Já lá diz o velho ditado "O prometido é devido"!
"Apelo, sugestão ou imperativo de consciência?
A carta, embora de conteúdo urgente, perdeu-se por aí nas páginas do jornal em formato papel. Desesperado, procurei no google as palavras mágicas me conduziriam ao formato adequado. Encontrei. Bloguistas brasileiros, deram-lhe a devida projecção. Nem uma referência nacional, nem uma. Daí que vos faça um apelo ou, se quiserem, uma mera sugestão (caso não sintam dever fazê-lo por imperativos de consciência): difundam este texto. Encontram-no aqui. Podem seguir qualquer formato, desde a sua publicação integral à simples selecção de um parágrafo ou pequeno extracto. Mas façam-no para que a memória não se perca... Multipliquemos a mensagem que Saramago deixou ..."
Este amigo refere-se à Carta de José Saramago lida no encerramento do II Fórum Social Mundial.
Um documento que poucos conhecerão e que justifica a sua leitura, mesmo que um pouco extensa.
Para não pesar demasiado no Blog, e ainda correr o risco de vos assustar com a dimensão do mesmo, deixo aqui apenas alguns parágrafos e o link para a sua leitura na íntegra.
Eu adorei... e posso garantir, especialmente a quem não conhece, que se lê num ápice, sobretudo pela sensibilidade única do nosso génio literário, José Saramago!
"Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um fato notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de 400 anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.
Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos, entregue cada um aos seus afazeres e cuidados, quando de súbito se ouviu soar o sino da igreja. Naqueles piedosos tempos (estamos a falar de algo sucedido no século XVI) os sinos tocavam várias vezes ao longo do dia, e por esse lado não deveria haver motivo de estranheza, porém aquele sino dobrava melancolicamente a finados, e isso, sim, era surpreendente, uma vez que não constava que alguém da aldeia se encontrasse em vias de passamento. Saíram portanto as mulheres à rua, juntaram-se as crianças, deixaram os homens as lavouras e os mesteres, e em pouco tempo estavam todos reunidos no adro da igreja, à espera de que lhes dissessem a quem deveriam chorar. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar. Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. "O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino", foi a resposta do camponês. "Mas então não morreu ninguém?", tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: "Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta."
.../continuação.
