Há pouco encontrei no restaurante um amigo e estivemos a desenrolar uma conversa que passou por vários temas e este que vou referir merece a melhor reflexão. Vem ao encontro das reflexões natalícias da bloguista orvalho do céu com o blogue espiritual-idade e outros.Entre a realidade e a aparência pode existir grande distância, tal como entre o papaguear um texto ou uma prece e a sua compreensão, interiorização e concretização em comportamentos.
A propósito de que a felicidade é agora e não devemos desprezá-la agora com a intenção de a termos amanhã, porque com isso acabaremos por nunca a saborearmos - e ela depende de nós, como diz a frase de autor desconhecido «as pessoas mais felizes não têm o melhor de tudo, mas tiram o melhor partido de tudo o que têm» - veio-me à memória uma entrevista de Simone de Beauvoir (faleceu 14 de Abril de 1984) que, passados alguns minutos e várias perguntas depois de ter dito que era agnóstica, sem ligação a qualquer religião, foi-lhe perguntado qual o texto que mais a tinha impressionado durante a vida.
Inesperadamente, depois da resposta atrás referida, respondeu que foi o «Pai Nosso», uma pequena oração católica dividida em duas partes, sendo a primeira uma veneração ou louvor a Deus e a segunda um pedido. Nela consta o essencial para orientarmos toda a vida prática no melhor sentido. Da primeira parte salientou «seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu», isto é um apelo a cumprirmos os «mandamentos», os bons conselhos, as boas normas, o respeito pelos valores. Na segunda parte referiu duas regras de boa conduta «o pão nosso de cada dia nos dai hoje», com o significado de não ser ambicioso, procurar, agora, tirar o melhor partido do que se tem, ser feliz neste momento, com aquilo, mesmo pouco, de que dispomos. Pensar na realidade actual, da melhor forma significa também nada fazer que prejudique outros ou o nosso futuro. A segunda regra é «perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido», e significa que devemos respeitar os outros, amar os outros como a nós mesmos, recusar ódios, rancores, invejas, vinganças.
Depois o interlocutor disse que muita gente que diz imensas vezes esta oração nunca parou para meditar nestes pormenores que sensibilizaram a intelectual agnóstica. Contou que há dois ou três anos, em 12 de Maio em Fátima, a televisão conversou com peregrinas que se arrastavam de joelhos em cumprimento de promessas. Uma senhora idosa estava a satisfazer a promessa que fizera quando pediu que o filho não morresse na guerra do Ultramar e ele regressou bem. Outra mais jovem estava a cumprir a promessa por a Nossa Senhora lhe ter satisfeito um pedido que lhe fez dois anos antes. Dava-se muito mal com a sogra, esta fazia-lhe a vida num inferno e pediu à Nossa Senhora que lhe resolvesse o problema, e ela dava-lhe uma importância e faria de joelhos um dado percurso. E a Nossa Senhora fez-lhe o favor de «levar a sogra».
Enfim, pessoas que se preocupam com a parte espectacular e que se intitulam muito religiosas, com muita fé, dão à religião uma interpretação que é ofensiva, como é este caso de contratar a Nossa Senhora para lhe matar a sogra, como se fosse um assassino profissional, à semelhança daquele que liquidou a amiga e secretária de Tomé Feteira (lembram-se?). Esta senhora nora, apesar de católica, nunca meditou no significado do Pai-Nosso, que Simone de Beauvoir, uma agnóstica, tanto apreciava.
A propósito de que a felicidade é agora e não devemos desprezá-la agora com a intenção de a termos amanhã, porque com isso acabaremos por nunca a saborearmos - e ela depende de nós, como diz a frase de autor desconhecido «as pessoas mais felizes não têm o melhor de tudo, mas tiram o melhor partido de tudo o que têm» - veio-me à memória uma entrevista de Simone de Beauvoir (faleceu 14 de Abril de 1984) que, passados alguns minutos e várias perguntas depois de ter dito que era agnóstica, sem ligação a qualquer religião, foi-lhe perguntado qual o texto que mais a tinha impressionado durante a vida.
Inesperadamente, depois da resposta atrás referida, respondeu que foi o «Pai Nosso», uma pequena oração católica dividida em duas partes, sendo a primeira uma veneração ou louvor a Deus e a segunda um pedido. Nela consta o essencial para orientarmos toda a vida prática no melhor sentido. Da primeira parte salientou «seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu», isto é um apelo a cumprirmos os «mandamentos», os bons conselhos, as boas normas, o respeito pelos valores. Na segunda parte referiu duas regras de boa conduta «o pão nosso de cada dia nos dai hoje», com o significado de não ser ambicioso, procurar, agora, tirar o melhor partido do que se tem, ser feliz neste momento, com aquilo, mesmo pouco, de que dispomos. Pensar na realidade actual, da melhor forma significa também nada fazer que prejudique outros ou o nosso futuro. A segunda regra é «perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido», e significa que devemos respeitar os outros, amar os outros como a nós mesmos, recusar ódios, rancores, invejas, vinganças.
Depois o interlocutor disse que muita gente que diz imensas vezes esta oração nunca parou para meditar nestes pormenores que sensibilizaram a intelectual agnóstica. Contou que há dois ou três anos, em 12 de Maio em Fátima, a televisão conversou com peregrinas que se arrastavam de joelhos em cumprimento de promessas. Uma senhora idosa estava a satisfazer a promessa que fizera quando pediu que o filho não morresse na guerra do Ultramar e ele regressou bem. Outra mais jovem estava a cumprir a promessa por a Nossa Senhora lhe ter satisfeito um pedido que lhe fez dois anos antes. Dava-se muito mal com a sogra, esta fazia-lhe a vida num inferno e pediu à Nossa Senhora que lhe resolvesse o problema, e ela dava-lhe uma importância e faria de joelhos um dado percurso. E a Nossa Senhora fez-lhe o favor de «levar a sogra».
Enfim, pessoas que se preocupam com a parte espectacular e que se intitulam muito religiosas, com muita fé, dão à religião uma interpretação que é ofensiva, como é este caso de contratar a Nossa Senhora para lhe matar a sogra, como se fosse um assassino profissional, à semelhança daquele que liquidou a amiga e secretária de Tomé Feteira (lembram-se?). Esta senhora nora, apesar de católica, nunca meditou no significado do Pai-Nosso, que Simone de Beauvoir, uma agnóstica, tanto apreciava.
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