18/02/2009

Deixe o barro secar primeiro

Era uma vez uma menininha chamada Mariana. Ela ficou toda feliz porque ganhou de presente um joguinho de chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas.

No dia seguinte, Júlia sua amiguinha, veio bem cedo convidá-la para brincar. Mariana não podia, pois iria sair com sua mãe naquela manhã. Júlia então, pediu a coleguinha que lhe emprestasse o seu conjuntinho de chá para que ela pudesse brincar sozinha na garagem do prédio. Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo o seu gosto naquele brinquedo tão especial.

Ao voltar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu conjuntinho de chá jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada. Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou:

-Está vendo, mamãe, o que a Júlia fez comigo?Emprestei o meu brinquedo, ela estragou tudo e ainda deixou jogado no chão.

Totalmente descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao apartamento de Júlia pedir explicações. Mas a mãe, com muito carinho falou assim: 'Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando, jogou lama em sua roupa? Ao chegar em casa você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você lembra o que a vovó falou? Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro. Depois ficava mais fácil limpar. Pois é, minha filha, com a raiva é a mesma coisa. Deixa a raiva secar primeiro. Depois fica bem mais fácil resolver tudo.

Mariana não entendeu muito bem, mas resolveu seguir o conselho da mãe e foi para a sala ver televisão.

Logo depois alguém tocou a campainha. Era Júlia, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi falando: 'Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Aí ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você havia me emprestado. Quando eu contei para a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro brinquedo igualzinho para você. Espero que você não fique com raiva de mim. Não foi minha culpa.

Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já secou.

E dando um forte abraço em sua amiga, tomou-a pela mão e levou-a para o quarto para contar a história do vestido novo que havia sujado de barro.

Nunca tome qualquer atitude com raiva. A raiva nos cega e impede que vejamos as coisas como elas realmente são. Assim você evitará cometer injustiças e ganhará o respeito dos demais pela sua posição ponderada e correta diante de uma situação difícil.

Lembre-se sempre: Deixe a raiva secar!

A ira do insensato num instante se conhece, mas o prudente oculta a afronta.
Provérbios 12:16

De autor desconhecido, recebido por e-mail do amigo Luís.

5 comentários:

Mara disse...

Querido João.
Que texto encantador. Faz-me lembrar a história do Joãozinho que pediu ao pai, aos berros, um combóio el´ctrico. Por muito que o pai lhe explicasse que o combóio era muito caro, o Joãozinho zangado, começou aos saltos e disse: E quero, e quero, e quero. Entou o pai, conseguiu com muita dificuldade acalmar o filho, sentou-o nos joelhos e disse-lhe: vamos combinar uma coisa. Como hoje o papá não pode dar-te o combóio, e como tu és um menino compreensivo, vais esperar 8 dias e, depois, se ainda quiseres o combóio, o pai dá-to. Combinado? O Joãozinho, com um ar ainda meio trombudo, aceitou. Ao fim de 8 dias o combóio já estava esquecido.
A raiva secar como o barro, é algo que me deixa sem palavras, e ainda, uma tão bela história para ajudar a esquecer a aberratante política que já nos cansa.

Beijos
Milai

A. João Soares disse...

Minha cara amiga Mara,
Quando alguém se zanga connosco, se exalta e irrita, a nossa atitude mais sensata, se tivermos tentação de reagir em proporção, é adiarmos a reposta. Mas, com adiamento ou sem ele, devemos responder com a máxima serenidade à semelhança do pai em relação ao comboio. Deixar secar o barro é uma óptima lição. Mas responder em voz baixa quando nos gritam, é uma reacção imediata que demonstra maturidade moral.
Beijos
João

Ana Martins disse...

Caro João,
uma linda história e excelente lição de vida. Fez-me lembrar de um desencontro que tive com uma vizinha à já uns anos atrás. Teria o Sérgio o meu filho mais novo, uns dois anos, e o André o mais velho 12 anos.
O pequenito estava a brincar nas traseiras de minha casa junto à garagem quando o cão de uma vizinha vem virado ao garoto para lhe morder. O André que estava a jogar futebol no campo, vendo o cão direito ao irmão, atirou-lhe uma pedra que por azar acertou no portão da vizinha.
Ouvindo os gritos do Sérgio, corri para ele e perguntei ao André o que se passou.
Dirigi-me então à senhora para lhe pedir desculpa pelo sucedido, e expliquei-lhe que o cão dela ia mordendo no meu pequenito.
Resposta da senhora completamente furiosa, e em voz alta: - Ia mordendo mas não mordeu, e eu ia morrendo de susto!
Respondi-lhe então em voz baixa, e extremamente calma: - E a Senhora ia morrendo mas não morreu!!!!
A coisa ficou por aqui,porque logo de seguida me afastei, deixando-a a falar sózinha.
Mas muitas vezes conto este episódio, e enquanto viver não o esquecerei!

Beijinhos,
Ana Martins

Ana Maria disse...

Nunca agir na hora da raiva, deixar passar e depois tudo será resolvido com calma.
Beijooss!!

A. João Soares disse...

Caras Ana Matins e Ana Maria,
Como não podia deixar de ser, estamos de acordo na lição desta história.
Há quem saiba dar lições de vida, de civismo. O que falta é que as boas lições sejam divulgadas, interiorizadas e praticadas. Só então, o mundo se tornará melhor. E o exemplo deve ser dado pelas pessoas mais visíveis na sociedade, como é o caso dos que ocupam os cargos políticos mais em evidência.
Um abraço
João Soares