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30/11/2015

Quantos anos tenho?




Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo. Tenho os anos em que os sonhos começam trocar carinhos com os dedos e as ilusões se transformam em esperança. 
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama louca, ansiosa para se consumir no fogo de uma paixão desejada. E em outras, uma corrente de paz, como um entardecer na praia. 
Quantos anos eu tenho?
Não preciso de números para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho, ao ver meus sonhos destruídos… Valem muito mais que isso. 
Não importa se faço vinte, quarenta ou sessenta! O que importa é a idade que eu sinto. 
Tenho os anos de que preciso para viver livre e sem medos. Para seguir sem medo pelo caminho, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho?
Isso não importa a ninguém! 
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e sinto.

 – José Saramago – 

~~ * ~~

04/05/2012

EQUILÍBRIO ESTÁVEL





Equilíbrio


Para sentir-me pleno, tenho que ser estável.

Para ser estável, é necessário equilíbrio.

O equilíbrio entre:

Ser alegre, e não inconveniente.

Ser sincero, e não machucar.

Ser firme nas idéias, e não arrogante.

Ser humilde, e não submisso.

Ser rápido, e não impreciso.

Ser contente, e não complacente.

Ser despreocupado, e não descuidado.

Ser amoroso, e não pegajoso.

Ser pacífico, e não passivo.

Ser disciplinado, e não rígido.

Ser comunicativo, e não exagerado.

Ser obediente, e não cego.

Ser doce, e não melado.

Ser moldável, e não tolo.

Ser introspectivo, e não enclausurado.

Ser determinado, e não teimoso.

Ser corajoso, e não agressivo.

SER FELIZ...


É TÃO FÁCIL SER FELIZ.
BASTA TER EQUILIBRIO.

20/11/2011

O QUE REPRESENTAM OS "INDIGNADOS"!


Do blogue "Abrupto"

As caixas do correio electrónico estão cheias de centenas de mensagens reproduzindo um texto não assinado, mas de autoria no chamado movimento dos "indignados" que tem organizado manifestações enquadradas num movimento internacional com várias designações, mas nas quais a palavra "ocupação" é central. As mensagens electrónicas circulam com uma série de títulos de que são exemplo: "suspensão do pagamento da dívida já!", "ocupem as ruas, ocupem o mundo", "culpados responsabilizados e punidos", "democracia directa já". O texto original parece não ter título e passamos a identificá-lo como "a Situação", da primeira frase: "A situação que Portugal atravessa..."

O movimento dos "indignados" é apenas uma parte dos movimentos sociais de protesto que têm vindo a sair à rua nestes tempos de crise, e é claramente distinto dos protestos que sindicatos e partidos como o PCP têm vindo a promover. Embora haja uma franja comum, mais ligada ao Bloco de Esquerda, a unificação dos dois sectores do protesto social ainda não se deu e existem profundas diferenças de origem social, composição etária, escolaridade e "cultura" organizacional e política.

O movimento dos "indignados" (uma classificação que merecia mais precisão) resulta de uma amálgama de vários movimentos inorgânicos que têm expressão na Rede e no Facebook, com papel activo de remailers, muitos dos quais radicais de direita, mais o M12M, o Ferve, o Precários Inflexíveis, movimentos da "geração à rasca", na maioria ligados ao Bloco de Esquerda, e depois grupos politizados mais tradicionais da extrema-esquerda e da direita, incluindo os minoritários trotsquistas do BE, o colectivo da revista Rubra, a Ruptura/FER, o que resta do MRPP e do POUS, alguns grupos anarquistas e monárquicos, movimentos de género, feministas, LGBT, ecologistas, defensores dos direitos dos animais, e new age.


No seu conjunto eles são a mais genuína expressão pública do protesto da classe média "baixa", no jargão do marketing e das audiências, ou seja, aquilo que no jargão marxista é a pequena-burguesia. A origem de classe, a localização urbana e suburbana, a composição etária (mais jovens), a composição em termos de formação (maior escolaridade e educação formal, professores, "activistas" culturais, intelectuais, "artistas", ou melhor, "intermitentes do espectáculo"), a estética do protesto, tudo gera uma identidade própria, como já referi, muito distinta da que sai à rua nas manifestações da CGTP.O texto que estamos a comentar, a "Situação", é um típico exemplo de um escrito intelectual para intelectuais, que parte do pressuposto que é para ser lido na Internet, com ligações que funcionam como citações, por exemplo de Paul Krugman, e que implicam um conhecimento, pelo menos mediático e online, de alguns casos como o da Islândia. A referência a Paul Krugman funciona hoje como canónica para a esquerda e mistura-se com uma mescla de ideias muito superficial e de que não é difícil encontrar as fontes. O resultado é um texto muito pobre do ponto de vista analítico e político, mesclando exigências populistas, que têm a sua origem no Correio da Manhã e nos remailers, e um vocabulário esquerdista que em Portugal tem uma genealogia, entre outros, no "pintasilguismo", vivo no pensamento de Boaventura de Sousa Santos.

Comecemos pelo simples diagnóstico do texto: estamos numa crise internacional, cuja responsabilidade "exclusiva" é "da implantação de uma economia neoliberal, dependente exclusivamente da atitude corrupta de banqueiros privados irresponsáveis e de governantes que, consecutivamente, têm alimentado os seus bolsos". A crise não é, em nenhuma circunstância, responsabilidade do "povo" "porque gastou mais do que devia nos últimos anos ". O novo Orçamento dá continuidade à mesma política, com a agravante de "planear privatizar bens comuns tão necessários como a água", um dos "claros exemplos da corrupção da máquina política". Isto nada tem de original, é, em termos muito simplificados, o mesmo que o PCP, a ala esquerda do PS e o BE dizem.


Que soluções são propostas para esta crise? A "suspensão do pagamento da dívida pública já", uma auditoria "cidadã" para se "apurar que parte da dívida pública portuguesa é, de facto, da responsabilidade dos cidadãos" (...) e, "responsabilizar os verdadeiros culpados já". Esta linha da responsabilização (que pelos vistos influenciou a JSD...) exige "uma auditoria ao funcionamento das instituições públicas, com apuramento de ilegalidades e responsabilidades criminais e que conduzirão à suspensão do pagamento de dívida nos casos pertinentes, nomeadamente no caso das parcerias público-privadas e aquisições fraudulentas". O resultado antecipado é "que muitos dos cidadãos não são responsáveis pelo grosso da dívida e de que a acção irresponsável dos bancos privados teve consequências nefastas para os países". O vocabulário moralista é o do Bloco de Esquerda, a reivindicação da criminalização da política é do populismo de direita e de esquerda.


Para além dos múltiplos advérbios "já", uma das mais adolescentes das palavras, o modelo de resolução da crise que é apontado é o da Islândia: "Enquanto os demais resgataram os banqueiros e fizeram o povo pagar o preço, a Islândia deixou que os bancos quebrassem e expandiu sua rede de protecção social." Esta "solução", que "A Situação" pretende legitimar, é interessante em termos daquilo que os marxistas chamariam "interesses de classe". Não é a nacionalização da banca que é proposta (a solução do PCP do BE, partidos de tradição Marxista e Leninista), mas sim a sua falência, na expectativa de que essa falência traria apenas a insolvência dos banqueiros e dos capitais especulativos. Talvez fosse bom que os autores deste texto perguntassem aos seus pais se gostariam de ver desaparecer as suas magras economias e PPR depositados na Caixa Geral de Depósitos, evaporarem-se de um dia para o outro, quando os bancos "quebrassem".

Esta Vulgata sobre a crise não se distingue do que para aí circula, populista, demagógico e inconsequente. Porém onde "A Situação" e os "indignados" vão mais longe é na rejeição do "sistema que mina o verdadeiro modelo de democracia", ou seja, a democracia parlamentar. A defesa da "democracia directa" está no centro das ideias dos "indignados": "A actual democracia é baseada numa sociedade por acções de responsabilidade muito limitada: os políticos e banqueiros lucram, nós pagamos." No meio da confusão do texto expõe-se o que se pretende "alterar": "É preciso que o povo comece a ter mais voz, mais participação e mais consciência política - para que não continuemos a depender de um Parlamento que só em parte é eleito por nós e que continua a não defender os interesses comuns."

Os autores de "A Situação" não são revolucionários: não querem derrubar o capitalismo, apenas fazer falir a parte "corrupta" do sistema, e pelo caminho não terem que pagar nada; não querem uma ditadura do proletariado, nem na fórmula edulcorada que hoje o PCP e o Bloco usam, mas um vago governo em "assembleia permanente" em que os "acampados" falam muito a sério e votam ainda mais a sério, olhando para a Assembleia da República onde está "um Parlamento que só em parte é eleito por [eles]", presumo que o PCP, o Bloco e os Verdes, e outra parte representa a corrupção e o Mal. Eles que estão ali à frente, em muitos casos nem cem pessoas, consideram que a sua "Assembleia Popular" representa a "democracia directa", onde o povo tem mais voz, mais participação e mais consciência política".


Num certo sentido, eles são os filhos primitivos do Bloco de Esquerda, que tomam à letra as injunções de Louçã contra "economia injusta" e que não percebem que ele só diz isto assim porque não pode enunciar a sua real política no seu vocabulário canónico. Os mentores e dirigentes do Bloco são marxistas que não ousam chamar o nome verdadeiro ao que defendem, embora saibam muito bem qual é esse nome. A paráfrase moralista em que envolveram o seu marxismo comunica bem com o catolicismo esquerdista, com uma new wave vagamente religiosa e cósmica, ecologista e uma muito Zeitgeist recusa da ordem e do Estado. Enquanto os pais do Bloco de Esquerda conhecem muito bem as suas fronteiras com o radicalismo de direita, os seus filhos "indignados" comunicam sem dificuldades com todas as ideias antidemocráticas que para aí circulam: são contra os partidos, contra a "política", contra os "políticos", contra o parlamento, como são contra os bancos, os ricos e os polícias.

Sem rigor poder-se-ia dizer que são apenas "anarquistas", mas são outra coisa melhor expressa pela designação subjectivista de "indignados". Não são enragés, mas "indignados" com uma agenda em que a indignação é muito instrumental, uma agenda confusa, caótica, simplista até dizer chega, mas que representa hoje a verdadeira força da "classe média baixa": na crise que vivemos é uma força com futuro e, quando abandonar o folclore dos "indignados", e se juntar nas ruas às filas disciplinadas da CGTP, como fizeram os professores, então a coisa fia mais fino

(Versão do Público de 12 de Novembro de 2011.) © José Pacheco Pereira

06/07/2010

Ser ou não ser INSUBSTITUÍVEL

Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes e CHEFES das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar seus "erros/ deficiências" . Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo , se Picasso era instável , Caymmi preguiçoso , Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico ... O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos. Cabe aos líderes de uma organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto... Se o gerente/coordenador , ainda está focado em "melhorar as fraquezas" de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder/ técnico, que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos. Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados . . . apenas peças.
Não me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões "foi pra outras moradas".
Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: "Estamos todos muito tristes com a "partida" de nosso irmão Zacarias,e hoje, para substituí-lo, chamamos: - ...Ninguém ...pois, nosso Zaca é insubstituível."


Portanto nunca esqueça: Você é um talento único, com toda certeza ninguém te substituirá!



( Sou uma só, mas ainda assim sou uma. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso.)



"No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é..., e outras..., que vão odia-lo pelo mesmo motivo..., acostume-se a isso!"



08/01/2010

Fragmento do homem.


Que tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor. Convenhamos que é, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. A obsessão do lucro foi transformando o homem num objecto com preço marcado. Estrangeiro a si próprio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem à tona é o mais abominável dos simulacros. Toda a arte moderna nos dá conta dessa catástrofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa denúncia; a sua dignidade, em não pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar máscaras e máscaras.
E poderia ser de outro modo? Num tempo em que todo o pensamento dogmático é mais do que suspeito, em que todas as morais se esbarrondam por alheias à «sabedoria» do corpo, em que o privilégio de uns poucos é utilizado implacavelmente para transformar o indivíduo em «cadáver adiado que procria», como poderia a arte deixar de reflectir uma tal situação, se cada palavra, cada ritmo, cada cor, onde espírito e sangue ardem no mesmo fogo, estão arraigados no próprio cerne da vida?
Desamparado até à medula, afogado nas águas difíceis da sua contradição, morrendo à míngua de autenticidade - eis o homem! Eis a triste, mutilada face humana, mais nostálgica de qualquer doutrina teológica que preocupada com uma problemática moral, que não sabe como fundar e instituir, pois nenhuma fará autoridade se não tiver em conta a totalidade do ser; nenhuma, em que espírito e vida sejam concebidos como irreconciliáveis; nenhuma, enquanto reduzir o homem a um fragmento do homem. Nós aprendemos com Pascal que o erro vem da exclusão.

Por ser um dos meus autores de eleição, tanto em poesia como em prosa, decidi publicar um pequeno texto que servirá para reflexão. Assim espero!

Eugénio de Andrade, in 'Os Afluentes do Silêncio'

Foto da Internet

Fernanda Ferreira Ná

24/10/2009

"A SOLIDARIEDADE"


Há pessoas que carregam tanto os outros nas costas que depois de um certo ponto começam a andar devagarinho, sentem-se fatigadas, sem ânimo às vezes para enfrentar o dia. Elas evitam os espelhos, evitando a própria imagem, que já não amam ou mesmo nunca aprenderam a amar.
Segundo Marta Medeiros solidáriedade é generosidade, é corajoso viver pelos outros, proporcionar-lhes felicidade, conforto, reconforto, calor. É nobre e faz parte dos caminhos e das curvas de cada um. Mas como oferecer aos outros uma força que já não possuímos? Como oferecer a alegria se ela nos parece apenas uma máscara que colocamos quando saímos de casa? E a paz, a serenidade, isso nem mesmo podemos fingir, porque nossos olhos nos traem.
Não podemos cuidar dos outros e esquecer-nos de nós.
A felicidade dos outros não está do outro lado da balança, de maneira que à medida que a delas crescem, a nossa diminui.
Por isso nãopodemos aceitar tudo, como mártires, numa atitude heróica onde seremos sempre os perdedores.
Cada um de nós é uma estrela nesse imenso universo. Umas maiores que as outras, fazemos parte da mesma constelação, merecemos o mesmo cuidado e a mesma atenção.
E se uma estrela se perde, é sempre uma luz a mais que se apaga.
Temos que aprender a brilhar.
Não há melhor presente que você possa oferecer aos outros que a paz que você carrega consigo. Não há alegria maior para aqueles que te amam que ver sua felicidade, participar dela. Por isso, cuide-se!!!
Faça por você mesmo aquilo que faria pela pessoa mais querida ao seu coração. Mesmo que você não seja perfeito, por que ninguém o é, você merece consideração, respeito, amor. Você merece sim e a primeira pessoa que deve pensar nisso é você mesmo. Os outros te seguirão, tenha certeza disso!

25/06/2009

A importância do hífen...

Soube de alguém que teve a incumbência de falar no funeral de um amigo.
Referindo-se às datas na lápide, desde o início da sua vida até ao fim, reparou primeiro na data de nascimento e depois referiu-se aos anos que se seguiram.
Com os olhos rasos de lágrimas, disse ...que o que mais importante acima de tudo, era o hífen (_) entre as duas datas, aquele espaço entre - Nascimento e Morte-, uma vez que esse espaço representava o tempo que ele vivera, o qual só agora, os que o amaram sabiam o valor daquela linha tão fininha.

Os bens materiais nada valem. O que realmente importa é como vivemos, amamos e como passamos esse espaço de tempo.

Por isso, pensemos algum tempo e profundamente. Haverá, seguramente, alguma coisa que gostaríamos de mudar na nossa vida, porque nunca sabemos quanto tempo nos falta para reorganizá-la e vivê-la!!! Ninguém sabe...

Se pudéssemos apenas abrandar um pouco para verificar o que é verdadeiramente real, tentássemos perceber o que as outras pessoas sentem, pensam e soubéssemos estimá-las, apreciá-las pelo seu todo, pelo seu valor enquanto pessoas...

Se conseguíssemos ser menos azedos, mostrar mais apreço e amor pelas pessoas que fazem parte da nossa vida…

Se nos tratássemos com respeito e sorríssemos mais frequentemente, lembrando-nos que esta linha pode durar só um pouquinho...
Então, quando o nosso louvor estivesse a ser lido, a nossa história de vida a ser relatada, estaríamos seguramente mais felizes com a forma como gastamos o tempo entre essa pequena linha. Pensem nisto!!!
Com muito amor.

Adaptação do poema “The dash Poem” de Linda Ellis, cujo original poderão ler dash-poem.
Imagem da Net.
Fernanda Ferreira

01/06/2009

No Dia Mundial da Criança...contra o abuso das crianças.

Leiam....de facto toca na alma e custa saber o quanto isto existe.



O meu nome é ""Sara""
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados
Não consigo ver.
Eu devo ser estúpida
Eu devo ser má,
O que mais poderia
pôr o meu pai em tal
estado?

Eu gostaria de ser melhor
Gostaria de ser menos feia
Então, talvez a minha mãe
me viesse sempre dar miminhos.

Eu não posso falar
Eu não posso fazer asneiras,
Senão fico trancada todo o dia.
Quando eu acordo estou sozinha

A casa está escura
Os meus pais não estão em casa.
Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável,
Senão eu talvez leve
Uma chicotada à noite.

Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro
O meu pai chega do bar do Carlos.
Ouço-o dizer palavrões.

Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.
Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos.
Tenho tanto medo agora
Começo a chorar.

Ele encontra-me a chorar
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha, que ele sofra no
trabalho.

Ele esbofeteia-me e bate-me,
E berra comigo ainda mais,
Eu liberto-me finalmente e corro até à porta.
Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola

Ele agarra em mim e lança-me contra o muro.
Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos,
E o meu dia continua com horríveis palavras...
"Eu lamento muito!", eu grito

Mas já é tarde de mais
O seu rosto tornou-se num ódio inimaginável.
O mal e as feridas mais e mais
"Meu Deus por favor, tenha piedade!

Faz com que isto acabe por favor!"
E finalmente ele pára, e vai para a porta,
Enquanto eu fico deitada,
Imóvel no chão.

O meu nome é "Sara"
Tenho 3 anos,
Esta noite o meu pai matou-me.

Existem milhões de crianças que assim como a
"Sara" são mortas. E tu podes ajudá-las.

Por favor faz passar isto se fores contra o abuso das crianças.
Fernanda Ferreira