02/02/2011

A MINHA ESCOLA PRIMÁRIA!


Ai, que saudade tão terna vinte vezes cada um
tenho dos bancos da escola! na hora da brincadeira
Da minha rota sacola, com o “prof” ali à beira
das calças sem meia perna, prontinho para o “pum”
das botas quase sem sola…! se acaso saísse asneira.

Da minha lousa partida, Na História eram os reis,
dos lápis esmigalhados, - seus feitos e valentias…
dos cadernos esborratados, papaguear as dinastias,
da algazarra da saída sucessões, actos e leis
aos gritos, berros e brados; - à cabeça as “Sesmarias”.

das idas ao “quadro preto” Linhas férreas e estações
escrever a tabuada marteladas a preceito,
que, de resto, era cantada rios, serras, do mesmo jeito,
por todos, como em coreto, províncias e regiões…
para ser bem decorada; Portugal todo a eito.

das soletradas leituras, Os ossos do esqueleto,
dos desenhos só a metade ai de quem os não soubesse
por falta de habilidade na ponta da língua e esse
p’ra executar as figuras, era o maior aperto
Oh! Minha grande saudade! Quando o inspector viesse.


…Até mesmo a palmatória Coração, estômago e rins,
e a cana do professor, suas funções e locais,
(já as conhecia de cor) veias, artérias e mais
também essas a memória órgãos e outros afins
quase as guarda com amor. das Ciências Naturais…

Da parede pendia fixo Esse era o primário estudo
o grande “Mapa do Império”, no tempo em que eu lá andei.
E com um ar grave e sério E em abono direi
o retrato de um estadista que muito daquilo tudo
ao lado de um crucifixo. ainda hoje eu sei.

Vinha o recreio! …ai o recreio Portanto, afirmo em verdade
c’o a infalível contenda (e como tal dou a face):
em que as cabeças sem fenda Por muito que ela custasse,
não ficavam…! De permeio nutro uma terna saudade
engolia-se a merenda. da minha Quarta Classe!

As contas e os ditados?
--de pôr em pé os cabelos!
Erros? - Nem vê-los!
Eram todos apontados
e obrigados a fazê-los
António de S.Tiago
Enviado por email pelo Amigo João

3 comentários:

A. João Soares disse...

Caro Luís,

Uma bela descrição do que era a escola no interior de Portugal. Hoje, ao vermos nos concursos da TV a ignorância de muitos licenciados, recordamos com prazer o quanto sabíamos ao sair da quarta classe. Talvez alguns não tivessem ido muito além do cantarolar das estações e apeadeiros dos comboios e de outros temas mas muitos acabaram por sedimentar esse saber e nele basear os seus raciocínios pela vida fora, na gestão dos seus problemas, das suas curiosidades para aprender mais.


Um abraço
João
Do Miradouro

celle disse...

Estamos saudosistas, Luis,relembrando tempos bons, inocentes e cheios de estrepolias, que não existem mais!
Meus netos não pularam amarelinhas,nem de bonecas, casinha e comidinhas, nem jogaram queimada,com bolas de meia, nem aprenderam a jogar bolinhas de gude, jogo de botões. Lembro-me dos meus irmãos arrastando pelo chão em campeonatos de futebol onde os jogadores eram os botões das camisas e pijamas de nosso pai!Coitado, atrasado e seus trajes sempre faltavam botões, e por isso aprendí cedo a faze-lo!
Tempos bons aqueles!!!
Celle

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Revi-me nesta volta às escolas do passado. Que saudades, apesar das dificuldades, das más condições dos estabelecimentos, do frio, da falta de aquecimento, das reguadas, das varadas. Tudo era exigente e não havia desculpas,cartas aos pais, psicólogos nem estudos acompanhados; o mestre fazia tudo e, com maior ou menor violência, maior ou menor carinho lá ia dando conta do seu trabalho com alunos a quem muitas vezes faltava até um pão para a merenda. Difíceis tempos, mas também saudosos. Obrigada por esta volta à escola que também foi a minha. Um bom fim de semana
Emília