04/11/2014

O Silêncio




               



Refugio-me no âmago do silêncio;
Para quê falar, se não há ouvidos?
Para quem falar se à volta há vazio?
Sentimentos? Guardo-os tão bem sentidos…

O silêncio é verdadeira oração,
É puro diálogo que extravasa da alma
Em palavras que saem do coração,
Numa sintonia de paz e de calma.

O silêncio é pura sabedoria,
É cofre sagrado de grande emoção,
É tranquilidade, é ataraxia.

Silêncio é  respeito, é serenidade,
É equilíbrio de alma  é sabedoria,
É saber que acalma, é felicidade.
                  
                                      


Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem- Google


6 comentários:

A. João Soares disse...

Um bom soneto,com boa sonoridade!

Por um lado,«quem cala consente»,Mas por outro lado, quem não responde, despreza, ignora, desvaloriza a ofensa ou o atrevimento.

Mas, na privacidade, o silêncio corresponde à preparação da seara para nova produção, é fonte, é germinação de novas soluções para os mais difíceis problemas, é diálogo connosco próprios, é reflexão, é segundo bons pensadores a melhor concretização da religião.

Mas, cuidado, nem do açúcar se deve abusar. Pois o silêncio em excesso pode transformar-se em solidão, o maior inimigo dos idosos solitários. Nada nos deve desviar sistematicamente do convívio com os outros, para os podermos amar como a nós próprios.

Beijo AJS

luís rodrigues coelho Coelho disse...

O silêncio pode ser maravilhoso mas existem momentos em que o silêncio dói e nos retalha em pequenos pedaços que morrem

Zélia Chamusca disse...

Olá,Ilustre Amigo A.João Soares,

Na realidade é como diz, porém, tudo o que é, é e não é ao mesmo tempo, já nos dizia Heraclito de Efeso, na sua teoria dos contrários. A única realidade, princípio primordial, na explicação desta teoria,é o movimento. Tudo acontece movido na teoria dos opostos.
Digo-lhe que já irritei muita gente com o silêncio. Preferi o silêncio e, naturalmente, continuo a agir deste modo, quando a resposta que poderei dar é demasiado negativa, calo e sei que é uma postura bastante eficaz. Quantos já irritei e se esforçaram para me fazer falar. Mas, em determinadas situações prefiro como resposta o - SILENCIO.

Daí que nem sempre é o que diz o ditado popular: "Quem cala consente".

Isto no sentido prático que o Ilustre Sr A.João Soares alega; no sentido psicológico, filosófico, que é o contexto do poema,(que A.João Soares também refere em seu comentário) é no silêncio que poderemos estabelecer o diálogo mais perfeito que existe, porque, neste diálogo com nós próprios ou com algo que nos transcende é que nos poderemos enriquecer,crescer em espírito.

Se os solitários, que refere, tiverem a capacidade de se encontrarem com eles próprios nunca estarão sós e a solidão que refere será transformada em solitude ou nunca poderá chegar a existir.

Quantas pessoas estão fisicamente acompanhadas vivendo em total solidão?

Muito grata pelo seu sempre enriquecedor comentário e beijinho,

ZCH

A. João Soares disse...


Sinto-me feliz por ter proporcionado à grande pensadora e poetisa oportunidade de nos oferecer mais um texto enriquecedor da análise deste interessante tema do seu belo soneto.
Muito obrigado pelas suas palavras
Beijo
AJS

Nilson Barcelli disse...

O silêncio é tanto mais importante quanto maior for o ruído...
Excelente poema, gostei imenso.
Tem um bom resto de semana, querida amiga Zélia.
Beijo.

A. João Soares disse...

Amiga Zélia,
Não posso deixar perder a oportunidade de lhe deixar aqui uma reflexão sobre o seu silêncio ligada à sua extensa obra poética e patriótica:

Estou a imaginar a ilustre Zélia Chamusca, com a sua simplicidade de apóstola do Bem, sentada no cume do monte da sua terra, a aldeia mais típica de Portugal, Monsanto, à sombra de um rochedo, em silêncio, com o portátil sobre os joelhos a registar, em pequenas frases cheias de conteúdo e significado, as suas belas ideias que formarão os seus formosos poemas. E, depois de terminado este escrito, sobe com a ajuda de pés e mãos a cima do penedo e, de pé, recita o que produziu e,no bom estilo camoniano, aponta o braço para longe, indicando o objectivo pretendido, como dizendo «ide por esta rota, que encontrareis lá longe «um mundo melhor». E assim surgiu título da sua obra mais recente, ainda não apresentada ao público.
Desejo muitos êxitos e felicidade
Beijo
AJS