10/06/2012

Silencio sobre a Islândia!



Todos devem ficar a saber o PORQUÊ do SILÊNCIO ABSOLUTO SOBRE A ISLÂNDIA. 

 Se há quem acredite que nos dias de hoje não existe censura, então que nos esclareça porque é ficámos a saber tanta coisa acerca do que se passa no Egipto e porque é que os jornais não têm dito absolutamente nada sobre o que se passa na Islândia. 

 Na Islândia: 

- O povo obrigou à demissão em bloco do governo; 
- Os principais bancos foram nacionalizados e foi decidido não pagar as dívidas que eles tinham contraído junto dos bancos do Reino Unido e da Holanda, dívidas que tinham sido geradas pelas suas más políticas financeiras; 
- Foi constituída uma assembleia popular para reescrever a Constituição. Tudo isto pacificamente. Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu a esta crise. E aí está a razão pela qual nada tem sido noticiado no decurso dos últimos dois anos. O que é que poderia acontecer se os cidadãos europeus lhe viessem a seguir o exemplo? 

Sinteticamente, eis a sucessão histórica dos factos: 

- 2008: o principal banco do país é nacionalizado. A moeda afunda-se, a Bolsa suspende a actividade. O país está em bancarrota. 
- 2009: os protestos populares contra o Parlamento levam à convocação de eleições antecipadas, das quais resulta a demissão do primeiro-ministro e de todo o governo. A desastrosa situação económica do país mantém-se. É proposto ao Reino Unido e à Holanda, através de um processo legislativo, o reembolso da dívida por meio do pagamento de 3.500 milhões de euros, montante suportado mensalmente por todas as famílias islandesas durante os próximos 15 anos, a uma taxa de juro de 5%. 
- 2010: o povo sai novamente à rua, exigindo que essa lei seja submetida a referendo. Em Janeiro de 2010, o Presidente recusa ratificar a lei e anuncia uma consulta popular. O referendo tem lugar em Março. O NÃO ao pagamento da dívida alcança 93% dos votos. Entretanto, o governo dera início a uma investigação no sentido de enquadrar juridicamente as responsabilidades pela crise. Tem início a detenção de numerosos banqueiros e quadros superiores. A Interpol abre uma investigação e todos os banqueiros implicados abandonam o país. Neste contexto de crise, é eleita uma nova assembleia encarregada de redigir a nova Constituição, que acolha a lições retiradas da crise e que substitua a actual, que é uma cópia da constituição dinamarquesa. Com esse objectivo, o povo soberano é directamente chamado a pronunciar-se. São eleitos 25 cidadãos sem filiação política, de entre os 522 que apresentaram candidatura. Para esse processo é necessário ser maior de idade e ser apoiado por 30 pessoas. 
- A assembleia constituinte inicia os seus trabalhos em Fevereiro de 2011 a fim de apresentar, a partir das opiniões recolhidas nas assembleias que tiveram lugar em todo o país, um projecto de Magna Carta. Esse projecto deverá passar pela aprovação do parlamento actual bem como do que vier a ser constituído após as próximas eleições legislativas. 

Eis, portanto, em resumo a história da revolução islandesa: 

- Demissão em bloco de um governo inteiro; 
- Referendo, de modo a que o povo se pronuncie sobre as decisões económicas fundamentais; - Prisão dos responsáveis pela crise e 
- Reescrita da Constituição pelos cidadãos: Ouvimos falar disto nos grandes media europeus? 

Ouvimos falar disto nos debates políticos radiofónicos? Vimos alguma imagem destes factos na televisão? Evidentemente que não! 

O povo islandês deu uma lição à Europa inteira, enfrentando o sistema e dando um exemplo de democracia a todo o mundo.

3 comentários:

Campista selvagem disse...

QUERO A MESMA RECEITA...
Aliás quero todos os politicos do pós 25 de abril detidos e despojados dos bens que não sejam capazes de provar, e sem reformas soperiores à minima do país.

A. João Soares disse...

Caro Luís,


A Islândia dá uma lição de clarividência política que, como diz o amigo Campista Selvagem, devia ser seguida por cá e pelos outros países.

Os espanhóis também estão a procurar preservar a sua soberania. «Para Rajoy, a ajuda europeia resume-se à abertura de uma "linha de crédito" para os bancos que necessitarem de reforço de capital, que não implica "condicionalidade macroeconómica para o nosso país" (como acontece em Portugal, Grécia e Irlanda).»

Mas há A Tragédia à vista e quase ninguém a quer ver…de novo!, no entanto, como diz José Gomes Ferreira, muito perspicaz, corajoso e frontal, «a senhora Merkel quer regular os mercados financeiros, quer aplicar uma taxa sobre as transacções financeiras, quer pôr os estados e os povos europeus a gastar menos e a produzir mais. Quer ajudar, mas quer garantir antes, que a ajuda é bem utilizada.»

Mas, por cá, apenas ouvimos palavras sem conteúdo a criar a ilusão de esperança para 2013, mas deixando a ideia de que tudo vai piorando, para depois se crescer !!!. Enfim, maus atletas que, dando passos à retaguarda, esperam vir a chegar à meta.

Convinha que meditassem nas palavras de António Sampaio da Nóvoa «Não façamos, uma vez mais, o erro de pensar que a tempestade é passageira e que logo virá a bonança. Não virá. Tudo está a mudar à nossa volta. E nós também.
Afinal, a História ainda não tinha acabado. Precisamos de ideias novas que nos dêem um horizonte de futuro. Precisamos de alternativas. Há sempre alternativas.»

E as ideias novas a que Nóvoa se refere, já que não são produto interno, podemos importá-las da Islândia e da Espanha.

Abraço
João

Celle disse...

Luis e João, ser politicamente educado é outra coisa! Saber seu valor de cidadania, resulta em ação necessária, na hora certa, executada em surdina sem holofotes, sem benefícios próprios e pessoais e manifestações para fotos. Ação precisa e rápida. O importante é a maioria, o povo. Muita liberdade vira liberticídio.
Temos muito a aprender...
um fraternal abraço
celle