18/05/2013




NO MEIO DE TUDO ISTO; NÃO RESISTO…

Zélia Chamusca



Trabalhei, estudei, sonhei e amei.

Toda a minha vida projetei

No sonho que com amor abracei

E que sempre concretizei.

E do tanto que conheci e aprendi

Não entende minha razão

A crueldade,

Nesta sociedade

Dominada pela ambição,

Que torna os ricos cada vez mais ricos

Quando tantos ficam sem pão!

Trabalhei, e trabalharei

Sempre e no trabalho me realizarei.

O trabalho é a nossa manifestação

Enquanto seres humanos.

É a nossa participação

Na obra da criação.



Estudei e estudarei

Enquanto estiver, aqui, presente.

A vida é uma aprendizagem permanente,

Esta aprendizagem

É a finalidade primordial

À vida essencial.

É através da aprendizagem

Que nós evoluímos,

Progredimos,

E podemos tornar-nos melhores

Para nós, para o próximo,

E mais úteis à sociedade

Percorrendo o caminho do Bem,

Do Amor e da Fraternidade.


Sonhei, sonho e sonharei

Sempre, mesmo quando penso

Que não mais sonharei…

É o sonho que comanda a vida.

É no sonho que criamos a nossa realidade.


Sonhei e todos os sonhos,

No que dependeu de mim, concretizei.

Porém, o sonho de viver numa sociedade

Onde existisse a igualdade

De oportunidade,

A solidariedade,

A fraternidade,

Este sonho ruiu…


Vivo numa sociedade

Em que só alguns têm oportunidades

Para viver, ser e crescer;


Vivo numa sociedade

De oportunismo

Num país tornado falido

Pelo capitalismo;


Vivo numa sociedade

Em que mataram a esperança,

O projecto de ser

E de querer ser;


Vivo numa sociedade

Em decadência moral;


Vivo numa sociedade

Dominada pelo Poder,

Pela ganância

Pelo mal!


Amei e amo em todas as vertentes

E tonalidades diferentes…

É o amor que dá vida à vida.

Ele é o êmbolo da vida.

É elemento vivificador.

Sem amor nada existe.

O Amor é princípio, meio e fim

De tudo.

Ele estará sempre presente em mim.


Mas, no meio de tudo isto;

Não resisto…


O amor se perdeu,

O egoísmo prevaleceu,

O capitalismo venceu…


Com todo o meu conhecimento,

Numa vida de já grande vivência

Feita de estudo e experiência,

Não vê minha consciência,

Falta-me a clarividência…


Nunca tal sonhei, nem pensei,

Não entende minha razão

A razão deste fatal regresso

Ao esclavagismo,

Ao fascismo,

Onde se preconiza redução de salários

Aos que trabalham,

Onde se rouba os que trabalharam

E descontaram para seu sustento

Quanto já estivesse no tempo

De descanso da vida dura

E as forças já faltassem…

Se aproveitaram desse dinheiro,

Durante o tempo inteiro,

Dos mais velhos que descontaram,

E que guardaram para sua tranquila sobrevivência,

Para o fim da existência

E lhes roubaram!…

Sim, literalmente,

Lhes roubaram

O que ganharam

E que já não podem voltar a ganhar,

Já não podem recuperar…

Enquanto outros se vão enchendo!…

Os que originaram a crise

E não a pagam.

Não pagam…

Não devolvem o que roubaram

A este pobre país…

Fatal regresso à escravatura

Numa ditadura

De prepotência radical

Numa sociedade desigual

Em que algozes

Comem tudo e até o pão

Aos pobres, ricos em coração!

 
Da obra - A MENSAGEM - Podemos Mudar o Mundo
Chiado Editora

1 comentário:

A. João Soares disse...

Amiga e colega de blog Zélia Chamusca,

O dinheiro apareceu para facilitar as trocas, mas cedo se tornou numa droga demasiado tóxica e quem sofre de tal vício é capaz de tudo para não perder a oportunidade de obter mais uma moeda por pequena que seja. E os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, porque o sentido de justiça social, a ética, o respeito pelos outros, a honra e a honestidade são valores que têm sido postergados.

Mas não podemos desistir de esperar mudanças para melhor. Mas elas não podem vir daqueles que estão no grupo os ricos, mas sim do esforço desenvolvido pelos pobres na luta pelos valores democráticos. Os escravos como Spartacus, os pobres os colonizados só terão subida na classe social se apelarem aos valores da democracia e exigirem ser respeitados. Isso implica vontade, força e alguns actos menos pacíficos. Cada um tem que lutar com os instrumentos que estiverem ao seu alcance.
Dos detentores dos instrumentos legais e de Poder nada se pode esperar para a Justiça Social, porque eles não querem «matar a galinha dos ovos de ouro» que é apanágio dos ricos e dos políticos,que, por inerência, são candidatos a ricos, com rapidez e por qualquer meio.

A história da humanidade teve altos e baixos e, por isso não devemos perder as esperanças de isto vir a mudar. Recordemos a Revolução Francesa e outros eventos menos mediáticos.

Beijos
João