14/05/2012

A TENDÊNCIA DA SERVIDÃO!


O Público, cuja prudência na afirmação é correlativa à recusa da metáfora, colocou na primeira página de 23 de Maio, entalada entre Mourinho e a conclusão da série de televisão Perdidos, uma acusação terrível: "As causas que amarram a economia ao marasmo. 

Um problema que começou com Cavaco e com Guterres." O distinto periódico não só se distraiu no cacófato como acordou um pouco tarde para uma evidência conhecida há duas décadas. 

O dr. Cavaco encheu o País de betão inútil. Recebeu oceanos de dinheiro para resolver dificuldades essenciais (repito: essenciais) e deu um tratamento uniforme aos problemas relativos ao desenvolvimento. Confundiu tudo. É um dos maiores embustes políticos de que há memória. 

O eng.º Guterres fez o percurso de interpretação clássica: o mal está na educação. Era a sua paixão ardorosa e a apoquentação da sua alma repleta de piedosas referências. O Cavaleiro de Oliveira escreveu que vivíamos numa "fermosa estrivaria." 

Guterres, num "pântano". Fugiu e escancarou as portas à direita mais abstrusa. Se o nosso presente está ameaçado pela própria contingência da realidade que o envolve, deve-se a estes senhores, e a muitos mais outros, a perda da unidade de sentido que faz funcionar um país, uma nação. 

Tudo o que foi ministro da Economia e das Finanças tem passado pelas televisões apresentando respostas para a crise que não previram, ou que anteviram e não avisaram, ou que fomentaram por negligência e inépcia. 

Agora, são todos sábios e enunciam algo de semelhante ao fim da pátria tal como a conhecemos, e ao ocaso da democracia por ausência de cidadania. Enfim, dizem, a nossa tendência é a da servidão. 
Fomos os "alunos exemplares" de Bruxelas: aceitámos a destruição do nosso tecido produtivo com a submissão de quem não foi habituado a expor questões e a enumerar perguntas. Pescas, agricultura, tecelagem, metalurgia, pequenas e médias empresas desapareceram na voragem, em nome da "incorporação" europeia. 

A lista de cúmplices desta barbaridade é enorme. Andam todos por aí. Guterres trata dos famintos do Terceiro Mundo; Barroso, dos "egocratas" de barriga cheia; os economistas que nos afundaram tratam da vidinha, com desenvolta disposição. Nenhum é responsável do crime; e passam ao lado da insatisfação e da decepção permanentes, como cães por vinha vindimada. 

Impuseram-nos modos de viver, crenças (a mais sinistra das quais: a da magnitude do "mercado"), um outro estilo de existência, e o conceito da irredutibilidade do "sistema." Tratam-nos como dados estatísticos, porque o carácter relacional do poder estabelece-se entre quem domina e quem é dominado - ou quem não se importa de o ser.  

por BAPTISTA-BASTOS DN 2010-05-26 

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ARTE?


As crianças na pintura...Rsrsrsrsrsrs

RELACIONAMENTOS!

Depois de muito meditar sobre o assunto, concluí que os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: há os casamentos do tipo ténis e há os casamentos do tipo frescobol. 

Os casamentos do tipo ténis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. 
Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. 

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. 
Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?'
Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar. 

"Scherazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são 
sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme "O Império dos Sentidos". 

Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. 

A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. 
Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo....

" Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada."É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatómica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma". 

O ténis é um jogo feroz. O seu objectivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se ténis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exacta noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objectivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do ténis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro. 

 O frescobol se parece muito com o ténis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho para lá, sonho para cá... 

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem ténis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Ténis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é Ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. 

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor...Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim... 

por Ruben Alves

A SESTA!

Sesta repara espaço de memória Período de sono da tarde esvazia o armazém cerebral temporário e melhora capacidade de aprendizagem 
O senso comum sabe-o há muito: uma boa sesta de uma hora e pouco a seguir ao almoço refresca as ideias e faz bem à saúde.
Mas os cientistas confirmaram agora experimentalmente que esse período de sono a meio do dia melhora as capacidades cognitivas e perceberam porque que é que isso acontece.
O sono é essencial para esvaziar o armazém cerebral temporário das memórias e assim arranjar espaço para novas aprendizagens. Esta foi uma novidade apresentada ontem na conferência anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS), que está a decorrer em San Diego, na Califórnia. "O sono tem efeitos reparadores após um período prolongado de vigília, mas melhora também as capacidades neurocognitivas, em relação àquilo que elas eram antes da sesta", explicou Matthew Walker, professor e investigador de psicologia na Universidade de Berkeley, e o principal autor do estudo. 
Para chegar a esta conclusão, os investigadores avaliaram um total de 39 jovens adultos, que dividiram em dois grupos: um com direito a sesta, o outro não. Ao meio--dia, todos os voluntários eram sujeitos a vários exercícios cognitivos, cujo objectivo era estimular o hipocampo, uma região do cérebro envolvida no armazenamento de informações temporárias. Aí, ambos os grupos exibiram desempenhos idênticos. Duas horas depois, o grupo da sesta era autorizado a dormir durante hora e meia, enquanto os outros ficavam acordados. Às 18.00, todos voltavam aos exercícios cognitivos, que consistiam na memorização de uma quantidade de informações. Os desempenhos de ambos os grupos foram significativamente diferentes, verificaram os cientistas. Os que não dormiram tiveram resultados inferiores aos que tinham obtido nos primeiros exercícios do meio-dia (e aos do outro grupo) e os da sesta melhoraram em média o seu desempenho em relação aos mesmos exercícios. 
O grupo de Matthew Walker já tinha descoberto em 2007 que o hipocampo é o local no cérebro onde as informações são armazenadas temporariamente antes de serem enviadas para o córtex pré--frontal, onde parece haver mais espaço de memória. Agora o grupo deu mais um passo no conhecimento deste processo, ao descobrir que esta transferência de informações se faz exactamente durante o sono. "É como se a inbox dos e-mails, o hipocampo, estivesse cheia. Enquanto não se dormir para a limpar, não se recebem mais e-mails. Eles voltam para trás até que o sono permita que eles sejam transferidos para outro folder", exemplificou Matthew Walker. Justamente, o que o estudo do seu grupo agora revelou foi que esta transferência de memórias entre o hipocampo e o córtex pré--frontal se faz durante o sono, e numa fase muito específica, a fase 2 NREM (não REM), que ocorre entre o sono profundo (também não REM) e a fase REM (papid eye movement), durante a qual ocorrem os sonhos. 
Desconhecia-se até agora que função teria esta fase 2 NREM do sono, mas o estudo de Matthew Walker tornou claro que ela serve pelo menos para esta limpeza do hipocampo, para libertar espaço de memória temporária no cérebro. A equipa pretende agora averiguar se existe alguma relação entre a progressiva perda de memória ligada à idade e a diminuição média de horas de sono experimentada também pelas pessoas idosas. 
Tags: Ciência

HARMONIA CONJUGAL


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