Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens

11/04/2013

ANDA O DIABO À SOLTA


DESCERAM OS DEMÓNIOS SOBRE A TERRA

Desceram os demónios sobre a Terra,
Com grandes forquilhas dilacerantes,
Vindos das profundezas dos infernos,
Desvairados, frios, horripilantes.

Seu olhar é duro, frio e demoníaco.
Reparem bem naquele olhar horrendo.
Autênticos demónios dos infernos
Em lendas demoníacas ocorrendo.

As gentes se revoltam vendo o ódio
Bradando gritos pela dor sentida
Tiram-lhes as forquilhas e os desarmam
E para o inferno os mandam de seguida!

Zélia Chamusca

NOTA: Este poema foi colocado como comentário às 10h16 de 11-04-2013 e, considerando que merece a visibilidade de post, pedi à autora licença para o publicar, o que foi atendido de forma extremamente simpática.
Muito obrigado Amiga Zélia

08/12/2012

A Hora da Partida – Eugénio de Sá



por Susana Custodio

Um poema sentido, de Eugénio de Sá
Com excelente formatação do amigo Dorival Campanelle
Montagem em vídeo por Susana Custódio

08/08/2012

A Rejeição do Imperfeito


Desconfie-se dos auto-proclamados ‘eruditos’.
Por norma, o seu espírito não excede os limites
da banalidade e as restritas aspirações do acessório.
E.Sá

A rejeição do imperfeito
Eugénio de Sá

O teu saber e o meu, ambos restritos
- Que do saber, da fama não me fio -
Se de eruditos está cheio o vazio
Quero que me encha a sede d'infinito!

E assim, postulo a causa da poesia
- que ao douto não deve explicação -
Como valor maior da exaltação
Que o espírito liberta, em empatia

Essa poesia que canta o amor
que solidária ampara cada dor
Esse encanto que vem do coração

Que os eruditos a escrevam a eito
Alucinados em tornar perfeito
O que imperfeito é, pla rejeição!

12/03/2012

Do Outono, poesia

DO OUTONO

I

O lento caminhar
dos passos preguiçosos
sobre a resteva afilada
do campo abandonado,
liberta um cheiro
a outono ainda aprisionado
no húmus fumegante,
na vegetação ocre,
agonizante,
em fim de tarde húmido,
abafado.
Ao longe,
um resto de seara fulva,
proscrita,
espera lânguida e inquieta
um último sopro
de vento que a agite,
antes do golpe
acerado da foice que,
célere, a liberta.

Isabel Martins

II

O suco negro da amora,
dulcífico,
escorre pela face
caiada de poalha
coagulada do sonolento pastor.
Livres,
os seus olhos enormes de felicidade,
vagueiam pelo seu mundo
limitado, pacífico,
de cabeços escalvados,
ruminantes indolentes,
arroios matreiros e seixos rolados.
O perfume do americano maduro,
flutua sobre o vale
dourado, em ondas balsâmicas, dulciolente.
Os homens matejam
num movimento antigo,
sincopado, repetido.
E o canto da cigarra
estridente, afinado,
embala o outono
que lentamente empalidece
num estiolamento progressivo

17/08/2010

Montra da Vaidade



Montra da Vaidade


Num mundo de egoísmo,
milhões morrem de fome.
Em período Natalício,
passam pela montra do cinismo,
todos os caciques, com nome.
Boys, girls e outros eleitos,
que se mostram solidários,
com a pobreza e a desgraça.
Na vitrina da tristeza,
de muitos , que nada têm à mesa!
Enquanto outros, têm demais.
É na montra do cinismo,
que se vêm, os figurões.
Na tentativa de mostrar ao mundo,
a sua solidariedade.
Falsa, mas aparente!
Porque é ilusória!
Sendo na verdade,
um reflexo de ilusões...
um disfarce de emoções!
Tudo pela notariedade,
reflectida, na montra da vaidade!

poema: Victor Simões

in " A Voz do Povo " 1 de Janeiro de 2007

09/11/2009

Pedras da Calçada









As pedras desta calçada
reluzem como se a chuva
não parasse de as molhar.
Estão tão gastas que parecem polidas
limadas, agachadas.
São os passos passados e pesados dos homens e mulheres
que calçados passam por cima
das pedras desta calçada.
Voltei para trás
tirei os sapatos e
com os pés desnudados
acariciei as pedras polidas e limadas
com passos curtos e leves
numa carícia por mim desejada.
Senti o pulsar de cada pedra,
Os meus pés ajeitaram-se às formas
e dei-lhe um toque de magia
quase imperceptível de cada pedra
reluzente ou baça grande ou pequena
arredondada ou mais disforme.
Passei e voltei a passar
tantas vezes que me perdi na dança.
E me envolvi no gemido
que depressa se transforma em canto.
Os meus pés descalços, ávidos
deslizaram nas pedras da calçada,
o meu corpo sedento, rebolou caminho abaixo
e a minha alma herdou a nudez de cada pedra
e o silêncio da calçada.

Poema de Maria José C. Areal do seu livro Sabor a Sal e a Mel

Pintura de Kip Decker

16/10/2009

Corpo de mulher


O Outono é como mulher.
Espiga madura
Cacho de uvas de desejo,
Noite de luar, nostalgia
Cor de pastel, sabor a mel.
Castanhas quentes, bolo na pedra
Vontades e desejos à mistura
Combinação magistral
Sensual.
Corpo meio despido
Como plátanos junto ao rio.
Cama fofa de vontades
Memórias de outros tempos
Tempo do trigo na eira
Lampejos de amor
Compotas de amora.
Época doce em tempo farto
Reserva de água pura
Manta de retalhos colorida
Vento quente, atrevido
Mar aberto, onda larga
Praia deserta, areia quente
Urze em flor, licor ardente

O Outono é como uma mulher!

Poema de Maria José Areal do seu livro Sabor a sal e a Mel

Fernanda Ferreira

04/09/2009

As palavras...


Há dias assim...em que acordo e me sinto como diante de um abismo. Olho para trás e não recordo de nada de transcendente no caminho que percorri, as amizades que fiz, se as fiz???. O que sou e fiz da minha vida!
Porque há palavras que magoam, sobretudo as que não são ditas...


As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

Fernanda Ferreira

02/07/2009

Untitled...


Não te ter é estranha nostalgia

daquilo que nunca tive.

É sonho, é fantasia

daquilo que seria

se um dia fosses minha!


Lindo demais para não ser publicado.
Fernanda Ferreira

12/06/2009

Ousadia

Fui demasiado ousada.
Palmilhei um largo caminho
E neste momento,
Sinto a alma enrugada
Por não saber ser comedida.
Conter meus receios,
Suster meus gritos
Para deixar acontecer
o nunca acontecido.

Quis acelerar um processo
Onde me achava timoneira
Pensando só,
No meu ritmo ondulante,
Persistente
Nessa promessa de ajuda.

Não pensei em ti.
No meu compasso de espera,
No teu voar de pato bravo,
No poisar da Primavera.
Na liberdade legítima de seres
Simplesmente tu.

Fui intrusa,
Dei palpites,
Penetrei no impenetrável,
Toquei a harpa da loucura
Nessa postura
De quem tudo sabe e quer.

Quis saber teus pensamentos,
Ser amiga, irmã, amante,
Ser remédio
Que tudo cura.

De olhos embaciados,
Com a alma entristecida
Dou conta das atrocidades cometidas.

Desculpas é pedir pouco.
Perdão é desejar muito.

Poema da amiga Maria José Areal, do seu livro Pedaços de Mim, publicado em Maio de 1999.
Uma das minhas pinturas.
Fernanda Ferreira

06/06/2009

Pés descalços

Pés descalços,
Braços levantados ao vento
Avanço lentamente
Até à beira do mar.
Vou deixando marcas
Indeléveis na areia que cede e se dá
À minha passagem.
Percorro o espaço entre a terra e o mar
Acompanhando o recorte
Das ondas que se espraiam
E se estendem como lençóis de linho
Alvo em noite de luar.
Levanto a saia
Para que me sigas neste deambular
Compassado e sensual,
Pela areia rósea e prateada
Provocando nos pés descalços
O sentir e o sentido de um beijo
Que fermenta nas têmporas,
Borbulha na pele
E sufoca na garganta.
Continuo a caminhar.
Inundada pela fragrância almiscarada
Do sal e do sol da vazante
Dobro o corpo até ao chão.
Ai se alguém me pudesse abraçar!

Poesia de Maria José Areal, do seu livro Sabor a Sal e Mel - Maio de 2006
Imagem da net
Fernanda Ferreira

03/06/2009

Olha-me


Imagen da Net.
Olha-me

Abre-me o caminho
Até ao centro do teu coração.
Toca-me na mão
Até sentir a ondulação da tua pele.
Olha-me demoradamente
Até que no céu hajam estrelas.
Enconcha-me no teu colo
Até que o orvalho envolva a madrugada.
Cobre-me com os teus braços
Até o dia nascer.
Fica.
Fica até que o vento norte
Esfume os receios que povoam a noite
Por não te saber…meu.
Olha-me.
Fica,
Fica…

Poema de Maria José Areal, publicado no seu livro “Sabor a Sal e a Mel” em 2006
Fernanda Ferreira

15/05/2009

Slow dance

Alguma vez reparaste nas crianças
num Carrossel?
Ou prestado atenção à chuva
quando cai no chão?
Alguma vez seguiste o voo errático
de uma borboleta?
Ou admiraste o sol a desaparecer ao fim da tarde?
É melhor abrandares.
Não dances tão rápido.
O tempo é curto,
A música não durará…

Passas o dia a correr,
sempre com pressa?
Quando perguntas a alguém, como estás?
ouves a resposta?
Quando o dia termina!
deitaste na tua cama
com as próximas 100 tarefas
correndo o teu pensamento?
É melhor abrandares.
Não dances tão rápido.
O tempo é curto,
E a música não durará…

Alguma vez disseste ao teu filho,
faremos isso amanhã?
e na tua precipitação,
nem reparaste no seu sofrimento?
Alguma vez perdeste o contacto,
deixaste que uma grande amizade morresse,
porque nunca tinhas tempo,
para dizer, “Olá”
É melhor abrandares.
Não dances tão rápido.
A música não durará…

Quando corres demais para chegares a algum lugar,
perdes metade da alegria que terias ao consegui-lo.
Quando te preocupas e te apressas ao longo do dia,
é como se estivesses a deitar fora
um presente por abrir…
A vida não é uma corrida.
Vive-a devagar.
Ouve a música.
Antes da canção acabar.

*Este poema foi escrito por uma jovem em estado terminal internada num hospital nos E.U.
Tradução livre de poema enviado por e-mail pela amiga Carol Kitney.
Fernanda Ferreira

Meu segredo

Eu tenho dentro d'alma o meu segredo
Guardado como a pérola do mar;
Oculto ao mundo como a flor silvestre
Lá no vale escondida a vicejar.

Eu guardo-o no meu peito... É meu tesouro,
Meu único tesouro desta vida.
— Sonho da fantasia — flor efémera
Uma nuvem, talvez, no céu perdida ...

Castro Alves

Fernanda Ferreira

02/05/2009

AMADURECER...

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força -- que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés -- mesmo se fogem -- retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

by Nice

Fernanda Ferreira

30/04/2009

O amor é

Sonhar, intuindo sensações e emoções...
Brilho nos olhos e intensa alegria na alma...
Sentir o palpitar acelerado do coração só de pensar...
Desejar estar junto, sem reservas, disfarces, cúmplice.
Tocar e ser tocada de tantas formas...
Com palavras, com silencio, com olhares, dar e sentir prazer.
Não precisar perguntar, nem responder, apenas compreender.
Falar sobre tudo ou não precisar dizer nada.
Aceitar os defeitos e reconhecer as qualidades
Compartilhar tempo e espaço.
Recordar o passado, viver o presente
e não pensar no futuro.

Liliana Coutinho Ribeiro

Fernanda Ferreira

28/04/2009

Saber Viver


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido
se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira, pura... enquanto dura

Cora Coralina


Perdoar não muda o passado mas engrandece o coração