19/02/2011

O DIREITO Á DIFERENÇA…

Este post já aqui foi colocado há um certo tempo mas, dado estar actual, pareceu-me muito oportuno voltar a traze-lo á nossa consideração. Desculpem-me se assim não o entenderem!

Sou um homem de consensos mas considero essencial que, pelo facto de haver liberdade, todos temos direito à diferença, daí o título dado ao presente post.
Depois desta introdução, a justificá-lo, entremos nas razões que me levaram a faze-lo e, assim, relembro o artigo de João César das Neves.
“A Obesidade Mental - Andrew Oitke” onde segundo este autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
“O problema central está na família e na escola.”
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.»
Ressaltei agora e aqui o que me levou a postar este artigo: “O problema central está na família e na escola”, pois acredito que um dos grandes males desta nossa Sociedade passa efectivamente na falta de Princípios e Valores Éticos! E estes são muito maltratados quer na Escola quer nas Famílias, que na maioria das vezes de família já têm pouco!
E tudo isso promove o que o autor do Tratado esclarece e bem nas suas conclusões finais.
Foi, pois, interessante verificar a diversidade verificada nos comentários que tal post originou.
O João considerou:
“A obesidade mental, como a obesidade morfológica existe em qualquer idade, embora a forma de a erradicar deve incidir na juventude, criando hábitos de higiene mental que preservem as populações do futuro. O autor refere a sociedade moderna em geral, no respeitante à informação e ao conhecimento, aos preconceitos. Aponta o dedo aos «jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema».
A obesidade mental é um fenómeno já demasiado visível e alargado abrangendo toda a sociedade. Não o podemos analisar na sua globalidade sem olharmos para alguns aspectos muito específicos. A higiene mental, leva a seguir o conselho cristão de amar os outros como a nós mesmos. E, neste caso, os outros são os diferentes, qualquer que seja o aspecto da diferença, física, estética, moral ou intelectual.
Temos que orientar a rota estratégica do Sempre Jovens para a dieta mental, a luta contra a obesidade, mas com bom senso, para não cairmos no campo dos obesos a abater! Nada de palpites balofos, de condenação de quem não é igual a nós de aconselhar que se afastem dos «maus».”
Ao que eu, aceitando as suas razões, procurei dizer-lhe, como agora o estou a fazer, das razões que me levaram a postar tal texto:
“Neste post não se fala de "Bons" e "Maus" mas antes situações que em nada têm beneficiado a criação de uma Sociedade saudável com Princípios, Valores e Conhecimentos que permitam as crianças quando adultos serem, de facto, elementos úteis! Aliás este post, como disse, vem no seguimento de tantos outros que aqui têm sido postados e comentados dando satisfação à forma como este Blogue se conduz face a estes problemas.”
A Ana Martins veio ao encontro das minhas preocupações dizendo no seu comentário:
“Este assunto é de extrema importância, é caso para perguntar que histórias vêem, lêem e ouvem os nossos filhos, já que são as crianças quem mais me preocupa. Todos nós sabemos que os desenhos animados e videojogos de hoje são maioritariamente violentos, que a televisão tem poucos programas educativos e que as nossas crianças até por questões de segurança, passam muitas horas em casa. Que vêem e ouvem elas quando os pais trabalham?"
A Ná por seu turno, pela experiência que teve como professora acrescentou:
“É exactamente o perigo das crianças estarem muito tempo com os Pais ausentes, a Sociedade actual estar prejudicada nos Princípios e Valores a incutir nelas e ainda a Escola estar desajustada às necessidades que elas precisam, tudo isso cria a tal obesidade intelectual!
Hoje em dia, a grande doença que afecta a nossa sociedade, principalmente a classe mais jovem, chama-se iliteracia. Neste campo muito haveria para dizer, daí que este seu post seja de relevância máxima. Quase toda a gente sabe vagamente qualquer coisita de tudo, mas nada em concreto. A maioria das pessoas houve e lê mas não consegue entender nada. Estar mentalmente obesa é uma expressão que lhe cabe como uma luva, sem dúvida.
As razões estão claramente explicadas no texto. É preciso começar, e já, a ter conversas em vez de se enviarem mensagens e em códigos. Qualquer dia nem sabem escrever nem falar... É urgente que nas Escolas se obriguem os alunos a interpretar os textos... a sintetizá-los. Há tanta coisa que precisa de ser revista e feita para tentar acabar com esta falta de exercício mental instalado.”
Como se pode ver foi interessante relembrar tudo quanto foi dito pois julgo poder dizer, sem sombra de dúvida, que destas diferenças e do seu direito a elas ficámos todos muito mais esclarecidos e usando as sábias palavras do João:
“Temos que orientar a rota estratégica do Sempre Jovens para a dieta mental, a luta contra a obesidade, mas com bom senso, para não cairmos no campo dos obesos a abater!”
Aliás, no seguimento do que temos sempre feito neste cantinho da Blogosfera onde a Obesidade não tem proliferado. Somos todos Elegantes !!!

3 comentários:

Joéliton dos Santos disse...

Olá. Gostei de tudo que li aqui..

Sucessoo....

Abração

Carmo disse...

Muito interessante este texto, chama a atenção para um problema grave de saúde.

Um abraço

Boa semana

celle disse...

Luis, que bom que publicou novamente, este artigo. Não o conhecia.Na realidade, nos leva a refletir sobre o assunto, muito atual e importante, que se não for levado a serio a situação ficará insustentável.A liberdade de pensar e agir, leva a atitudes diferenciadas o que, justifica bem o titulo que lhe deu.Parabens, amigo Luis, pela seleção e publicação do post,que nos leva a refletir, parabens João, pelas inteligentes palavras de alerta com as quais teceu seu comentário.
bjus
celle