mal pagos da Europa, mas os gestores são dos mais bem pagos.
Um gestor alemão recebe dez vezes mais que o trabalhador com o salário mais baixo na sua empresa. O britânico 14. O português 32 vezes mais !!!
Mas, segundo um estudo da Mckinsey, Portugal tem dos piores gestores. Logo, quando se fala em reduzir direitos e salários, a quem nos devemos referir? Lógico? Não.
Dizem que os bons gestores escasseiam e é necessário recompensá-los. Senão, fogem do país. Ok.
Então, é simples. Se são assim tão poucos, ide. Não serão significativos na crescente percentagem de fuga dos cérebros que estavam desempregados/explorados. Depois, contratem-se gestores alemães ou ingleses.
Por lá, não rareia tanto a qualidade. Estão habituados a discutir não só ordenados mínimos como ordenados máximos.
E... sempre são mais baratinhos.

Joana Amaral Dias, Docente Universitária

Comentário da remetente do e-mail:
Realmente, este é um país de parolos em que parece que "ser bom" se traduz no tamanho e cilindrada do carro usado e dos fatinhos e gravatinhas ou dos tailleurs e saltos altos...
Triste realidade quando comparada com a de outros países (que conheço, vi, ninguém me contou) em que os melhores se deslocam de transportes públicos, de bicicleta ou a pé para os seus postos de trabalho, com roupas práticas - de quem vai trabalhar.
Enquanto as mentalidades não mudarem - que é sempre o que mais demora - nada feito...
Ser em vez de ter - ou de parecer - seria o mote.
Pode ser que um dia...
J.

NOTA: Há dias passou por mim um «Maserati» de matrícula recente. O trânsito estava lento e o condutor procurava dar nas vistas, ou nos ouvidos, acelerando o motor que tem um trabalhar com som característico. Fiquei a pensar que podia tratar-se de um traficante de droga, ou um gestor público colocado nas funções por ter sido político, um daqueles «provincianos deslumbrados de que muito se tem falado nos jornais e e-mails. Neste país de parolos como a J. diz, faz-se mais uso do ter do que do ser. E os exemplos vêm de cima, daqueles que, dessa forma, procuram ocultar a sua vacuidade cerebral.

Imagem da Net

7 comentários:

Anónimo disse...

Estou no estrangeiro,tenho um carro com 10 anos em muito bom estado geral,mecânico,pintura poucos quilómetros para a idade que tem.
Tenho ido de avião a Portugal mas este ano vou de carro,esse mesmo carro que tem 10 anos.
Podia comprar um carro de luxo a pronto pagamento, não preciso de fazer ver que tenho um bom carro,de dar nas vistas, que tenho dinheiro.
Fiquem sabendo que quem o tem por vezes é mais discreto,quem anda a pagar créditos e não sai da mer*da gosta que todos olhem para ele.

Quando virem uma pessoa com um carro velho perguntem a vos mesmos: É pobrezinho,poupado ou forreta?
Quem sabe se essa pessoa não tem uma conta bem recheada,casas a render ou outros rendimentos?
Não se fiem nas aparências,eu irei com o meu carro velho em muito bom estado, quem não quiser ver feixe os olhos,não me interessa se me olham com ar de desprezo.

Brown Eyes disse...

João estou plenamente de acordo com o que foi aqui dito e mais se esses dirigentes ganham tanto que têm medo que eles saiam do país, isto significaria que era bons, como podem as empresas deles terem tanto prejuízo? Quando é que esses imbecis concluem que quem levanta uma empresa são os seus funcionários e quem poderá ter vontade de produzir com ordenados tão baixos? Aí está o nosso mal, ordenados miseráveis que, muitas vezes, levam os funcionários a terem que ter mais que um emprego o que aumenta o cansaço e diminuiu a produção. Adoro ouvir a Joana Amaral Dias. Eu escolho o ser, acima de tudo mas, sinto-me sozinha e acho que este país jamais aprenderá. Nem vendo onde todos vamos parar, à cova, consegue modificar a sua mentalidade.
Beijinhos

A. João Soares disse...

Caros Anónimo e Brown Eyes,

O meu carro está quase com 14 anos, mas com poucos quilómetros e continuarei com ele porque não o quero para ostentação.

A ostentação rima com a desilusão do discurso de Lacão há cerca de uma hora. Pensei que ele fosse falar aos portugueses do PEC, pois o álibi era o discurso sobre a apresentação de tal coisa na AR.

Mas nada disse de tal documento e apenas referiu seis ou sete «incoerências e contradições» do PSD. Provavelmente o PSD não é perfeito mas, no momento presente, o PS não tem autoridade moral para dizer mal de qualquer partido da oposição.

A maior incoerência, contradição e desilusão veio de Lacão… até rima.
O PEC quer apertar mais o cinto dos pobres mas continua com os mesmos gastos desnecessários com os seus «rapazes».

Lacão em vez de falar do PEC e de Portugal limitou-se a dizer mal do partido que teme, portanto colocou o seu partido acima de Portugal, colocou a luta interpartidária acima do respeito que deve ter pelos portugueses.

A sensatez não abunda na mente dos políticos que estamos condenados a suportar.

Abraços
João
Do Miradouro

Celle disse...

Este procedimento seu e dos demais que me anteciparam, é louvável. Fui educada e até hoje, ensino à minha familia o que aprendí: adquirir aquilo que se está precisando. Não esperdiçar nada,usar enquanto tiver apresentável e aproveitável.Só comprar se necessário.Ensinei a economizar, a ser simples e humides, a não demonstrar posses, e a não gastar tudo que possuir.É questão de educação e bom comportamento!
O comportamento dos nossos dirigentes (os daqui e os daí)são iguais ao daqueles empresários que não sabem administrar e deixam sua empresa ir para o buraco. Administrar não é pra qualquer um.O governo é uma empresa e como tal deveria ser dirigida, por homens preparados para assumir o cargo.Qualquer um pode ser político, se candidatar e ser eleito!!!
Desculpe-me João, se disse besteiras.

A. João Soares disse...

Amiga Celle,

Sei que a amiga é um modelo de virtude e que o seu marido é um empresário de sucesso, movido por valores éticos e humanos. Quem tem valor não precisa de o atirar aos olhos dos outros, porque os outros, se forem inteligentes, bem o notam, mas os que nada valem são tentados a usar máscaras de opulência, de ostentação. São um péssimo produto com embalagem de luxo, enganadora ocultadora do mau conteúdo.
Por isso, um conhecido jornalista disse que os nossos actuais políticos são «provincianos deslumbrados».

Beijos
João
Só imagens

Luís Coelho disse...

Mas estas verdades nenhum politico as aceita e as torna num alvo a abater e a tornar os povos mais amigos e trabalhadores.
Os politicos apenas querem a defesa dos seus estatutos ...defendem-se apenas uns aos outros...

Luis disse...

Caro Amigo João,
Eis mais um belo e oportuno post!
Se o nosso emigrante resulta no estrangeiro com grande rentabilidade nas empresas em que se emprega porque em Portugal o mesmo não tem os mesmos resultados?
Tal se deve a vários factores dos quais destaco:
1.Existência de maus gestores.
2.Más leis de trabalho.
3.Criação da subsídio-dependência.
4.Salários pouco atractivos.
Assim, dever-se-ia olhar com cuidado este problema de forma a criarem-se melhores condições o que iria valorizar Portugal e minimizando-se a emigração.
Um forte e solidário abraço.