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08/07/2011

Banir o Power Point


Na Suíça já fizeram contas ao prejuízo causado pela utilização abusiva do Power Point.

Foi a melhor surpresa do ano, um presente muito apreciado.

Recebo dezenas de anexos pps que me é completamente impossível abrir por falta de tempo. Três contactos enviam diariamente mais de uma dezena, o que significa que reenviam cada e-mail que recebem com este tipo de anexos, certamente sem os terem aberto, porque não podem ter tempo para tanto. Só esses três enchem a caixa de entradas e tenho que os mandar para a reciclagem, pois o dia só tem 24 horas.

Sei que corro o risco de desperdiçar coisas valiosas, mas lamento que tenha de ser assim.
O abuso dos pps vai ao ponto de uma colecção de pensamentos que cabem em meia folha de tamanho A4, ser distribuída por um pps de cerca de dez páginas, o que só por isso já ocupa muito tempo a abrir. Mas há as frases que ficam parcialmente quase ilegíveis devido à falte de contraste da letra com a cor do fundo do que resulta mais demora a decifrar.

A Suíça tem um novo partido, o Anti-PowerPoint Party (APPP). O nome denuncia todo o programa político, mas deixa espaço para a surpresa dos argumentos usados para banir o popularsoftware de apresentação: o país perde anualmente 2,1 mil milhões de francos suíços (cerca de 1,75 mil milhões de euros) com a sua utilização.

Oxalá este partido (APPP - Anti-PowerPoint Party) consiga convencer as pessoas a usar comedidamente o pps e não massacrar os amigos com enxurradas desta peste.

06/05/2009

Animais versus humanos

Recebi este texto por e-mail. Com tais fundamentalismos iremos por não poder comer carne nem peixe nem certamente vegetais, que também são seres vivos. Alimentar-nos-emos de areia com e petróleo!!! Recordo que as campanhas contra as touradas são o recurso de pessoas sem profundidade de sentimentos e vistas curtas e surgem ocasionalmente. Numa dessas aparições via-se uma mulher com aspecto de beata de qualquer seita a precisar de publicidade, mas poucos dias depois não a vi quando se clamava contra a fome e a falta de apoio de saúde das crianças de Timor. Há em Portugal e noutros Países do Terceiro Mundo crianças e idosos a passarem muito mel, mas essas almas «bondosas» não mostram compadecer-se por tais seres que sofrem e são ignoradas pelos poderes e pelos tais telegénicos.
Haja civismo e respeito pelos outros, sejam seres vivos de qualquer espécie, e pela Natureza em geral, com bom senso e praticabilidade.
E pense-se mais nos grandes problemas que constituem e aumentam o atraso cultural e social dos portugueses em relação aos habitantes de Países mais civilizados: educação, saúde, segurança, justiça social.

Em Sintra não comem frango?

PÚBLICO, 30.04.2009, por Helena Matos, Jornalista (helenafmatos@hotmail.com)

A preocupação com o sofrimento dos touros parece não se aplicar a animais menos telegénicos
Por enquanto talvez ainda comam, mas certamente que vão deixar de comer, pois o novo Regulamento de Animais de Sintra estabelece que os animais não podem sofrer psicológica ou fisicamente naquele concelho. É certo que o dito regulamento para já apenas se destina aos espectáculos - como os circos e as touradas -, mas quem já entrou num aviário certamente comprovou o sofrimento psicológico e físico experimentado pelos frangos e demais seres de pena que se encontram nos ditos estabelecimentos. O mesmo regulamento, se fosse para ser levado a sério, poderia conduzir à extinção as reservas de caça existentes no concelho, pois, como se supõe, a felicidade não é propriamente um estado de alma entre as espécie cinegéticas na época da caça. Seja em Sintra ou em qualquer outro lugar.

Viana do Castelo, Braga e Cascais fazem companhia a Sintra nesta nova bandeira do politicamente correcto dos direitos dos animais ou mais precisamente dos direitos de alguns animais. Tanto mais que este tipo de medidas dá boa imprensa. Tão boa que ninguém se lembra de confrontar os partidos com o duplo critério que adoptam neste assunto. Ou será que o BE, que apresentou a proposta do fim das touradas em Sintra - proposta essa que só teve os votos contra do PCP e de alguns dos eleitos do PS -, também vai propor o mesmo tipo de regulamento em Salvaterra de Magos, única autarquia presidida pelo BE e onde apresentar um regulamento destes implicará com quase toda a certeza perder as eleições?

Estranhamente, a preocupação com o sofrimento dos animais que tanto incomoda os autoproclamados defensores dos touros vivos - convirá não esquecer que se acabarem as touradas ninguém investirá na criação de touros bravos, logo os touros bravos passarão a touros bravos desaparecidos - não se aplica a animais menos telegénicos. A mim, por exemplo, impressiona-me muito mais a morte dos peixes do que as touradas, as matanças ou as chegas de bois. Tenho uma atávica dificuldade em entender como há quem se divirta em campeonatos de pesca e exasperam-me aquelas boas almas que passam horas imóveis, de cana de pesca na mão, à espera que um peixe morda o anzol para em seguida o deixarem morrer asfixiado. Mas não creio que fosse aceitável que um regulamento semelhante ao que foi aprovado em Sintra, Cascais ou Viana do Castelo impedisse a pesca desportiva ou outra qualquer em nome da condenação do sofrimento físico e psicológico dos peixes.

Acontece simplesmente que as touradas vivem hoje, em Portugal, um momento equivalente ao que aconteceu há algumas décadas com o fado. Consoante as épocas, o fado foi acusado de degenerar a raça ou de ser reaccionário e não havia escritor ou artista que não se sentisse na obrigação de declarar o seu nojo por aquilo que consideravam um arrazoado acanalhado de canções de faca, alguidar e ciúme.

Até um acontecimento com características populares como a Grande Noite do Fado não merecia o menor interesse quer aos militantes da canção popular quer ao estudiosos que todos os dias lastimavam que o povo preferisse ouvir rádio em vez de cantar nas mondas e nas ceifas.

Como nesses tempos não existia a figura de ministro da Cultura, o mesmo não vivia o embaraço de surgir nas fotografias ao lado de fadistas e guitarras. Hoje o fado passou de canção cantada em Portugal para uma espécie de praga nacional: à excepção daqueles que, como é o meu caso, não cantam nada, parece existir um fadista dentro de cada português. Nos locais mais recônditos do país organizam-se noites de fado e fala-se do dito como se a Severa fosse lá da terra. E, claro, os políticos e as elites já não têm vergonha de aparecer ao lado dos fadistas. Ensina aliás a última campanha presidencial que ter uma mandatária que cante fado, como aconteceu a Cavaco Silva com Kátia Guerreiro, é uma vantagem muito acrescida sobre os outros candidatos que também escolheram cantores para mandatários mas especializados noutros estilos supostamente mais modernos mas certamente menos eficazes na hora de fazer esquecer aos auditórios que o candidato ainda não chegou - veja-se o caso de Manuel Alegre com Pacman.

Não sei se as touradas conseguirão fazer o percurso do fado e recuperar a popularidade. Logo nada me chocaria que as mesmas deixassem de existir, em Portugal, por falta de público. O que me parece um claro abuso de poder por parte dos autarcas é arrogarem-se o direito de decidir que determinados espectáculos não terão lugar nos respectivos concelhos. Agora são as touradas e os circos. Amanhã podem ser as feiras, os concertos dum determinado tipo de música, uma peça de teatro ou outro espectáculo qualquer. É sempre fácil arranjar argumentos para legitimar uma proibição.

Presumo que nas próximas autárquicas a questão das touradas não suscite especial interesse. Mas neste país onde o poder central e local já achou um sinal de progresso proibir toques de sinos, procissões e piqueniques, neste mesmo país onde uma autarquia achou por bem adquirir um cinema que mantém mais ou menos fechado (falo do São Jorge, em Lisboa), unicamente para impedir que uma igreja pouco institucional ali se instalasse, conviria perceber o que pensam os diversos candidatos não sobre as touradas mas sim sobre o direito a decidirem acerca dos espectáculos e eventos que podemos frequentar.

18/08/2008

A arte de viver juntos

Conta uma lenda dos índios Sioux que, certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda do velho feiticeiro da tribo e pediram:

- Nós nos amamos e vamos nos casar. Mas nos amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até à morte. Há algo que possamos fazer?

E o velho, emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse-lhes:

- Há o que possa ser feito, ainda que sejam tarefas muito difíceis. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui, com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono; lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com uma rede deverás apanhá-la, trazendo-a para mim viva!

Os jovens se abraçaram com ternura e logo partiram para cumprir a missão.

No dia estabelecido, na frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves.

O velho tirou-as dos sacos e constatou que eram verdadeiramente formosos exemplares dos animais que ele tinha pedido.

- E agora, o que faremos? - os jovens perguntaram.

- Peguem as aves e amarrem uma à outra pelas patas com essas fitas de couro.

Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres.

Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade do voo, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até se machucar.

Então o velho disse:

- Jamais esqueçam do que estão vendo, esse é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se como também, cedo ou tarde, começarão a machucar um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados.

Liberte a pessoa que você ama para que ela possa voar com as próprias asas.

Essa é uma verdade no casamento e também nas relações familiares, de amizade e profissionais.

Respeite o direito das pessoas de voar rumo ao sonho delas.

A lição principal é saber que somente livres as pessoas são capazes de amar.

De autor desconhecido